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  1. 18/02/2008

    O tanque e o exército



    Quando Warley pisou o campo do estádio da bela cidade de Petrolina, com a camisa 18, e o garoto Wellington com a camisa 9, passou pela minha cabeça uma frase dita pelo técnico Roberto Fernandes, no jogo Centro Limoeirense x Náutico. Ele disse: “Se o Wellington estivesse regularizado, Warley não jogaria”.

    Qual a razão disto? Simples. O campo. O experiente atacante tem uma característica muito técnica. E o gramado de Limoeiro não oferecia condições de bom desenvolvimento de futebol bem jogado. Era o ideal para um atacante de área. Daqueles que são bons na cabeça e na força. Assim como Wellington.

    Por isto, ao jogar no campo do adversário sertanejo, a opção pelo jovem grandalhão gaúcho, ficou evidente que o Náutico iria buscar o gol na base da força. A intenção do técnico era jogar pelas alas e cruzar o maior número de bolas possíveis, se aproveitando do garoto na área.

    Igualmente, também, entramos com 03 zagueiros e 02 volantes. Para aproveitar exatamente a opção das laterais. E na expectativa de que o Petrolina viesse com 02 atacantes. Contudo, não foi assim que o time banhado pelo Velho Chico entrou em campo e, logo, Roberto mandou Marcelinho entrar. Antes, porém, a equipe local, injustamente, abriu o placar.

    Entretanto, ao mudar o esquema e colocar um meia de qualidade como o baixinho Marcelinho, o Náutico melhorou muito e passou a sufocar o Petrolina, até chegar ao empate, com um gol do guri Wellington.

    E mesmo com o artilheiro do campeonato numa noite não muito feliz, coube a ele fazer uma grande jogada e colocar na cabeça do Tanque alvirrubro. Wellington marcou o segundo gol do timbu (e seu segundo no jogo), dando números finais ao placar.

    Com Geraldo e Radamés numa noite sem muita inspiração, a entrada de Marcelinho foi fundamental. E é para ser assim mesmo. Quando um não está bem, tem outro numa boa jornada. Quando um não tem característica certa para aquele jogo, tem outro que tem. Trata-se de um bom elenco.

    Um elenco que dá opções ao técnico. Com atacantes de várias características, que tem opções para cada tipo de terreno e adversário. Com meias de contenção como Ticão e Paulo Almeida e mais de toque, como Radamés, Geraldo e Ricardo Laborde (que deve estrear contra o mesmo Petrolina, nos Aflitos). E por ai vai.

    O Náutico entrou com o tanque em Petrolina. Deixou a infantaria no lado de fora. E ganhou a guerra. Afinal, tinha um exército em campo e fora dele. Um grupo que vale muito e que se mantém na luta pelo turno. Acreditando que os adversários irão sucumbir às trincheiras do caminho. E que, em assim ocorrendo, o Náutico estará passando por tudo, paralelamente. Cumprindo seu papel e pontuando o necessário, para a conquista do turno.

    De volta para casa, vamos enfrentar o mesmo Petrolina. Mas, certamente, o nosso time não será o mesmo. Afinal, não temos apenas um time. E sim um exercito.

  2. 16/02/2008

    Lugar de alvirrubro é no Náutico



    Se antes eu já respeitava o técnico Roberto Fernandes, agora, ele conseguiu uma admiração maior ainda – e não só minha, mas de toda torcida alvirrubra. Recusar uma proposta de um clube de São Paulo, que já foi duas vezes vice-campeão brasileiro e até vice-campeão da Taça Libertadores da América, onde iria ganhar o dobro do salário que tem no Náutico, recebendo tudo que o clube ainda deve ao treinador, é digno de reconhecimento.

    E é isto que pretendo fazer, nas próximas linhas.

    A primeira vez que encontrei com Roberto Fernandes, foi no estádio dos Aflitos. Jogo entre Náutico x Vasco, pelo campeonato brasileiro, da primeira divisão, em 2007. Ele treinava o brasiliense e estava de folga, no Recife.

    E comparecia a Eládio de Barros Carvalho como mero torcedor do Náutico. Uma função que exercia desde criança. E com prazer. Confesso que não o reconheci. E sentei ao seu lado.

