Páscoa, ressurreição e dilúvio
Parecia um domingo bíblico. Tudo bem que com algumas alterações na ordem de leitura litúrgica, dos livros. Mas, ainda assim, cheio de citações as passagens contadas no maior de todos os livros.
Num domingo de Páscoa, onde se celebrava a ressurreição de Jesus Cristo, o Padre Eduardo falava aos fieis, vestindo uma camisa encarnada e branca, sob a túnica branca, com um pano vermelho, envolvendo o pescoço.
Era manhã de domingo, no sertão. E nem parecia ser sertão. Mal dava para identificar naquela região, qualquer clima sertanejo. O movimento de carros na estrada. O movimento de gente na cidade. O ônibus parado em frente ao hotel, de Serra Talhada, com uma pessoa vestindo uma calça vermelha e uma camisa da comissão técnica, calvo. Falando ao celular, foi visto por viajantes, que vinham de romaria a Juazeiro do Norte, no Ceará. O velho torcedor, de passagem, pelo sertão, acenou para um dos atletas e desejou boa sorte. E feliz Páscoa ao time.
E se Páscoa é ressurreição, nada mais propício à equipe de Roberto Fernandes, na competição. Sem poder contar com Ticão (suspenso pelo terceiro cartão amarelo) e Geraldo (contundido), fomos para Serra Talhada com Eduardo, Serginho, Everaldo, Vagner (que voltou ao time, depois de ficar de fora, no jogo pela Copa do Brasil), Berg, Paulo Almeida, Radamés, Alex Sandro, Marcelinho, Wellington e a volta de Felipe.
Deu certo. Logo aos 11 minutos, Vagner pegou a sobra, de uma cobrança de escanteio e empurrou para marcar o primeiro gol da partida. O Náutico passou a jogar mais tranqüilo. E logo chegou ao segundo gol. Com Marcelinho.
A notícia, vinda do litoral, animava os que estavam no sertão. O Sport perdia para o Ypiranga e a distância entre o leão e o timbu, na tabela, passava ser apenas 3 pontos, naquele momento. Era o renascimento do alvirrubro no torneio. E o que era melhor, dava ao time de Glauber, Liginha e Gil, a chance de depender tão somente de suas próprias forças.
Todavia, o Náutico não é nenhum messias. E logo, teve de volta a cruz da distância de 6 pontos, quando o Sport virou o jogo, em Recife. A cruz é pesada e continuamos dependemos da ajuda dos outros para carregá-la.
Talvez por isto, o céu desabou no sertão. E não deu tempo de reunir os animais na arca. Menos mal que são poucos os bichos que subiram no meio de transporte hexagonal, como o próprio timbu, o leão, o carcará, a patativa, o jumento e a máquina de costura.
A chuva torrencial nunca vista na região fazia a bola boiar no gramado e o futebol desaparecer submerso. Com tempo suficiente para ser encerrada a partida, por total falta de condições de jogo e até, risco de vida aos atletas – raios e trovões anunciavam o perigo eminente, o árbitro insistia, temeroso, em chegar aos 45 minutos derradeiros.
Uma temeridade.
Com mais de 85 minutos disputados, foi preciso que Roberto Fernandes fosse até seu ouvido, clamar pelo bom senso. A integridade física dos profissionais (inclusive da imprensa – que estavam sujeitos a choques elétricos) deveria falar mais alto, aquela altura. Mas, somente no minuto derradeiro, soou o apito final.
O sertão (quase) virou mar, como diria o poeta.
E só podia. Num domingo de Páscoa, onde se presenciou a ressurreição do Náutico, de volta à competição, o dilúvio lavou a alma da torcida alvirrubra e varreu para longe a falta de fé na equipe. Só faltou chocolate.
Ate porque, longe, se pode ver que Daniel, mesmo na cova dos Leões, encontrar dificuldades para seguir em frente – se antevendo a possibilidade de perder pontos, no mesmo sertão, que hoje é navegado pelo clube Náutico. Por que não?
