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  1. 29/04/2008

    O filho da cidade da Amizade

    Roca Sales (ou carinhosamente 'Roca', também conhecida como a cidade da amizade) é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Era chamada de Conventos Vermelhos. Nome que foi dado por marinheiros que passavam pelo Rio Taquari e afluentes, que banham o município. O nome mudou graças a visita do Presidente argentino Julio Roca, que foi retribuida pelo Presidente Campos Sales, em 1900.

    Distante pouco mais de 100km de Porto Alegre, a cidade é banhada pelo Rio Taquari, onde se pesca lambaris, piavas e outros peixes. O rio enche, de tempos em tempos e inunda as casas nas partes mais baixas da cidade. O acesso à cidade ainda de dava por balsa (chamada localmente de 'barca') até 1986, quando foi construida uma grande ponte para acesso, proporcionando uma bela entrada ao município.

    A cidade foi berço de Alfredo Pozoco, o maestro de canto coral premiado nacionalmente , que adotou o pseudônimo Gil de Roca Sales. A Miss Brasil 2008, Natália Anderle também é natural desta cidade. Mas o mais famoso de seus filhos, chama-se Silvio Luiz Borba. Mais conhecido como Kuki.

    Ele, na verdade, nasceu em Crateu-CE, mas foi criado em Roca Sales. Cresceu nesta pequena cidade, do interior gaúcho. Começou sua carreira profissional pelo time do Encantado.

    Seu futebol o levou para o Taquariense, depois para o Palmeirense, do Rio Grande. De lá, subiu para Santa Catarina, onde jogou pelo Ypiranga, Veranópolis, Lajeadense, Santanense, Internacional de Lajes e Brusque. Foi artilheiro e chamou a atenção de alguns olheiros. Dentre eles, um que o levou para o Náutico, que era treinado por Júlio Espinosa.

    O resto da história, todos já sabem.

    O baixinho de Roca Sales chegou a Recife em 2001, e danou-se a fazer gols. Foi campeão e artilheiro pernambucano, logo em seu primeiro ano vestindo a camisa do timbu. E que ano! Campeão do centenário, tirando o alvirrubro de uma fila de 11 anos e, de quebra, evitando o hexa do maior rival.

    Foi bi-campeão estadual, em 2002, mesmo tendo saido, numa rápida passagem pelo Hunday, da Coreia. Artilheiro da Copa do Nordeste. Logo já era ídolo da torcida timbu. Artilheiro estadual em 2003 e 2005. Ainda foi “tri-campeão” em 2004.

    Teve vários parceiros no clube alvirrubro, com quem se deu muito bem, no ataque do aristocrático clube dos Aflitos. Tiago Tubarão (conhecido no sul, como Gentil), Carlinhos (que atualmente é Bala), Fumaça, Jeancarlo, Jorge Henrique (hoje no Botafogo), Felipe, Acosta e, atualmente, Wellington (além do mesmo Felipe e Warley).

    Ano passado, saiu emprestado para o Santa Cruz. E voltou este ano, com sua experiência de um dos maiores goleadores da história do Clube Náutico Capibaribe, para ajudar o time de Roberto Fernandes. Somar. Agregar. Este é o novo Kuki.

    No passado, seu temperamento explosivo, rendia notícia, tanto quanto seus inúmeros gols. Mas, atualmente, além de ídolo é um exemplo a ser seguido. Longe de sua velha conhecida camisa 11, veste a 18 e senta-se no banco alvirrubro, para incendiar o jogo. Não antes de ouvir da arquibancada um velho coro: “Kukê! Kukê!”.

    O clamor da torcida é atendido. E Kuki entra em campo, como um garoto. Com um folego de um atleta (que sempre é o primeiro a chegar e o último a sair, nos treinos). Sem a mesma explosão de 2001 e o mesmo faro de gol que o fez chegar próximo de Bita, na soma de gols com a camisa vermelha e branca, entretanto, o baixinho continua a jogar um bom futebol e suas assistencias têm sido decisivas.

    E, mesmo entrando nos minutos finais, tem aproveitado a oportunidade para marcar gols. Como o que fez, contra o Ypiranga, na goleada por 6 x 1.

    Quis o destino que o titular Wellington – o “Tanque dos Aflitos” fosse expulso na partida de ida, nos Aflitos, contra o Atlético-MG, pela Copa do Brasil. Abriu-se a chance para que Kuki jogue a partida, no Mineirão. Pode até não entrar de frente. Mas, certamente, será uma excelente opção para Roberto Fernandes, puxando os contra ataques, ao lado de Felipe (o goleador contra o Galo).

    Justamente no dia 30 de abril, quando completará 37 anos. Se o baixinho já entra fervendo, normalmente, o que dizer, num dia como este? Sem dúvida alguma, poderemos ver um Kuki mais do que motivado.

    E quando este ídolo alvirrubro está num bom dia, dificilmente os zagueiros adversários conseguem segurá-lo. Mesmo entrando no segundo tempo, nos jogos do estadual, deixou sua marca em 03 oportunidades, este ano.

    No ano passado, quando viveu momentos difíceis no Náutico, ainda fez 13 gols com a camisa timbu, pelo estadual e Copa do Brasil. Em 2006, na belissima campanha que trouxe o Náutico, de volta para elite do futebol nacional, foram 11 gols.

    Por isto, quando as imagens de TV mostrarem o jogo entre Atlético-MG e Náutico, não serão apenas os alvirrubros de Recife (e do Brasil) que acompaharão o jogo. A pequena Roca Sales, no Rio Grande, terá olhos para ver seu filho mais famoso entrar no Mineirão (no momento que for) e, se Deus permitir, brilhar, mais uma vez – como sempre fez com este manto sagrado.

    Parabéns Kuki! Feliz aniversário. E que o presente seja dado por ti, à torcida alvirrubra.

  2. 26/04/2008

    Otimista x Pessimista





    - Milton, qual o motivo de tanto otimismo?

    - Cara, qual o mtivo de tanto pessimismo?