    Ele, roendo as unhas. Quieto. Só observando o jogo. Uma partida nervosa. Com uma expulsão de um zagueiro vascaíno, logo no começo. E um pênalti de Gleguer, em cima do atacante carioca, pouco depois.

    Com a vitória parcial do Vasco, mesmo com um homem a menos, Roberto não se agüentou e foi torcer de pé, no último degrau das cadeiras. Pouco antes, ao ver o treinador de goleiros Batista cumprimenta-lo, percebi que ele era um técnico de futebol. E fiz questão de parabenizá-lo pelo trabalho no clube candango, onde havia se sagrado campeão estadual e fazia uma bela campanha na serie B.

    Ele seguiu torcendo, lá em cima e pode ver o seu Náutico (de torcedor) virar o jogo e, ao final, ceder o empate para o time de Celso Roth. Paulo César Gusmão era o técnico do Náutico e assim o seria por mais 05 rodadas e nenhuma vitória. Para o lugar de PC, o Náutico trouxe o técnico do Brasiliense, justamente Roberto Fernandes – cuja maior virtude para a torcida era que ele era torcedor do Náutico.

    Com passagem pelo Unibol-PE (o clube empresa que fez sucesso no Estado, na década de 90), Primavera, Independente, União São Bento, Guaratinguetá e Ituano (todos do interior paulista), Londrina (do Paraná), Anapolina e Vila Nova (de Goiás) e, por fim, pelo Brasiliense, Roberto foi acumulando experiência. Mas faltava um grande desafio em sua carreira.

    Mostrando competência em cada um dos clubes que passou, seu título mais importante foi de campeão estadual pelo time do Distrito Federal. Mas foi justamente pelo trabalho que fez com o Náutico, na primeira divisão de 2007 que Roberto (ou Beto, como os amigos costuma chama-lo) teve reconhecido o seu valor. Primeiro pelos próprios alvirrubros, que puderam reconhecer nele o maior responsável pela mudança de comportamento da equipe e, da conseqüente permanência na primeira divisão. Segundo pela imprensa do sul, que enalteceu, justamente este mérito.

    E foi por isto que Roberto Fernandes foi assediado pelo São Caetano. Pela sua reconhecida capacidade de montar uma equipe competitiva. Por isto, que o time do ABC paulista tentou, por todos os meios tirar o nosso treinador. Em vão.

    Afinal, encontraram pela frente um homem de caráter. Determinado. De palavra. E um alvirrubro. Que, se comprometeu em terminar o trabalho que foi iniciado, com planejamento detalhado pela sua equipe, pela diretoria e por ele próprio.

    Um planejamento que ainda está longe de chegar no seu objetivo, mas que começa a dar frutos, quando se observa que a equipe fez 18 gols nos últimos 4 jogos que disputou (4 vitórias seguidas). O título do estadual é um dos objetivos. A Copa do Brasil pode vir a ser outro e a classificação para a Sul Americana também.

    Só depois, Roberto deverá alçar vôos maiores. Afinal, ele tem tempo – pois é muito jovem. E certamente irá longe. Assim como o Náutico, com Roberto Fernandes.

  3. 15/02/2008

    “Rain forest”



    Choveu na floresta amazônica. Uma chuva diferente daquela que todos estão acostumados na região. Afinal de contas, na véspera, o céu havia caído sobre Manaus e ninguém se surpreendeu. Normal.

    Contudo, quando meu amigo Thomas Edison Staudinger, sua esposa Cacilda, e respectivos filhos Renato e Rodrigo, acompanhados pela sua nora Andréa, além dos muitos amigos, como Eduardo, Henrique, Joca, Jerônimo e André (todos, evidentemente, alvirrubros) foram ao estádio Vivaldão, presenciaram uma chuva....de gols.

    Nunca se viu antes, uma chuva de tamanha magnitude. E os 7 x 1 saiu barato, mesmo sem termos ido a zona franca (já extinta). Cabia mais. Muito mais. Entretanto, o Náutico diminuiu o ritmo e a goleada arrancada no Amazonas foi mais que suficiente para classificar sem o “jogo da volta”.

    Uma chuva de gols, que se constitui, no momento, na maior goleada da competição. E o timbu teve que ira até Manaus, enfrentando uma longa viagem.