Como vai terminar esta estória? Ninguém sabe. Mas fica a torcida para que a trajetória alvirrubra seja traçada com ressurreição e ascensão, como no Evangelho de Jesus Cristo. Só não pode terminar como no último livro bíblico: o Apocalipse.
Morte e (depois) vida (nada) severina
Neste domingo, o Náutico irá jogar no sertão pernambucano, numa partida de vida ou morte para suas pretensões no campeonato. Nos textos da obra prima de João Cabral de Melo Neto se pode interpretar a situação atual do Náutico, na competição. E é este exercício literário que faremos a seguir:
“Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).”
Interpretação para a situação do campeonato: Desde que o Náutico foi jogar fora de casa no segundo turno, só derrota sofreu. E às vezes, até quando houve festa (como no clássico) tem encontrado a derrota, quando pensava encontrar a vitória. E, quando não foi derrota, o futebol das vitórias não foi nenhum espetáculo.
”Penso agora: mas por que
parar aqui eu não podia
e como Capibaribe
interromper minha linha?
ao menos até que as águas
de uma próxima invernia
me levem direto ao mar
ao refazer sua rotina?”
Interpretação: É o pensamento de todos: Não dá para desistir. Não somos apenas o Capibaribe e sim Clube Náutico. E vamos voltar para a capital, ao refazer nossa rotina de vitórias, pois a má fase é passageira, como uma estação do tempo.
”Na verdade, por uns tempos,
parar aqui eu bem podia
e retomar a viagem
quando vencesse a fadiga.
Ou será que aqui cortando
agora minha descida
já não poderei seguir
nunca mais em minha vida?
(será que a água destes poços
é toda aqui consumida
pelas roças, pelos bichos,
pelo sol com suas línguas?
será que quando chegar
o rio da nova invernia
um resto de água no antigo
sobrará nos poços ainda?)”
Interpretação: Na verdade poderíamos deixar o campeonato no sertão. Mas se isto acontecer não estaremos honrando a nossa história. Será que vamos ter forças para reencontrar a vitória? Será que quando chegarem os reforços, ainda teremos a confiança naqueles que aqui estão?
“Mas isso depois verei:
tempo há para que decida
primeiro é preciso achar
um trabalho de que viva.
Vejo uma mulher na janela,
ali, que se não é rica,
parece remediada
ou dona de sua vida:
vou saber se de trabalho
poderá me dar notícia”
Interpretação: Mas só depois que brigar pela vitória é que veremos. Primeiro é preciso vencer. E para que haja vitória é preciso trabalho e adversário a ser derrotado. E isto há no sertão, onde a torcida, da janela da TV, acompanhará o seu time reviver no sertão e crescer no mar, ao retornar dele.
Qual o time ideal, para colocar em campo?
Julio César, Leonardo Moura, Breno, Lucio, Kleber, Hernandes, Richarlyson, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Dodô e Robinho? Talvez seja, mas este time custa muiiiiiiito caro. Não dá para contratar nem mesmo 1 dos 11 atletas citados.
Então vamos com Eduardo, Serginho, Vagner, Everaldo, Berg, Ticão, Radamés, Marcelinho, Geraldo, Wellington e Felipe. Esta parece ser a escalação ideal para o nosso elenco, dentro de nossas possibilidades financeiras, para contratação – lembrando sempre que a cota destinada ao Náutico é uma das menores, dentre os maiores clubes do Brasil e que, sequer estamos com ela à disposição (pois a diretoria ainda discute a sua majoração).
No entanto, o técnico Roberto Fernandes não escalou este que, na teoria, seria o time ideal, para começar jogando. Quais os motivos do excelente treinador não ter o mesmo pensamento do torcedor, afinal? Num exercício de raciocínio, é fácil se pensar na escalação que o comandante alvirrubro chegou.