    - Pó, Miltão, o time tomou 2 gols nos Aflitos e agora o galo só precisa vencer, por 1 x 0.

    - Rapah (como diria o revolution man, Sérgio Ramone), o negócio é o seguinte: vencemos. Jogamos pelo empate (qualquer empate). Pela vitória (óbvio). E até podemos perder, sim. 3 x 4. 4 x 5 e por ai vai. E o 2 x 3 também não nos elimina. Estatisticamente são 80% de chance (pois a vitória e o empate são 75% e com mais as derrotas que podemos ter a nosso favor, chegam até a mais de 80%).

    - Mas, Miltô! É o Atlético-MG, jogando no Mineirão!

    - Assim como era o Santos, jogando na Vila Belmiro, no ano passado e vencemos por 2 x 1. Assim como era o Corinthians, em São Paulo e vencemos (3 x 0) ou o Goiás, no Serra Dourada (outra vitória por 3 x 0). Isto sem falar nas vitórias fora de casa contra o Paraná (4 x 2), América-RN (5 x 1) e o empate em 1 gol, com o Juventude e Atlético-PR.

    - É, mas....

    - Como era o Cruzeiro, em Minas (e estávamos perdendo por 2 x 0) e empatamos em 2 gols. Até o próprio Galo, que precisou de mais 7 minutos de acréscimos para nos vencer, no primeiro jogo do brasileirão, de 2007.

    - Mas...

    - Temos jogadores experientes. Pelo menos Eduardo, Vagner (mineiro), Everaldo e o mineiro Ruy conhecem bem o Mineirão, pois o 3 primeiros jogaram pelo Atlético e o último pelo Cruzeiro. E se Ticão e Radamés são jovens e têm poucos clubes em seus currículos, possuem muita raça, como demonstraram no jogo dos Aflitos. Já Paulo Almeida é rodado e experiente. Assim como Geraldo e Warley. E ainda tem Felipe – o terror dos atleticanos.

    - Pode ser...

    - Roberto Fernandes, ano passado, fez uma bela campanha com o Brasiliense, com Patrick, Goeber, Allann Dellon, Junior Baiano, Dimba e Warley, quando passou pelo Juventude, vencendo por 3 x 2 e empatando em 0 x 0. Eliminou o Cruzeiro, quando venceu por 1 x 0 e empatou em 1 x 1. Venceu o Ipatinga por 1 x 0 e empatou em 2 x 2. E só parou no Fluminense (que seria o campeão) na semifinal, após perder em casa (2 x 4) e empatar no Rio (1 x 1). Ou seja, nosso treinador eliminou 2 mineiros, ano passado, nesta mesma Copa do Brasil, vencendo um jogo e empatando o outro (nos 2 confrontos).

    - Eita!

    - Pois é. E contra Geninho, há uma disputa antiga, entre Roberto e ele. Com ampla vantagem do treinador alvirrubro – que só perdeu uma vez.

    - Oxê!

    - Em 15 partidas disputadas longe dos Aflitos, contras as melhores equipes, pela primeira divisão de 2007, o timbu, sob o comando de Roberto Fernandes obteve 5 vitórias 3 empates e só perdeu 7 vezes (menos de 50%). Fez 28 gols (1,86 gols por jogo) e sofreu 29 (1,93). Aproveitamento de 53,33% dos jogos e 40% dos pontos disputados.

    - Rapah (já imitando Sérgio Ramone)! Que coisa! Eu não sabia.

    - Pois é, meu amigo. Até entendo que você esteja preocupado. Eu também estou. Não é fácil segurar um time tradicional, no ano de seu centenário, e com jogadores rápidos e qualificados, como Danilinho, Marques, Petkovic, Marcio Araújo. Mas lembre-se que eles terão um desgaste de uma final mineira no domingo, contra seu maior rival e ainda jogarão depois, contra o mesmo Cruzeiro, no derradeiro jogo do estadual. E isto pode ser bom para o Náutico. Até por conta da presença da torcida – que deverá ser inferior ao que seria normalmente (pois certamente, o torcedor do Galo estará poupando para as finais).

    - Não tinha pensado nisto....

    - Então. Como eu disse, não será fácil, mas não há motivos para pessimismo. Muito pelo contrário. Podemos sim, voltar de BH classificados. E ainda tem mais: Será um jogo no dia do aniversário de Kuki. E ele certamente estará com muito mais vontade de fazer gols, do que normalmente já tem (e ele tem muito). Será que a expulsão de Wellington não foi obra do destino?

  3. 24/04/2008

    O fim de um tabu




    Claro que o gol do Galo, nos momentos finais deu um clima diferente para o resultado do jogo. Mas, cara, vencemos! Pela primeira vez na história da Copa do Brasil, o Náutico venceu o Atlético-MG. Antes, foram 4 jogos e 3 vitórias do time mineiro e apenas 1 empate. Sem qualquer vitória da equipe pernambucana – bem ao contrário dos confrontos pela serie A (e até pela segunda divisão).

    3 a 1 era um ótimo resultado. Poderíamos perder em BH por 1 x 0 que estaríamos classificados. Com 3 x 2, deixamos de ter a derrota como resultado que nos daria a classificação. Mas ainda temos outros dois, entre três. O empate é nosso. Assim como a vitória. Só estaremos desclassificados, se perdemos a partida no Mineirão.

    Ou seja, vamos para Minas Gerais da mesma forma que fomos para Curitiba, em 2006, quando vencemos o Coxa, em Recife e jogávamos pelo empate, na capital paranaense. Empatamos e seguimos em frente.

    Vamos para Belo Horizonte em condições melhores que fomos para São Paulo, ano passado, para enfrentar o Corinthians, no Pacaembu. E com um time reconhecidamente mais fraco que o atual. Depois de empatar em 2 gols, nos Aflitos, tínhamos a obrigação de vencer os corintianos, em seu campo. Vencemos, por 2 x 0.