    Ainda teve que jogar num campo que já vinha sendo castigado pelas chuvas e apresentava placas de grama diferentes, que lembravam gramados mais próximos dos Aflitos. Para piorar, o jogo entre Fast Clube x Santa Cruz foi um dia antes e castigou bastante o já lastimável gramado. Bem diferente de um Maracanã, Morumbi ou Serra Dourada, onde a bola rola redonda.

    Mesmo assim, o timbu, goleou com novidades no time. Como Paulo Almeida e Wellington estreando. Com Kuki, Marcelinho e Fabio Silva podendo atuar mais tempo, assim como Rafael e Alex Sandro, além dos jovens Onildo e Eduardo Erê, além dos que vêm atuando, como Eduardo, Ticão, Vagner, Serginho e Berg.

    Sem atletas como Geraldo, Warley, Felipe, Everaldo, Radamés, o alvirrubro mostrou muita qualidade e poderia ter saído do Vivaldão, com pelo menos 10 x 1. Além dos 7 gols marcados, tivemos, ainda 2 bolas na trave e uma bicicleta maravilhosa do baixinho Kuki e outras oportunidades.

    Não vi o jogo e pedi ajuda aos quase 487 torcedores alvirrubros que foram ao estádio matar a saudade do seu (nosso) Náutico. Alvirrubros como Thomas Edison – que levou toda família para ver, ao vivo o timbu que acompanha pela internet.

    E, pelo que ele me disse, o Náutico foi bem. Dominou o Atlético-RR e mereceu ter construído a maior goleada da atual Copa do Brasil, com Marcelinho abrindo a contagem aos 5 minutos de jogo. Wellington fazendo o segundo, Berg, o terceiro, Paulo Almeida, de pênalti, o quarto.

    Parecia que a goleada seria histórica. Mas o time de Roberto Fernandes tirou o pé do acelerador e irritou o técnico. A ponto de tomar um gol do adversário, que acordou a equipe. Logo depois, e faltando 05 minutos, ainda coube tempo para mais 3 gols. Kuki, aos 42, Alex Sandro o sexto e Danilo, no rebote, o sétimo, aos 46.

    Um resultado que impressiona e que dá tranqüilidade para o grupo. Que pode trabalhar para mais vitórias importantes. Com menos gol (provavelmente). Mas que significarão muito mais. Como contra o Petrolina, já na segunda, pelo estadual – já que o adversário, pela Copa do Brasil só será conhecido depois que Juventus e Corurupe se enfrentarem.

    Eis o relato do meu amigo Staudinger: “Como já era de se esperar, o Náutico não tomou conhecimento da aquipe do Atlético, mandando na partida do começo ao fim do jogo. Mesmo estando sem 06 titulares, a superioridade da equipe alvirubra foi incontestável, ficando evidente nos primeiros quinze minutos de jogo que iria acontecer uma sonora goleada, terminado o primeiro tempo com um placar já praticamente definido, ou seja, 4 x 0, houve uma acomodação no segundo tempo e a equipe se preocupou só em tocar a bola, desta forma a equipe do Atlético ficou animada e terminou conseguindo fazer o seu gol de honra. Pior para eles que levaram mais três gols em apenas cinco minutos. Destaco nesta partida, o excelente futebol jogado pelo Ticão, rápido, determinado e principalmente, não errou um passe sequer e também o velho Kuki, que brigou do começo ao fim do jogo, meteu duas bolas na trave e quase fez um gol de bicicleta”.

    Obrigado meu amigo. Deve ter sido emocionante rever o nosso Náutico, ao vivo. Num espetáculo que rivaliza com a pororoca e as viagens pelo rio Amazonas. Mesmo sem usar o manto listrado (o timbu esteve de branco, com calções vermelhos), deve ter sido um espetáculo à parte para os alvirrubros que não podem ver o time ao vivo e a cores.

    Thomas Edison ficou satisfeitíssimo. Pé quente, sem dúvida alguma. Ele, sua família e amigos. Ele que até esteve no treino (rachão) onde viu Roberto Fernandes e Muller correrem atrás da bola e Vulpian apitar o jogo. E que pode conversar com Araponga e lembrar de histórias ocorridas há muito tempo, nos Aflitos.