No lugar de Vagner, entrou Onildo. Substituição forçada, pela contusão do zagueiro titular indiscutível. As opções seriam o próprio garoto Onildo, ou o zagueiro Marcio Santos. Este segundo ainda não se mostrou à vontade na posição e a preferência pelo jovem talento da divisão de base alvirrubra foi a opção certa do treinador. Indiscutível.
Em vez de Berg, o lateral esquerdo foi Alessandro. Numa posição onde até a seleção brasileira é carente, o Náutico não é exceção. O próprio rival no Estado não possui jogadores de qualidade no setor. Para piorar, quando aparece alguém, com qualidade, como Julio César, logo é valorizado e o orçamento alvirrubro não comporta a competição com outros clubes, com maior poder aquisitivo. Resultado: carência no setor, de jogadores que possam ir até a linha de fundo e fazer a função de ajudar o ataque. Lembrando sempre que nem mesmo Julio César era perfeito neste fundamento. E não é porque ele foi embora que virou o melhor do mundo.
Radamés avançado, ao lado de Geraldo e Paulo Almeida, em seu lugar, junto de Ticão, em vez de Marcelinho. Uma opção polêmica, pois, a princípio sacrificaria o craque do time e armador das jogadas alvirrubras: Geraldo. Contudo, ficou clara a correção da opção do treinador por esta armação, quando, ao substituir Paulo Almeida por Marcelinho, no intervalo do jogo, em Santa Bárbara, o time não rendeu o mesmo dos minutos finais do primeiro tempo. O bom jogador Marcelinho não está inspirado e, ao contrário do que se esperava dele, o time nem melhorou na criação e perdeu poder na marcação.
Por fim, a opção por Warley, no lugar de Felipe. Mais uma opção forçada, por conta da contusão do gaúcho. O experiente atacante Warley parecer ser a opção mais lógica, pois vem fazendo gols no estadual (tem 6) e é o vice-artilheiro timbu, ao lado do tanque Wellington. Além do que, ele tem a confiança do treinador, que o trouxe do Brasiliense. A experiência de ter sido campeão da Copa do Brasil. Poderia optar por Kuki, que dá mais movimentação – mas não agüenta o mesmo ritmo os 90 minutos e não tem mais o mesmo tempo de gol, ou Laborde.
Com relação ao excelente colombiano, o grande problema é a sua qualidade de finalização. Como atacante, o garoto perde muito pois não tem faro de gol. Seus chutes precisam ser lapidados, com muito treinamento. Além do que, ele não tem disciplina tática. Então Warley torna-se uma aposta compreensível – até porque ele tem qualidade e vinha fazendo gols.
Dito tudo isto, é perfeitamente compreensível que as opções do treinador tenham sido aquelas. Não vejo, portanto, como “birra” ou invenção a escalação utilizada, no início do jogo, contra o Juventus. Roberto Fernandes é inteligente e já provou a todos a sua capacidade. Já tirou “leite de pedra” no ano passado e conseguiu o que muitos achavam impossível, com um elenco inferior.
No jogo desta quarta-feira, pela Copa do Brasil, o time não jogou bem. Mas poderia ter tido uma melhor sorte. Por erros individuais e de posicionamento (mais uma vez) sofreu dois gols que poderiam ter sido evitados. E o que é pior: não fez nenhum – que poderia dar maior tranqüilidade, para o jogo da volta – porque não encontrou espaços para finalizar. E quando o fez, esbarrou na afobação do próprio time ou na boa atuação do goleiro Marcelo.