    Então, meu caro amigo alvirrubro, levante a cabeça, bata no peito com orgulho e vamos nos preparar para a partida de quarta-feira, na casa do Galo. Jogar com muita determinação e garra.

    Garra que não faltou no jogo da noite desta quarta-feira, em Recife.

    Contra uma equipe tradicional do futebol brasileiro. Contra um time centenário e cheio de jogadores de qualidade, como Danilinho e Petkovic, por exemplo.

    E logo no começo sofremos um gol, rápido, com uma bela jogada do sérvio que passou pela defesa alvirrubra. Uma defesa que estava armada com Eduardo, Serginho, Vagner, Everaldo, Berg, Ticão, Radamés e Ruy, com Geraldo no meio e Felipe e Wellington na frente.

    Foi quando Felipe (que está se especializando em fazer gols no galo mineiro) começou a aparecer no jogo. Marcou o primeiro gol de cabeça e o segundo, após uma excelente jogada do tanque, que pegou a bola no meio de campo, ganhou o lance, livrando-se da uma falta e tocou para o atacante Felipe estufar as redes do Atlético, na virada alvirrubra, ainda no primeiro tempo.

    O visitante, entretanto, tem qualidade e jogava perigosamente no campo dos donos da casa. Já o timbu tinha em Radamés e Ticão seus grandes nomes do jogo. Simplesmente os dois estiveram perfeitos. Jogaram muito. E com muita determinação.

    Mas outros destaques alvirrubros chamaram a atenção. Berg agradou. Fez uma boa partida e foi coroado com um belo gol, logo no início da etapa complementar, num chute de fora da área. Era o 3 x 1.

    A partir daí, o time de Geninho partiu para cima de vez e deu espaços para os contra ataques. Com isto, Roberto Fernandes teve duas preocupações. A primeira foi de reforçar a marcação, com Paulo Almeida no lugar de Serginho, mudando a posição de Ruy para a lateral direita.

    A segunda, colocando Laborde no lugar de Berg (que cansou, pois não jogava há muito tempo), para poder ganhar velocidade nos contra ataques. E conseguiu. O grande problema é que esbarrou num velho e conhecido defeito do colombiano. Ele é arisco e rápido, mas peca no fundamento do chute a gol. E teve 2 ou 3 excelentes chances. Perdeu todas, para desespero da torcida, que já tinha ficado com o gol na garganta, com 2 bolas que o timbu colocou no travessão, na etapa inicial.

    Alex Sandro já estava na beira do campo, para entrar e ser mais um a tocar a bola e ganhar tempo no meio. Mas com a contusão de Ticão (que estava fantástico), Roberto Fernandes teve que mudar a substituição para Marcio Santos, no lugar do camisa 5 alvirrubro.

    E com a saída da “sombra de Danilinho”, a subida (sem a descida em tempo) desnecessária de Everaldo ao ataque e com Laborde sem dar o primeiro combate, o galo diminuiu a vantagem alvirrubra, no apagar das luzes. Justamente com Danilinho.

    Apenas uma correção aos que se surpreenderam com o fato de o timbu tomar o gol com 3 volantes e 3 zagueiros. O Náutico não estava com este número. Eram 3 zagueiros (Vagner, Everaldo e Marcio) e 2 volantes (Radamés e Paulo Almeida), pois Ticão tinha saído, para dar lugar a Márcio Santos.

    Para terminar, o tanque acabou sendo expulso pelo árbitro da partida, por reclamação e desfalca o timbu no jogo da volta. Mas o garoto Wellington é muito jovem e tem muito que aprender e não foi por essa expulsão (até injusta, pois o árbitro contemporizou com outros atletas) que prejudicou o Náutico ou teve arranhada sua imagem com a torcida – que terminou aplaudindo o tanque alvirrubro.

    Evidentemente que seria fantástica a vitória por 3 x 1, mas o placar de 3 x 2, também significa que vencemos o forte Atlético-MG (que está nas finais do estadual e terá um jogo desgastante contra o Cruzeiro, no domingo e outro decisivo no outro final de semana e certamente deve querer este título importante no ano de seu centenário, contra o seu maior rival) e quebramos o tabu de nunca ter vencido o Galo, nesta competição.

    Agora, podemos nos classificar com qualquer empate (0 x 0; 1 x 1; 2 x 2; 3 x 3; 4 x 4, etc), qualquer vitória (1 x 0, 2 x 1, 3 x 0, 3 x 1, 3 x 2, 4 x 0, etc) e até mesmo com derrotas (3 x 4, 4 x 5, 5 x 6, em diante – sempre com 1 gol de diferença). Com derrota por 2 x 3, a vaga será decidida nos pênaltis. E só uma derrota por 0 x 1, 1 x 2 (ou mais de 2 gols de diferença) é que dão a classificação para o Atlético.

    Portanto, meu velho, temos mais é que comemorar a vitória, o fim do tabu, o grande jogo que presenciamos e buscar, com muita raça, união e vontade, a classificação em Minas. E nada no Náutico é fácil. É sempre suado e disputado. Então, que assim seja.

  4. 23/04/2008

    Um alvirrubro chamado Guilherme



    Dois galegos jogavam futebol de salão na quadra principal da sede alvirrubra. Habilidosos, pareciam irmãos gemeos. Mas eram pequenos e invocados. Especialmente um deles, que atendia pelo nome de Guilherme. Joguei algumas vezes com ele e, apesar de ser mais velho, levei muito traço do garoto.

    Crescemos (nenhum dos dois creceu muito, para falar a verdade). Cada um seguiu sua vida. Sua profissão. Eu abracei a carreira jurídica. Fui morar em Curitiba. Ele foi ser profissional da área de educação física e continuou no Recife.

    Numa viagem, que fiz para a minha terra natal, no ano de 2001, visitei o aristocrático clube dos Aflitos. Era uma tarde de terça-feira. O time treinava fisicamente, nas laterais do gramado.