    Agora, ele volta a acompanhar o seu time de coração, no seu canto particular: a praça alvirrubra. E volta a torcer pela conquista do 1º turno, no estadual. Dependendo do seu pé quente, iremos conseguir.

    Afinal, o Náutico fez até chover no Amazonas!

  4. 13/02/2008

    O perigoso hiato


    Ficar sem jogar pelo estadual até segunda-feira, dia 18/02 pode ser um fardo nas pretensões alvirrubras, no turno. Isto porque o Sport terá 02 jogos, no mesmo período e tem chances de ver sua vantagem de 4 pontos subir para 10, em caso de duas vitórias contra o Serrano.

    Na teoria, esta vantagem poderia ser diluída. E não seria nada anormal. Afinal, o Náutico teria 04 partidas em disputa, enquanto os rubros negros fariam apenas 02. E, não seria uma aberração se o Vera Cruz vencesse o Sport em Vitória de Santo Antão e o Salgueiro empatasse na ilha. Da mesma forma que também não seria nenhum absurdo os alvirrubros vencerem duas vezes o Petrolina, o Sete em Garanhuns e o Centro Limoeirense, nos Aflitos. Com esta combinação de resultados, o Náutico chegaria a 22 pontos e o Sport a 21.

    Entretanto, no âmbito psicológico será muito difícil (quase impossível), tirar uma diferença de 10 pontos – acaso esta seja conseguida pelo time da praça da Bandeira.

    Mais uma do regulamento tão complicado do Pernambucano 2008....

  5. 11/02/2008

    Várias cabeças, um só coração


    Ao chegar na Av. Conselheiro Rosa e Silva, por volta das 18h, do sábado, o movimento não era grande. Quando atravessei da padaria, para a sede, pude ver que, logo ali, na esquina, com a rua da Angustura, dois alvirrubros se abraçavam. Na medida que eu ia atravessando a Avenida, percebi que não era um abraço qualquer. Eles estavam se socando. Esmurrando um ao outro, enquanto se abraçavam e caiam no asfalto, em plena avenida. Uma cena triste de se ver. Não sei qual o motivo de brigas entre uma mesma torcida. E confesso que nem quero saber – tão absurdo que acho de tal atitude.

    Fui, então, para o Eládio de Barros Carvalho. E, desta vez, resolvi ver o jogo no retão da arquibancada, aproveitando que não tinha sol do outro lado. Lá estavam vários conhecidos, como Glauber, André, Márcio, Cristina, Julia, Bruna, Thiago, Cida, Chai, Vitória, entre outros.

    O movimento fraco, logo se transformou na arquibancada. Questão de minutos. Gente chegando, com camisas em vermelho e branco, de todos os tipos. Modelos antigos, novos. Patrocinadores até que eu nem me lembrava mais que tinham sido parceiros do Náutico.

    “BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORA”, gritava um cidadão, no degrau logo acima do meu, estourando meus tímpanos. “BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORA”, repetia, já sem o susto que tive antes. E tome crítica. Todos foram alvos do torcedor que insistia em “falar” com os jogadores a quilômetros de distância. Desde Radamés a Geraldo. Passando por Kuki e Roberto Fernandes. Até Betinho, recém chegado ao clube, de volta de Portugal, foi mencionado nas críticas do torcedor “megafone” ou seria corneteiro? “BOOOOORA”, “Esses caras não tão correndo nada”. Detalhe: o jogo não tinha começado.

    Finalmente, depois de tanta critica, o jogo teve inicio no gramado dos Aflitos. A torcida, então, passou a apoiar o time, apupando o adversário. Alguns com apitos. Outros com vaias. O Sete se via encurralado pela equipe do artilheiro Geraldo.

    O gol parecia ser uma questão de tempo. Mas teimava em não acontecer.

    Na visão privilegiada da arquibancada do retão, Serginho pegava a bola e dava os elásticos. O marcador ficava. Ele ia com a bola. Mas, no lance seguinte, a “borracha” do elástico quebrava e o ala direita poderia até cheirar a bola, na tentativa do cruzamento. Ou quando acertava, a bola passava por todos na área.