O time é esse. E não é um time fraco. Tem bons atletas. Jogadores de grande qualidade técnica. Eduardo é um excelente goleiro. Já demonstrou isto. Serginho tem na velocidade a sua melhor característica. Só não é um Sidny, que fazia gols. Mas, se lembrem que o atleta de Xique-Xique também não cruzava com perfeição. Vagner e Everaldo são ótimos zagueiros e quando jogam juntos há um bom entrosamento. Os volantes são até melhores que os que aqui estavam no passado. Ticão, Radamés e Paulo Almeida podem fazer um revezamento entre eles e a qualidade se mantém. Geraldo e Marcelinho são dois excelentes armadores. E o camisa 10 tornou-se artilheiro. E os atacantes fazem o que se espera de um atacante: gols. Wellington e Warley com 6 gols cada um, no estadual. Além de Kuki e Felipe, Laborde, Danilo Lins e Helton. Todos jogadores de qualidade comprovada.
Este é o nosso elenco. É com ele que vamos disputar a competição. Temos que apoiar sempre. Valorizar nossos atletas. Afinal, em outros clubes tem torcedores que enaltecem seus atletas, mesmo quando eles perdem gol, cara a cara com o goleiro, por que nós, alvirrubros, não podemos “levantar a bola” dos nossos representantes no gramado? Afinal, quem está em campo não é simplesmente Warley ou Alessandro. É algo muito maior. É o Clube Náutico Capibaribe.
Uma tradição alvirrubra
Antes da Copa do Brasil, existiu um torneio similar (com status de primeira divisão do campeonato brasileiro). Este se chamava Taça do Brasil.
Pois bem. Neste tipo de competição, eliminatório, o Clube Náutico Capibaribe se houve muito bem.
Em 1965, chegou a semifinal contra o Vasco. Empatou o primeiro jogo em 2 x 2 e perdeu a vaga para a final, contra o Santos, de Pelé, por apenas 1 x 0. A equipe alvirrubra terminou com o artilheiro da competição: Bita, com 09 gols marcados.
Já no ano seguinte, mais uma vez, chegou no mesmo patamar, ao eliminar o Palmeiras, de Ademir da Guia, nas quartas de final, após 02 empates sem gols e um 3 x 0, numa terceira partida. Nas semifinais, venceu o poderoso Santos, de Pelé, Coutinho e Pepe, por 5 x 3, em um jogo e perdeu, no outro, por 2 x 0.
Se a competição, naquela época fosse nos mesmos moldes atuais, o timbu teria ido para a final, contra o Cruzeiro. Mas não era e foi obrigado a fazer um terceiro jogo, quando foi eliminado pelo Peixe. Contudo, Bita, mais uma vez, foi artilheiro do torneio, com 10 gols.
Finalmente, em 1967, a equipe alvirrubra conseguiu chegar na final. Contra o Palmeiras. Perdeu em Recife (1 x 3, na ilha do Retiro) e venceu em São Paulo (2 x 1). Foi decidir no Maracanã. E perdeu o título (0 x 2). Uma equipe com Bita, Lala, Nado, Salomão, Gena, Lula, Miruca, Ivan, Paulo, Clóvis, Fraga, Nino. Um timaço.
E fomos para a Taça Libertadores da América!
Era o ano de 1968.
Perdemos na estréia, em Recife, para o Palmeiras (1 x 3), empatamos em Caracas, contra o Desportivo Português (1 x 1) e perdemos, também em Caracas, para o Desportivo Galícia (1 x 2). Já em Recife, vencemos as duas partidas contra os venezuelanos por 1 x 0 e 3 x 2 e terminamos a participação, ao empatar com o Palmeiras, em São Paulo (0 x 0). O time paulista foi o único classificado para a fase seguinte e o Náutico perdeu os pontos por causa de irregularidades, ao substituir um número irregular de jogadores.
A Taça do Brasil foi extinta em 1967 e recriada, em 1989, como Copa do Brasil.
Logo no ano seguinte, chegamos as semifinais, contra o Flamengo. Empatamos em Recife e perdemos no Rio. Tivemos o ataque mais positivo e o artilheiro da competição: Bizu.
Enfim, é o tipo de competição que o Náutico demonstra ter história. E pode, por que não, chegar bem longe.