    O preparador físico batia palmas e acelerava o ritmo dos atletas. No intervalo, ele me viu, nas sociais e veio falar comigo. Era o garoto do salão. O mesmo galego que me deixara a convicção que eu não poderia ser atleta profissional de futebol, ao me driblar seguidas vezes.

    Guilherme Ferreira era o cara.

    Depois soube que desde o dia 23 de abril de 1998 ele estava no Náutico, após 03 temporadas no Santa Cruz.



    Naquele ano de 2001, Sérgio Lins, Rubinho e o presidente André Campos, efetivaram Guilherme como o primeiro preparado físico do Náutico, para trabalhar com o técnico Júlio Spinosa. E mesmo com a chegada de Muricy Ramalho (que trouxe Carlito Macedo), Guilherme continuou no trabalho, se tornando campeão do centenário e depois, bi-campeão estadual, em 2002.

    A função de primeiro preparador físico do Náutico (independentemente de quem o treinador trouxesse) passou a ser de Guilherme, a partir de 2005.

    Hoje, dia 23/04/08, este excelente profissional e tremendo carater (além de alvirrubro de berço), completa 10 anos de trabalho no Náutico.

    E, sempre otimista em relação ao clube que viu se reestruturar, passando por dificuldades inimagináveis e chegando na primeira divisão com outra estrutura (desde sua chegada ao departamento de futebol profissional).

    Hoje o clube tem uma comissão fixa, onde trabalham três preparadores físicos (Guilherme Ferreira, o paulista Guilherme Bergamo, Ricardo Seguins), o fisiologista Cleber Queiroga e o preparador de goleiros Batista.

    Parabéns Guilherme. Não apenas pelos seus 10 anos de profissional, no Náutico, mas por toda sua trajetória profissional e por tudo que fez pelo nosso Náutico em todos esses anos

  5. 22/04/2008

    Participação alvirrubra na Copa do Brasil



    Na primeira Copa do Brasil, disputada em 1989, o Náutico só enfrentou Atléticos. De início, na chamada 1ª fase, pegou o Paranaense, no Recife (vitória por 1 x 0) e em Curitiba (empate sem gols). Nas oitavas-de-final, foi eliminado pelo Mineiro, quando empatou em 1 x 1, no Recife e perdeu, em BH, por 3 x 0. O time tinha Mauri, Levi, Lucio Surubim, Vavá, Junior Guimarães, Muller, Erasmo, Aroldo, Newton, Bizu e Nivaldo, sob o comando de Charles Muniz.

    No ano seguinte, o timbu foi bem melhor. Na 1ª fase passou pelo Treze-PB, com duas vitórias (1 x 0 em Campina Grande e 2 x 0, no Recife). Nas oitavas, empatou como Ceará (0 x 0 em Fortaleza) e venceu na Veneza brasileira, por 3 x 0. Nas quartas-de-final, perdeu para o Remo em Belém (3 x 1) e se classificou ao devolver a derrota com juros (4 x 0). Só foi eliminado nas semifinais, pelo Flamengo (que viria a ser o campeão do torneio), quando perdeu no Rio por 3 x 0 e não conseguiu dar o troco, em Recife, empatando em 2 gols. O Flamengo tinha Zé Carlos, Ailton, Hugo, Rogério, Piá, Uidemar, Junior, Bobô (ou Djalminha), Zinho, Renato Gaúcho e Gaúcho. Já a equipe alvirrubra (que ficou em terceiro lugar na competição), formou com Celso Cajuru, Levi (este mesmo dos juniores), Barros, Freitas (ou Lucio Surubim), Célio Gaúcho, Aroldo (no lugar de Muller), Augusto, Leo, Buião, Bizu e Ocimar. O técnico era Otacílio Gonçalves. Naquele ano Bizu foi o artilheiro da Copa do Brasil, com 7 gols.

    Em 1991 ficamos de fora da disputa (que só teve Sport e Santa Cruz, como representantes do Estado). Mas em 1992 estávamos de volta, para sermos eliminados, ainda na primeira fase, pelo Sergipe. E parecia fácil. Vencemos em Aracaju, por 2 x 1, mas perdemos em casa, por 2 x 0. Mauri, Cafezinho, Gaúcho, Paulo Roberto, Cleber, Marquinhos, João Paulo, Lau, Nevada e Nivaldo não deram muitas esperanças para Mário Juliato e a torcida alvirrubra.

    Já em 1993 fomos eliminados por outro mineiro: O Cruzeiro. Começamos até bem, passando pelo CRB, com duas vitórias (1 x 0 em Maceió e 5 x 0 no Recife), mas nas oitavas, apesar da vitória por 1 x 0, na capital pernambucana, saímos com a derrota por 2 x 0, no Mineirão.A equipe que foi a Belo tinha Marco Antônio, Cafezinho, Lúcio Surubim, Parreira, Baiano, Cleber, Bossato, Paulo Leme, Washington, Jéferson e Milton Lima.O técnico era Luciano Sabino Pinho.

    Não estivemos nas competições de 1994, voltando em 95, quando o São Paulo nos eliminou, nos Aflitos, no jogo da ida, ainda, na primeira fase, por 4 x 1. Não teve o jogo da volta, na capital paulista, por conta dos critérios de classificação (2 gols a mais na casa do adversário). O técnico Mauro Fernandes (que não tem nada a ver com Roberto) colocou o time em campo com Paraíba, Carioca, Ney, Gito, Serginho, Zelito, Edson Niquinha, Paulo Leme, Nailson, Jéferson e Mael. Não podia ser diferente.

    E ficamos sem disputar o torneio em 1996, 97, 98, 99. Só voltamos em 2000, quando enfrentamos o CSA, na fase preliminar (duas vitórias, por 2 x 1 em Recife e 1x 0, em Maceió). Em 2001, com o time campeão pernambucano, de Kuki e cia, fomos eliminados na primeira fase, pelo ABC, após empatar em casa por 2 x 2 e perder em Natal, por 2 x 0.