    Do outro lado, Everaldo parecia se atrapalhar ao tentar tabelar com Berg. E o time tinha dificuldade para chegar no ataque, com perigo. O gol parecia mais distante, muito embora, não fosse surpresa se ocorresse a qualquer momento.

    Uma cabeçada de Alex Sandro fez ecoar o “Uhhhhhhhhhhhhh” como se fosse uma ôla, correndo pelo estádio. A bola bateu na cabeça do meia, foi para o chão e subiu enconbrindo Mondragon e a trave.

    A torcida se impacientava com a falta de gol. E o alvo passou a ser o árbitro. O coro de “ladrão” deu voz, mais uma vez, ao “Uhhhhhh”, seguido de alguns impropérios, mais raivosos ainda, quando Geraldo roubou uma bola, na saída de jogo do time de Garanhuns e ficou frente a frente com o goleiro. Desta vez, porém, o camisa 10 alvirrubro não foi feliz e tentou, sem sucesso, tirar o arqueiro da frente, com dribles curtos. Quando, finalmente, Geraldo chutou, a bola ainda tinha o Mondragon e um zagueiro pelo caminho e perdemos uma excelente chance para abrir o marcador.

    Os times foram para o intervalo levando um zero para cada lado. “BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORA!!!” E eu fui. Fui para o outro lado do campo, para ver se a sorte me acompanhava e o Náutico podia fazer o gol que tanto perdeu na etapa inicial.

    A mudança de local parece ter surtido efeito. Mesmo o time tendo voltado com algumas alterações que o deixavam aparentemente capenga. Com a saída de Berg e a inversão de Serginho, para o lado esquerdo, e com a entrada de Marcelinho.

    Felipe já tinha tentado e quase conseguido abrir o placar. Mas Mondragon (que deveria se chamar Monstragon) estava pegando tudo. Desta feita, o gaúcho cruzou e Warley tocou com alguma parte da chuteira e desviou a trajetória da redonda. Desta vez, goleiro de um lado e bola do outro. Gol.

    O Sete resolveu reagir. Foi para cima. Nem parecia que era o lanterna da competição. E se expôs aos contra ataques. Roberto Fernandes percebeu e colocou Kuki, para ganhar velocidade nestes fundamentos. Contudo, em vez de tirar um atacante (Warley, por exemplo), preferiu substituir Alex Sandro. Talvez pretendesse utilizar a antiga fórmula (que dera certo) com Acosta, Marcelinho e Felipe (quando Geraldo fazia os 03 correrem em contra ataques mortíferos). Não deu certo. As bolas eram lançadas diretamente e iam parar nas mãos do goleiro, em vez de ser nos pés dos 03 atacantes.

    Com isto, o Sete cresceu e chegou com mais perigo na meta timbu. Alguns alvirrubros discutiam entre si, sobre as modificações realizadas. E mais ainda, quando entrou Tales, no lugar de Serginho, sem saber que o ala estava passando mal, com o desgaste de jogar no outro lado.

    Quando o time do agreste chegou ao gol de empate, depois dos 40 minutos, numa falha de Eduardo, parecia que tudo estaria sendo jogado pelo ralo. Todo o trabalho. Todos os pontos que foram ganhos até então. Todos os gols marcados. Enfim.

    Mas Marcelinho resolveu cobrar uma falta, na intermediária, alçando a bola na área adversária. “Deixa para o Tales cobrar!” gritava um torcedor na cadeira. Mas Serginho ignorou a “ordem” vinda de cima e cruzou. A pelota subiu e desceu na cabeça de Vagner. Que cabeceou meio que de “costas” (não Acosta). Mais uma vez ela subiu e desceu. Foi caindo. Caindo. E Felipe correndo atrás. Radamés idem.

    E ela finalmente caiu. Dentro do gol. Era mais um. O gol da vitória. Suada. Mas justa. Focos de raiva se podiam ouvir de uma das cabines nas cadeiras. Pareciam destruir o patrimônio alvirrubro, em mais um ato de vandalismo explícito. Não sei bem o que houve, mas parece, que desta vez, o espasmo de hormônio masculino não era da mesma torcida.

    O apito final terminou sendo de alivio. Pela vitória conquistada na raça. Na vontade. E na sorte (por que não?).