Essa história começa a ser recontada, justamente, em São Paulo, contra o Juventus.
Domingo que erramos
Pela manhã, a Av. Conselheiro Rosa e Silva recebia dezenas de fieis, numa louvação a Jesus, quando de sua chegada a Jerusalém, no domingo, que abria a semana de Páscoa. Recebido por ramos de Palmeira, a ocasião ficou conhecida como domingo de ramos. Os devotos entoavam canticos religiosos, saudando a passagem do Senhor. Neste mesmo domingo, centenas de torcedores, na mesma avenida, saudavam o primeiro clássico, no campeonato - como uma salvação do certame. E entoavam canções de amor a seus clubes.
Mas o calvário alvirrubro começou bem mais cedo que o do Salvador, na Galiléia. Com 15 minutos de jogo, numa jogada manjada da equipe rubro negra. Uma falta cobrada por Luizinho Neto, lançada na área. No bolo de jogadores.
Todos que vêem os gols do Sport sabem que, ou alguém mete o pé ou a cabeça ou então pega o rebote da defesa contrária. Foi justamente o que aconteceu. O Náutico deu rebote para dentro da área e um bolo de rubros negros ficou de frente para o gol, na pequena área. Ficou fácil para Durval escolher o canto e abrir (e fechar) o placar.
Seria o segundo erro do Náutico.
Sim, porque o primeiro foi ter entrado com Alessandro, no lugar de Berg. O lateral esquerdo nada produziu. E era um verdadeiro corredor para os ataques ex-adversos. Tudo bem que Berg vinha fazendo partidas irregulares, mas o novo titular vinha de uma cirurgia e não deveria ter entrado de frente.
Alguns torcedores apontam outro equivoco, na escalação de Warley. Achavam que Laborde deveria ter entrado ao lado de Wellington, desde o começo do jogo. De fato, quando o colombiano entrou, o timbu cresceu e foi para cima do leão. Mas o garoto não tem muita disciplina tática e talvez Roberto Fernandes tenha achando que deveria estudar o jogo, antes de lança-lo em campo.
Outros cobravam a presença de Marcelinho, no meio de campo. Ocorre que o meia foi muito mal contra o Ypiranga (e ninguém viu isto – pois o jogo não foi televisionado) e o técnico ficou receoso em por dois meias ofensivos, contra o Sport (líder do campeonato). Afinal, se com 03 volantes e 02 zagueiros, ainda demos espaços, era provável que com Marcelinho os adversários tivessem mais liberdade.
Espaço. Posicionamento. Posso estar errado, mas, acho que o Sport ganhou o jogo neste quesito. Sempre havia um jogador do time de Nelsinho bem posicionado. Em qualquer situação. Seja na marcação da saída de bola (onde quase ampliou o placar – quando Eduardo repôs algumas bolas de forma errada e teve que se superar para defender chutes a queima roupa), seja nos contra ataques. Sempre havia algum rubro negro na “segunda bola”.
Por fim, erramos muito nas finalizações. Tudo bem que a competência (e principalmente a sorte - e muita) de Magrão foram fundamentais, em pelo menos 03 lances capitais. Uma bola na trave. E 02 defesas, onde o goleiro do Sport tirou a bola de dentro do seu gol. Por estes lances, pode-se dizer que o resultado foi injusto.
Ao final do jogo, a torcida pegou o treinador para Cristo e queria crucifica-lo, antes mesmo da sexta-feira santa. Ao coro de “burro”, creditou-lhe a derrota. Não acho que tenha sido responsável direto, como já expus. Mas, certamente, teve sua parcela de culpa para a perda do jogo. Assim como todos tiveram – inclusive eu, como torcedor, que não encontrei animo para incentivar o time. Mesmo quando quase chegamos ao gol adversário.