    No ano seguinte passamos pelo Remo, quando empatamos em 2 x 2, em Belém e, depois, metemos 4 x 3, num jogo sensacional nos Aflitos. Mas fomos eliminados pelo Brasiliense (sensação do torneio naquele ano), quando perdemos na Toca do Jacaré (3 x 2) e empatamos, em Recife, sem gols. Em 2004, eliminamos o o Anapolina (2 x 1 e 3 x 1) e o América-RN (1 x 2 e 3 x 1), mas saimos, nas oitavas, justamente contra o Atlético-MG, quando perdemos 2 vezes (1 x 2 e 1 x 3). Não disputamos em 2004.

    E voltamos a disputar a competição, em 2005. Fomos eliminado pelo Coritiba. Após vencermos por 1 x 0 no Eládio de Barros Carvalho, perdemos a vantagem e a vaga, no Paraná, quando o Coxa nos bateu por 2 x 0. Suficiente para nos tirar do torneio.

    Em 2006 demos o troco no Coxa. Passamos fácil pelo Rio Branco, ao vencer fora (1 x 0) e nos Aflitos (4 x 1). Enfrentamos o Coritiba, mais uma vez na Copa do Brasil, pelo segundo ano seguido e vencemos por 2 x 0 em casa, eliminando a equipe de Giovani Gionédes, ao empatar sem gols, no Couto Pereira. Então, tivemos mais um mineiro pela frente (o terceiro adversário das Minas Gerais). E, pela terceira vez ficamos no caminho. O Ipatinga venceu por 3 x 1, no Vale do Ferro e nos tirou da competição, pelo mesmo placar, nos Aflitos.

    A última que foi disputada, eliminamos o Parnahyba do Piauí, quando vencemos o adversário por 2 x 1 em sua casa, e em Recife, aplicamos 6 x 0, na 1ª fase. Na etapa seguinte passamos pelo Payssandu, perdendo para o Papão numa “Curuzu” sem a menor condição de jogo e goleamos nos Aflitos (5 x 0). Eliminamos o Corinthians, após um empate em 2 x 2 no Recife e uma vitória por 2 x 0, em São Paulo. O Figueirense, de Ruy Cabeção e Mário Sérgio nos tirou da competição, ao empatar um jogo ganho, nos Aflitos (vencíamos por 2 x 0) e nos derrotar no estreito, por 1 x 0, numa partida onde o árbitro paranaense Heber Lopes anulou 4 gols alvirrubros.

    Nesta nova competição, de 2008, passamos lotado pelo Atlético-AC, em Manaus, quando eliminamos o jogo da volta, quando sapecamos um saco de gols na equipe do norte do País (7 x 1),primeira fase. Nos complicamos em São Paulo, contra o Juventus, quando perdemos por 2 x 0 e tivemos que vencer por 3 x 0 para passarmos para a fase atual.

    Agora, mais um mineiro pela frente. Está mais que na hora de quebrarmos este “tabu” de sermos eliminados por times mineiros, da Copa do Brasil. É hora do timbu cantar mais alto que o Galo.

  6. 21/04/2008

    Ah, é Eduardo!



    Que Magrão que nada! O melhor goleiro do campeonato é Eduardo! A “prova dos nove” foi o clássico deste domingo. Os dois em campo. De um lado o rubro negro. Do outro o alvirrubro.

    Se o camisa 1 do Sport foi o grande destaque no clássico dos Aflitos, o nosso arqueiro foi o “dono do jogo”, na ilha. E, camisa por camisa, a azul do goleiro timbu é muito mais bonita que aquela vermelha e amarela do adversário.

    Eduardo já tinha sido destaque na partida contra o Salgueiro, no meio de semana. Não pelas defesas (pois não houve um chute em direção ao seu gol, naquela ocasião). Mas pela sua voluntariedade. Por ter ido a área adversária, por 03 vezes, para tentar fazer o gol, que terminou não acontecendo.

    Eduardo Allax Scherpel tem sobrenome de gringo, mas é carioca. Tem 1,93m, 87 kg e 30 anos. Começou sua carreira em 1998, na Portuguesa do Rio. Jogou no Anápolis-GO, Bangu, Atlético-MG, Portuguesa, Grêmio, Brasiliense e América.

    Quando chegou ao timbu para disputar a serie B, em 2006, para a vaga deixada pelo ídolo Nilson, a desconfiança era grande. Pairava sobre o goleiro um episódio ocorrido num clássico entre o Galo e a Raposa. Uma briga com o zagueiro Cris e uma suspensão por um longo tempo.

    Mas bastou atuar com a camisa alvirrubra que Eduardo ganhou a confiança da torcida. Com defesas importantes ajudou o Náutico a voltar para a primeira divisão e se tornou um dos heróis da campanha da serie B.

    Alguns problemas na renovação e exageros nas declarações do goleiro, fizeram que o mesmo não permanecesse no timbu, no começo do ano seguinte. Foi jogar no América, pelo estadual carioca. Mas retornou para o clube dos Aflitos, durante a disputa da primeira divisão em 2007. E reestreou longe de casa. Contra o Corinthians, numa vitória inesquecível, por 3 x 0.

    Não é do tipo que faz milagres, salvando bolas indefensáveis. Mas dificilmente é culpado pelos gols que sofre. Tem bons reflexos e uma liderança sobre o grupo. O gigante Eduardo sempre se manifesta nos vestiários, com palavras de apoio aos companheiros.

    No domingo, o goleiro defendeu um pênalti cobrado por Luizinho Neto. Uma cabeçada a queima roupa de Carlinhos Bala. Um chute de Daniel Paulista. Teve o reflexo de pegar uma bola que bateu na trave, na linha de dentro do gol e voltou para suas mãos, cabeceada por Roger (que estava impedido no momento do passe – e ninguém percebeu). Enfim. Nota 9,9 para este goleiro fantástico. Só não foi 10 porque pecou em algumas reposições de bola - o que já tinha ocorrido no clássico dos Aflitos.