    Nos vestiários, brinquei com Vagner: “O juiz deu o gol para Felipe”. Este me deu uma resposta inesperada. Mas que me deixou tão feliz quanto no momento do gol. “Não tem problema. O gol foi nosso e isso é que importa”.

    Tem razão, Vagner. O gol foi nosso. Do Náutico. E isto é que importa mesmo. A vitória foi do grupo. De todos. Parabéns. Não devemos brigar entre si. Seja por artilharia. Seja por preferência pelo jogador A ou B. Seja pelo que for. Não temos motivos para brigar entre si. Somos uma mesma torcida. Somos uma coisa só: CLUBE NÁUTICO CAPIBARIBE.

  6. 10/02/2008

    À “forceps”


    Quem já viu um parto onde o nascituro é retirado do ventre materno, por meio de um instrumento chamado forceps? É algo doloroso. Na marra. A criança é arrancada à força, geralmente pela cabeça. Mas ela nasce. Quase a “contra gosto”.

    Foi assim a vitória suada, do alvirrubro, neste sábado de ressaca de carnaval.

    O time dominou o jogo. Fez por merecer a vitória. Teve chances incríveis (Alex Sandro perdeu um gol de cabeça sozinho e Geraldo outro cara a cara com o goleiro, na etapa inicial). Mas a bola teimava em não entrar. O time do Sete tinha onze na entrada de sua área, congestionando o setor e dificultando a esperada vitória timbu.

    O melhor ataque da competição (17 gols) pegou a “pior defesa” (13 gols) e teve a maior dificuldade em meter a bola para dentro da meta do competente (e sortudo) goleiro Mondragon.

    Eu estava na arquibancada onde outrora funcionava o placar “balança mas não cai”. Quando lá cheguei (30 minutos antes do inicio da partida) podia escolher onde e como sentar. Mas, ao soar do apito, já tinha dificuldade em sair de lá, incomodado que fiquei com um torcedor que gritava às minhas costas, já criticando o time no primeiro passe errado.

    O jogo foi se desenrolando. A torcida ficando impaciente com o gol que não saia e com uma arbitragem que chegou a ser, na visão da torcida, complacente com o time do Sete (que teve uma seqüência de 04 faltas em seqüência, sem qualquer cartão) e rigorosa com o Náutico (ao dar cartão para Eduardo, quando este foi tomar a bola do jogador esmeraldino, que fazia cera e segurava a bola, evitando a cobrança da falta).

    Uma coisa que impressionou foi como Ticão não errou nada. Ele desarmou todas as bolas que disputou. Parecia que ia fazer falta, mas tirava a pelota sem tocar no adversário. E ainda teve fôlego para carregar a redonda, do seu campo até a entrada da área do time de Garanhuns, num belo lance.

    De tanto insistir, o Náutico abriu o placar, com Warley, que concluiu uma jogada iniciada por Felipe. Parecia que o Sete, enfim, cederia a vitória. Mas, aproveitando-se da ausência forçada dos laterais (que tiveram que ser substituídos, por questões físicas), o time alvi esmeralda cresceu em campo.

    Roberto Fernandes colocou Kuki no ataque, retirando Alex Sandro, do meio de campo, para forçar os contra ataques em velocidade. Mas a bola não chegava redonda e geralmente estava sendo lançada da defesa timbu para as mãos, pernas e até a cabeça de Mondragon, que ganhou todas as bolas que foram lançadas em profundidade, na intenção de alcançar Felipe ou Kuki.

    E foi assim que o Sete chegou ao empate, numa bobeada de Eduardo, que soltou a bola nos pés do atacante adversário. Parecia que o timbu tropeçaria em casa e perderia pontos preciosos.

    Mas, no último lance da partida, Vagner cabeceou para trás uma cobrança de falta e a bola viajou até cair dentro do gol do Sete. Era o gol da vitória. E tinha que ser de cabeça, pois é pela cabeça que os bebês são arrancados do ventre materno, pelo forceps.

    Sorte? No fim, terminou até sendo - não posso negar. Mas como se diz no futebol. Sorte de campeão....