Iniciada a semana santa, alguns falam que somente um milagre fará o Náutico ressuscitar para o campeonato. De fato, a situação do timbu na competição ficou difícil, pois, como no primeiro turno, ficamos a depender do outros (e isto não aconteceu naquela oportunidade). Evidentemente, temos que vencer todos os nossos 07 jogos (inclusive contra o Sport, na ilha) e torcer por uma derrota (ou dois empates) dos rubros negros, nos seus outros jogos.
Contudo, considerando que o Sport perdeu para o Serrano, no primeiro turno e empatou com o Sete de Setembro e Salgueiro, não será necessário um milagre para isto ocorre novamente. O grande problema é que não podemos tropeçar nas nossas próprias pernas.
Uma coisa é certa. Ao contrário de Pedro, que negou Jesus, eu nunca irei negar ser discípulo alvirrubro. Independentemente de qualquer coisa, estarei acompanhando o meu time, onde quer que ele esteja. Nos acertos ou nos erros. Num domingo de ramos, num domingo que erramos. Na quarta ou no sábado de aleluia.
Vamos em frente. Torcendo e secando, como foi ao longo de todo o primeiro turno. Quem sabe se, ao final, chegaremos precisando apenas da vitória, na ilha, para levantar a segunda fatia do bolo? Quantas vezes já não fizemos a festa, naquele estádio?
Com fé em Deus, podemos chegar onde quisermos. Com Ele no coração e acreditando nisto e no Náutico, vamos colecionando vitórias (algumas com chocolate – provavelmente), e fazer do último jogo, na ilha, um domingo de Páscoa, com a ressurreição alvirrubra na competição e a conquista do turno.
NÁUTICO, ACIMA DE TUDO!
Da união de duas cores mágicas,
Nasceu a força e a garra
Vermelho de luta
Branco de Paz
Quem olha, não esquece, jamais
Da união de sete letras mágicas
N-A-U-T-I-C-O
Nasceu um time que encanta
Que manda e desmanda
Que faz o nosso carnaval
Náutico, teu caminho é de luz
Tua força, tua garra
Fascina e seduz
No meu coração
Brotou o esplendor
Te adorar com emoção
No meu coração
Brotou o esplendor
De te adorar com muito amor
N-A-U-T-I-C-O
N-A-U-T-I-C-O
N-A-U-T-I-C-O
NÁUTICO
NÁUTICO
NÁUTICO
Radio gaga
Meu amigo Marcio me ligou de Santa Cruz do Capibaribe, para avisar que o jogo iria começar. Sem ter como ir para a cidade da Sulanca e sem poder ver pela TV (pois o jogo não seria transmitido), liguei o rádio.
Mas as palavras de Márcio preocuparam. “Perdemos a preliminar e o gramado está muito molhado, por causa da chuva, que só parou agora”, alertou o advogado de Tabira.
Sábio Marcio. Com menos de um minuto de jogo, o gramado prendeu os nossos zagueiros Everaldo e Marcio Santos no chão e sofremos o gol que ditaria o destino da partida. Com aquele tento, o time perdeu o rumo e cedeu o segundo, com menos de 10 minutos de bola rolando.
Sem Geraldo e Vagner suspensos. Sem Felipe, Serginho e Ticão machucados, entramos desfalcados num jogo contra uma equipe que ocupa o melhor posto, dentre todas as demais. Atrás apenas do Sport e do Náutico, na pontuação geral.
Uma equipe que está invicta desde a primeira fase do primeiro turno e que só perdeu uma vez para o Santa Cruz – apesar de ter jogado 04 vezes contra o tricolor pernambucano.
O rádio se perdia na sintonia e só tocava a música “festa do interior”, na voz de Gal Costa, por mais que eu mudasse o dial.
Os dois gols de Radamés, de pênalti, serviram apenas para mostrar que o jogo não foi fácil para o Ypiranga. E que Rogério (goleiro do time local) teve uma atuação impecável, praticando defesas dignas de prêmios extras.