    Mas o clássico não foi só Eduardo. Radamés, Ticão, Paulo Almeida, Vagner e Everaldo se não foram um primor de qualidade (e até de posicionamento em alguns momentos) mostraram muita vontade e determinação. E jogaram na disputa da bola.

    Por sinal, não discuto a expulsão de Ticão (que foi justa), mas lamento que Sandro Goiano e Carlinhos Bala não tenham tido o mesmo destino, após desferir uma cotovelada em Wellington (o primeiro) e dar uma tesoura voadora, por trás, que poderia ter quebrado a pena de Ticão (o segundo).

    Chega de falar deste campeonato. Uma competição que todos reclamaram. Até que a venceu. Se eu pudesse dar minha opinião, sugeriria que em 2009 houvessem 2 turnos. Com 2 grupos de 6 (jogos de ida e volta). O 1º de cada grupo, ao final, enfrentaria o 2º do grupo contrário. E os vencedores fariam a final do turno, em 2 jogos. Certamente seria muito mais emocionante e menos confuso.

    Agora é esquecer o estadual e dar tudo na Copa do Brasil contra o Atlético-MG, em 2 jogos dificílimos. O Galo, por sinal, terá dois jogos contra o Cruzeiro, nas finais do campeonato mineiro.

    Nesta competição poderemos contar com o que há de melhor. Ruy estará de volta ao time e Serginho deve continuar na lateral esquerda. Vagner e Everaldo terão Luizão como sombra. Ticão, Radamés e Paulo Almeida já demonstraram que têm muita garra para jogos decisivos (ou mesmo os que não valem pontos) e Alceu deve disputar uma vaga neste setor bem servido. Geraldo confirmou a artilharia. E o ataque timbu (que foi o segundo mais positivo do torneio), com a revelação do estadual, o tanque Wellington tem o reforço de Tiago.

    Se o estadual não foi agradável, pelo menos serviu para que o time comece com uma base o brasileirão e se mantenha vivo na Copa do Brasil. E se um grande time começa com um grande goleiro, já podemos ter grandes esperanças nas competições

  7. 19/04/2008

    Clássico é sempre clássico


    O Náutico vai jogar contra o Sport, na última partida deste campeonato que não deixa saudades. Um jogo para cumprir tabela. Que não vale nada. Não vale nem 03 pontos. Será? Na minha opinião não é bem assim. Náutico x Sport sempre vale alguma coisa.

    O Sport surgiu de uma dissidência de alguns alvirrubros que não concordavam com atitudes do aristocrático clube pernambucano. E para antagonizar com os antigos companheiros, o novo clube buscou o preto em contrapartida ao branco e as listras horizontais, se contrapondo as verticais do Náutico.

    Já clássico dos clássicos é um jogo disputado desde 25 de julho de 1909 – num domingo, à tarde. Um amistoso realizado no campo do Britsh Club. Vitória alvirrubra, por 3 x 1. Nascia a maior rivalidade do futebol pernambucano. Coincidentemente era a primeira vez que o Náutico disputava uma partida oficial de futebol, pois o clube dedicava-se exclusivamente ao remo. Representaram o Náutico jogadores como Cooks, Grant, King, Maunsell, Thomas – todos funcionários de companhias inglesas, em Recife.

    E a primeira vez que Náutico e Sport se enfrentaram, pelo campeonato estadual, foi num dia 21 de maio de 1916. Mais uma vitória alvirrubra: 4 x 1. Apesar do Sport ter surgido depois, o futebol é praticado pelos rubros negros há bem mais tempo que os alvirrubros.

    Por outro lado, o Náutico teve o maior prazer num dia 31 de março de 1935. Goleou sem piedade o rival, por 8 x 1, pelo estadual daquele ano (que foi conquistado pelo Santa Cruz).

    Dizer que o Náutico dificilmente vence na ilha do retiro é uma asneira. Uma sandice de quem não conhece a história desse confronto. O Náutico conquistou os campeonatos de 53, 55, 61, 64, 65 e 81, dando a volta olímpica na praça da bandeira, em 6 oportunidades – uma espécie de hexa na ilha.

    Eu mesmo vi o timbu bater o rival, na ilha em diversas ocasiões. A última delas, de forma espetacular. Vitória por 3 x 1, com gols de Gil Baiano, Kuki e Batata. Era o dia 28/03/04. A torcida leonina teve que sair de sua casa bem mais cedo para não ver os alvirrubros comemorarem mais uma vitória do título estadual daquele ano.

    Isto sem falar no gol de Adilson. Aquele do meio da rua, que levou para dentro do gol todo o orgulho rubro negro. Evidentemente, os alvirrubros festejaram muito e ainda saúdam o meio campista timbu, mesmo ele tendo deixado os Aflitos, há muito tempo.

    Me lembro de uma vitória, nos Aflitos, onde o clube vermelho e branco poderia aplicar uma goleada histórica, pelo estadual, de 2005. Maisena, desesperado, já não agüentava mais ver o clube alvirrubro em sua área. Para piorar as coisas, seus companheiros perdiam a cabeça e iam sendo expulsos de campo. Sandro, o zagueiro, foi o último e quase pedia clemência a Kuki e companheiros. Foi atendido. O placar já apontava 4 x 2 para o Náutico e o “freio de mão foi puxado” pelos alvirrubros, que se contentaram com a goleada já construída.
    Em 2006, também nos Aflitos, Adriano Magrão abriu o placar. O Sport tinha um time apontado como bem superior ao Náutico e cantavam aos quatro ventos que viriam ao Eládio de Barros Carvalho golear os donos da casa. Pois o timbu mostrou brios e empatou com o talismã Danilo Lins e virou logo em seguida, com um gol contra de Kleber, espelhando o assustado Sport, que não esperava a reação timbu. Paulo Campos vibrava e agradecia ao “Papai do Céu”, a vitória espetacular de um desacreditado Náutico.

    Ano passado, os alvirrubros estavam numa ascendente, no brasileirão. Já com Roberto Fernandes. O time todo de vermelho, com Eduardo, Sidny (depois Vagner), Toninho, Everaldo, Julio César, Daniel, Elicarlos, Geraldo, Felipe (depois Radamés), Acosta (depois Deleu) e Marcelinho jogou contra um Sport todo de preto e alinhado com Magrão, Durval, Gustavo (depois Adriano), César, Diogo, Everton, Ticão, Romerito, Dutra, Carlinho Bala e Da Silva (depois Fabinho). O técnico era Geninho. Vitória alvirrubra por 2 x 0, com dois gols do imperador Julio César. O primeiro gol, Durval se atrapalhou e permitiu que o ala alvirrubro pegasse a sobra e chutasse da entrada da área. E no segundo, o imperador foi lançado em profundidade e ganhou a corrida com Durval (que pedia para Magrão não sair da área). Na indecisão entre Durval e Magrão, Julio tocou para os fundos das redes. Um belo jogo, onde até Carlinhos Bala foi expulso, por fazer o Carlinhos Bala costuma fazer. Delírio da torcida alvirrubra.

    Aquele jogo, contra o Sport, pelo brasileiro de 2007 deu o impulso necessário ao timbu, para permanecer na primeira divisão em 2008. Na seqüência, o Náutico venceu o Atlético-PR (5 x 0), fez um jogo duro contra o Palmeiras de Valdívia, em São Paulo (1 x 2), venceu o Juventude (4 x 1), empatou com o Cruzeiro em BH (2 x 2), venceu o Corinthians (1 x 0), o América-RN (4 x 0) e o Flamengo (1 x 0), carimbando o passaporte para mais um ano de serie A.

    Por isto, Náutico x Sport nunca será um mero amistoso. Um jogo sem valer nada. Sempre significará algo. Sempre terá um sabor diferente. Se eu fosse atleta e tivesse inscrito no estadual – mesmo que não pudesse mais conquistar o título – eu gostaria de jogar contra o Sport.

    E assim acredito que será com os atletas que estão à disposição do treinador. Mesmo com um jogo importantíssimo contra o Atlético-MG, na quarta-feira, nos Aflitos, pela Copa do Brasil, penso que os atletas, como Kuki (que pediu força máxima), querem entrar em campo, para vencer. Eu entraria com André Sangalli (apenas para vê-lo em ação – pois Eduardo já mostrou que é titular, pela sua vontade e qualidade), Serginho, Vagner, Marcio Santos, Everaldo, Ticão, Paulo Almeida, Laborde, Geraldo, Wellington e Kuki. E vamos para cima. A faixa é deles, mas o carimbo é nosso!

  8. 17/04/2008

    HEXA É LUXO


    Ha muito tempo atrás, numa galáxia conhecida e não tão distante, os problemas com a grana já existiam nos lados da Conselheiro Rosa e Silva (a diferença é que todos os clubes do nordeste não tinham dinheiro, enquanto hoje, a grana é distribuida de forma desproporcional, pela entidades).

    Em 1962, o treinador Alexandre Borges (que tinha bons olhos para descobrir jovens promessas) buscou no futebol de base a saida para a crise financeira. E a base tinha Bita, Nado e Nino. E com esta base, o time saiu pelo Brasil, fazendo amistosos. A primeira cidade a ter um jogo do timbu foi Manaus. Lá Bita fez seu primeiro gol pelo time profissinal alvirrubro, quando o Náutico perdeu para o São Raimundo.
    E os jogos se seguiram, com aquele time, nas capitais do Norte/Nordeste. Contra o CSA uma goleada por 9x0, com Bita marcando 7 gols. Mas 1962 não seria o início da glória. O time ainda era muito jovem e seu maior artilheiro tinha problemas no joelho e teve que ser operado.

    Em 1963 o Náutico se sagraria campeão, iniciando a série do Hexa. Em 64, o jornalista e advogado Aramis Trindade apelidou o time de "os intocáveis", pois tornara-se campeão invicto, levantando assim, o bicampeonato. Bita brilhava como o principal artilheiro do certame, com 24 gols, com a média de 1 gol por jogo. E a sequencia de títulos se sucedeu. Com Bita fazendo gols e gols. Apenas em 67 ele não foi artilheiro, pois foi jogar no Uruguai. Mesmo assim, Miruca seria o artilheiro, no lugar do companheiro, que retornou, ainda naquele ano. O ataque das quatro letras - Nado, Bita, Nino e Lala - era infernal. E o meio de campo tinha Ivan Brondi para armar as jogadas.Bita tinha chutes certeiros e mortais que renderam o apelido de "Homem do Rifle".


    Em 16 de novembro de 1966, no Pacaembu, o Santos de Pelé tinha tudo para fazer mais uma vítima no seu caminho, da Taça Brasil. Com Gilmar, Carlos Alberto, Mauro, Calvet, Zito, Mengálvio, Pelé, Dorval, Coutinho e Pepe teria pela frente o Clube Náutico Capibaribe. E para piorar, o Santos tinha vencido a primeira partida, na Ilha do Retiro.


    Bastou o apito inicial, entretanto, para que o time alvirrubro mostrasse sua categoria. 5x3, para o timbu, num jogo simplesmente fantático - talvez a melhor exibição de uma equipe vestindo a camisa vermelha e branca. Bita marcou 4 vezes em cima de Gilmar. E a imprensa nacional deu manchete ao incrível time de Recife.

    E assim seguiu este time. Com Lasalvia. Com Nino, Lula, Lala, Ivan e Clóvis, num sexteto que participou de todas as campanhas do hexacampeonato conquistado pelos alvirrubros, de 63 a 68. E, principalmente com Bita, o maior artilheiro da história do Clube Náutico Capibaribe.

    HEXA É LUXO!!

  9. 15/04/2008

    Para relaxar

    Se o Sport já é o campeão pernambucano, então, vamos jogar bola. Fazer a bola rolar. Fazer gols – o máximo possível.