E se o timbu tinha a dupla WW (Warley e Wellington), o Ypiranga tinha um W infernal, na figura de Wilson Surubim. Era noite do antigo atleta alvirrubro. E não era noite dos atacantes do Náutico. O Tanque passou em branco, pela primeira vez, desde que chegou nos Aflitos.
A musica de Gal Costa só passou quando começaram a transmitir pelo rádio, o jogo de Caruaru.
Sem ver a partida de Santa Cruz, não tenho receio em dizer que o Náutico irá jogar o “jogo da vida” contra o Sport, no domingo. E irá vencer. Com apoio da torcida, vamos manter a escrita do caldeirão.
E, detalhe: vencendo o Sport, assumiremos o primeiro lugar. E, enquanto o time de Nelsinho ainda terá que ir para a terra da Sulanca, nos já estivemos por lá.
Assim, vamos aos Aflitos e vamos empurrar Geraldo, Ticão e cia para cima dos adversários. Vencer e depois, seguir no campeonato, somando pontos para, ao final, comemorar o título.
A esta altura, já desliguei meu rádio, pois vou ver o jogo ao vivo, no próximo domingo.
O encontro dos rios.
Nesta quarta-feira, em Santa Cruz do Capibaribe, o Ypiranga recebe o Náutico. O verdadeiro encontro dos rios. Às margens do Ypiranga, o Náutico Capibaribe. E não é que a cidade leva o rio do Recife até Santa Cruz? Ou não se chama esta, de Capibaribe?
Rios e afluentes à parte, pelo que pude sentir, o Náutico respeita a equipe de Santa Cruz do Capibaribe. E não é para menos. O time do Ypiranga tem a terceira melhor campanha, dentre os 12 participantes do campeonato estadual.
Com 22 pontos ganhos, o time da terra da sulanca, venceu 6 vezes e só perdeu uma partida a mais que o Náutico. Ao todo, foram 3 derrotas. Sendo 2 vezes para o Petrolina e 1 para o Santa Cruz – todas na primeira fase.
A “Máquina de costura” (como é conhecida) está invicta há 8 jogos no estadual. E já venceu o Santa Cruz duas vezes, em casa, empatando no Arruda, no último encontro entre as duas equipes. E só perdeu para o tricolor, por causa de um lance duvidoso, logo na abertura da competição.
Não perdeu para o Central, em dois encontros. 3 x 3 e 0 x 0. Tem o terceiro melhor ataque (21 gols) e um dos artilheiros da competição: Edmundo.
Portanto, de nada adiante pensar no Sport, sem antes, passar pelo Ypiranga. E navegar sobre suas águas tortuosas e bem compactas. Se o Central tinha a fama de ser o time mais bem armado do interior, o time azul e branco, do Agreste não precisa desta fama e faz dos seus números o handicap para ser um difícil compromisso para o timbu.
O Náutico tem de volta Radamés e Warley, mas perde Geraldo e Vagner. E continua sem Felipe e Serginho – ambos machucados. Porém, pode contar com Paulo Almeida – poupando Ticão (que sentiu o ombro).
Assim, o alvirrubro poderá entrar em campo com Eduardo, Rafael, Marcio Santos, Everaldo, Berg, Paulo Almeida, Radamés, Marcelinho, Warley, Wellington e Kuki, numa formação mais ofensiva ou com Eduardo, Rafael, Onildo, Marcio Santos, Everaldo, Berg, Paulo Almeida, Radamés, Marcelinho, Warley e Kuki (ou Wellington), numa situação mais precavida.
O fato é que o time de Roberto Fernandes tem todas as condições de passar pela difícil equipe do Ypiranga. Com todo respeito e com muita determinação. Só assim se pode chegar em algum lugar. Mas ciente de sua força e buscando a vitória, independente do campo.
Neste encontro dos rios, onde o Capibaribe prevalece no nome do visitante e na cidade visitada, a capital, com seu mar irá desemborcar no agreste, fazendo a torcida alvirrubra transbordar de alegria.