    Temos 02 jogadores brigando pela artilharia. Geraldo com 13 e Wellington com 12 têm a chance de disputar (na boa) o título de artilheiro da competição, contra o Salgueiro. Então que busquem o gol.

    E se Wellington já é a revelação do campeonato, com uma incrível média de mais de 1 gol por jogo, Geraldo pode ser o goleador máximo do certame e, se jogar muita bola nestas duas partidas que restam, também pode disputar o troféu de craque do campeonato.

    Por outro lado, também podemos dar a chance ao nosso grande artilheiro deste século, Kuki, tentar chegar mais próximo de Bita, como um dos maiores goleadores da história do Náutico. Já que Felipe não está chutando para o gol, então, que o baixinho possa ter a oportunidade de marcar e superar sua meta pessoal.

    E nada melhor que este jogo contra o Salgueiro.

    O carcará foi um dos maiores responsáveis pelo possível título rubro negro. Sim, pois sem os 16 pontos que o Sport conquistou em cima do Salgueiro, aquele estaria atrás do Náutico na tabela. E mais, se o Salgueiro não tivesse vencido o Náutico, no famoso jogo da água, que continuou com 36 minutos (que mais pareciam 5), o timbu ainda estaria na briga pelo título.

    Paciência.

    O que vale é que iremos jogar contra o time de Batata, Maurílio e cia. E que é um jogo sem stress. Para relaxar e tentar não apenas a vitória, mas jogar para a torcida, na provável despedida dos Aflitos, neste estadual.

    Se eu fosse Roberto Fernandes escalaria o time com André Sangalli (só para ver ele atuar), Serginho, Vagner, Everaldo, Berg (vamos dar uma chance ao garoto), Ticão, Radamés, Marcelinho, Geraldo, Kuki e Wellington. E botava o time para cima. Pressão. Se fizer 1 x 0, continuar tentando até fazer 2, 3, 4, 5, 6, 7....

    Vamos pra cima. Jogar bonito. Fazer gols. Fazer o artilheiro (ou apenas confirmar). Fazer o “craque”. Fazer história.

    E a torcida deve comparecer, pois não pode perder uma rara oportunidade desta, de ver o time jogar para a torcida. Sem stress.

  10. 14/04/2008

    O sonho impossível




    “Sonhar mais um sonho impossível
    Lutar quando é fácil ceder
    Vencer o inimigo invencível
    Negar quando a regra é vender
    Sofrer a tortura implacável
    Romper a incabível prisão
    Voar num limite provável
    Tocar o inacessível chão
    É minha lei, é minha questão
    Virar este mundo, cravar este chão
    Não me importa saber
    Se é terrível demais
    Quantas guerras terei que vencer
    Por um pouco de paz
    E amanhã este chão que eu deixei
    Por meu leito e perdão
    Por saber que valeu
    Delirar e morrer de paixão
    E assim, seja lá como for
    Vai ter fim a infinita aflição
    E o mundo vai ver uma flor”

    A canção de Maria Betânia/Chico Buarque bem que poderia servir de inspiração para o Náutico nestas duas últimas partidas do turno.

    Mas devo confessar que o sonho é impossível mesmo. Já era difícil depender dos outros e, agora, depender de uma vitória do Central, contra o Sport, na ilha, para poder chegar com chances no último jogo, contra o mesmo Sport, também na ilha, é complicado.

    Principalmente quando o retrospecto dos rubros negros é de 100% em sua casa e, também, contra o próprio Central, na atual competição.

    Evidentemente, ainda sonharei até exauri os 90 minutos do jogo entre patativa e leão. Mas, convenhamos, é um sonho impossível, como diz a letra da música. E nessa nós dançamos.

    E a dança não foi apenas em Caruaru (quando perdemos 5 dos 6 pontos disputados, nos 2 últimos jogos), mas ao longo de toda a competição.

    O Náutico perdeu pontos para intermediários e pequenos, como o Salgueiro (3 em 3 disputados), para o Serrano (3 em 12 disputados), Ypiranga (3 em 6 disputados), para o Central (2 em 6 disputados), para o Centro (3 em 12 disputados) e para o Porto (2 em 6 disputados). Perdeu 3 para o Sport, no único clássico disputado até aqui. Só não perdeu pontos para o Petrolina e para o Sete de Setembro, quando conseguiu 2 vitórias.
    Perdeu para Salgueiro, Serrano, Ypiranga, Centro e Sport. E empatou com o Porto e Central. Só não perdeu para o mesmo Porto, Central, Petrolina e Sete e para Vera Cruz e Santa Cruz (que não enfrentou).

    Sua defesa foi vazada por Serrano (5 gols), Centro (4 gols), Porto (1 gol), Sete (1 gol), Petrolina (1 gol), Ypiranga (4 gols), Sport (1 gol), Salgueiro (1 gol) e Central (1 gol), ou seja, todos os adversários que enfrentou na competição fizeram gols no Náutico.

    Tudo bem que sofreram muitos gols do Náutico (Serrano, 12; Centro, 11; Porto, 2; Sete, 4; Petrolina, 7; Central 4 e Ypiranga, 8), mas nem Sport e nem Salgueiro (os dois últimos adversários do turno) sofreram gols do ataque alvirrubro.

    Um ataque que tem sido arrasador, com goleadas fantásticas (6x 1 Ypiranga; 5 x 1 Serrano; 5 x 0 Petrolina; 4 x 0 Centro e 5 x 2 Serrano), mas que não conseguiu ser eficiente em pelo menos 4 jogos fundamentais (que teve chance para isto): contra o Porto, Sport, Salgueiro e Central.

    E são, justamente estes jogos que poderão ter sido decisivos para o campeonato. Pois, se o Central não vencer o Sport na ilha e/ou o Náutico não vencer seus 2 jogos, certamente, o time rubro negro dará a volta olímpica graças a ineficiência do arrasador ataque timbu, nestas partidas pontuais.

    Mas, como diz a letra:

    “Sonhar mais um sonho impossível
    Lutar quando é fácil ceder
    Vencer o inimigo invencível”

Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).

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