Tanque de guerra!!
“O Náutico só jogou contra equipes fracas”. Esta era a frase dos adversários. O jogo contra o Central era apontado como o “grande teste” do time de Roberto Fernandes na competição. Num campeonato onde não existiu confronto direto, durante todo o primeiro turno, os parâmetros eram os jogos contra Serrano e Sete de Setembro. E o Náutico tinha somado 09 pontos contra 07 do Sport, contra os adversários comuns aos dois.
Mesmo assim, a frase supra era repetida pelos teimosos. Então ta bom. Vamos ao jogo contra o Central – levando em consideração que o time da ilha venceu a equipe patativa, de Caruaru, em casa, no maior sufoco, por 3 x 2, com um gol nos acréscimos.
O Náutico jogou contra o mesmo Central, que vinha invicto há 10 jogos. Que acabou de se classificar, para jogar a segunda fase, da Copa do Brasil, após vencer, em Belém, o Remo. O Central de Leonardo e cia. De Fábio Silva e Cláudio. De Edu Chiquita.
E o Náutico não tomou conhecimento do time centralino. Venceu na hora e como quis. Com um tanque em campo, atropelou a patativa, como se fosse um trem passando a toda, na estação central.
O garoto Wellington vem se constituindo na revelação do campeonato pernambucano. Chegou em Recife, depois de uma ida do presidente Maurício Cardoso a Porto Alegre, numa indicação de Marcelo Sangaletti.
O “Tanque” fez 06 gols pelo estadual, em 5 jogos disputados. E 7 gols, em 6 jogados (incluído a Copa do Brasil). Tem uma incrível média de mais de um gol por jogo e se constitui numa grande promessa para a serie A, até porque só tem 19 anos.
Com 02 gols no jogo, Wellington arrumou uma excelente “dor de cabeça” para o técnico Roberto Fernandes. As opções para o ataque são espetaculares na equipe timbu. O próprio “Tanque”, Warley, Kuki, Felipe, além dos jovens Laborde e Danilo.
Mas não foi apenas o garoto que brilhou contra o Central.
Marcelinho se mostra cada vez mais uma ótima opção para armar as jogadas do timbu. E ainda fez um belo gol. Ticão e Paulo Almeida deram uma grande tranqüilidade ao desarmarem 99% das jogadas centralinas. E mesmo desfalcado de Radamés, o time manteve a força da melhor defesa do campeonato (que só levou 2 gols nos últimos 7 jogos pelo estadual).
Com Rafael jogando na lateral direita e, confundindo a todos quando caia pela esquerda, ao lado de Berg. Com Everaldo dando uma de lateral, quando subia com a bola dominada. Com Vagner (e seu novo penteado) subindo perigosamente a cada cobrança de escanteio ou faltas. E com Geraldo e Kuki tabelando. O baixinho não teve uma grande jornada, mas foi fundamental no gol que abriu o placar, ao escorar a bola para Wellington chutar de forma indefensável (como uma bala de canhão).
Laborde entrou no lugar de Kuki e mostrou qualidade. Foi cassado pela defesa do Central e terminou o jogo com a boca inchada, com a pancada que levou, num lance que ficou barato para o defensor alvinegro. O que deixou transparecer é que o colombiano é ótimo na velocidade e no controle de bola, mas peca na finalização e no toque – apesar de ter dado uma excelente bola para o segundo gol do “Tanque”.
Pois bem. O Náutico venceu o Central de forma convincente. 3 x 0! E cabia mais. Enquanto isto, outros tiveram enormes dificuldades para bater a mesma equipe. Não dá para comparar. Cada jogo é um jogo. Só o confronto direto poderá tirar a teima.
Se depender da torcida alvirrubra, que entoou no caldeirão, esta hora vai chegar....até porque já temos um tanque de guerra.
Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).