  7. 08/02/2008

    Não quero ganhar o 1o turno

    Estatisticamente quem ganha o 2o turno dos campeonatos estaduais tendem ser o campeão da competição. E a explicação é simples. Se o time levantou o último turno, é porque esta melhor naquele momento. E, como a decisão é logo depois, conseqüentemente, estará melhor preparado para vencer as partidas da final.

    Resta evidente que as equipes disputam a segunda metade do certame muito mais arrumadas. Conseqüentemente, as chances de quem vence o turno final, são maiores que daquela que levanta o turno inicial.

    Logicamente que não se pode afirmar com segurança que o vencedor do segundo turno será o campeão. Apenas se pode dar a certeza que uma equipe que conquistou o turno derradeiro, vive um momento melhor que aquela que venceu o turno anterior.

    Se o Náutico começou mal a competição e perdeu o primeiro jogo para o Serrano e depois, para o Centro Limoeirense (empatando com o Porto nos Aflitos) foi porque esses jogos foram num momento em que a equipe timbu não estava tão bem preparada como o adversário (além de fatores como o campo e o clima).

    Na medida que o time de Roberto Fernandes vai se condicionando fisicamente, a qualidade da equipe vai se sobressaindo sobre a força, a disposição tática e a vontade dos adversários (de técnica reconhecidamente inferior aos alvirrubros – e aqui não vai nenhum demérito).

    O Náutico que vi atuando contra o Porto deu sono. Tanto em Caruaru, quanto nos Aflitos. Mas, já contra o Serrano, nos Aflitos, pude presenciar uma equipe bem melhor em campo. Com uma postura tática mais definida e qualidade técnica sobressaindo (tanto que o resultado foi 5 x 2 para os alvirrubros).

    Esta evolução na competição também se traduz, num único jogo, quando o Náutico pode jogar muito mal num tempo e de forma espetacular no outro. Foi o que aconteceu na partida contra o Centro, em Limoeiro.

    A equipe evoluiu na partida. E passou da água para o vinho, na virada do campo. Aproveitando-se da mudança de postura da equipe local, que achou que estava melhor que o Náutico e descuidou do setor defensivo, o Náutico chegou fácil aos 4 x 0. E se tivéssemos mais 5 a 10 minutos, teríamos ainda, mais 1 ou 2 gols da equipe de Recife.

    Sem poder medir forças com os adversários diretos na briga pelo turno, o Náutico tem que continuar a evoluir na competição, pois ainda poderá contar com jogadores que ainda não estrearam ou que entraram por pouco tempo, como Berg, Paulo Almeida, Fábio, Marcio Santos, Laborde, Wellington e agora a reestréia de Betinho. Há muito a ser feito, reconheço. Mas me anima ver um time que conta com valores reconhecidos como Eduardo, Vagner, Ticão, Radamés, Geraldo, Felipe e Warley, ainda poder contar com Alex Sandro, Helton, Onildo, Everaldo, Otacílio, Danilo Lins, entre outros. Além do bom e velho Kuki, com disposição e espírito de grupo. E mostrando qualidade (lembrem-se dos dois passes que deu, nos 5 minutos que esteve em campo contra o Centro).
    Devo confessar que vencer o turno com apenas 5 rodadas pela frente, para seu derradeiro final sem poder tirar os pontos do adversário direto, parece ser praticamente impossível. Resta vencer os 5 jogos, evoluindo cada vez mais, passo a passo. Jogo a jogo. E chegar no returno (o hexagonal final, com ida e volta) com todo gás, qualidade física e técnica, para conquista-lo e disputar o título em melhores condições que o vencedor do 1o turno.

    Não quero vencer o 1o turno. Quero vencer o 2o e estar mais bem preparado para levantar a taça de campeão do Estado. Mas, se derem chance (perdendo 02 a 04 pontos no sertão), então vamos nos prepara para ganhar os 02 turnos.

    Não quero vencer o 1o turno? Não. Quero vencer os dois turnos.

  8. 07/02/2008

    Presente de aniversariante


    Muito se falou em Buiu. Que teríamos em Limoeiro o “bacalhau do Buiu”. Porém, se esqueceram que, do outro lado existe um time de tradição. E qualidade. Sim, se esqueceram que, do outro lado do campo estariam 11 homens que estão honrando a camisa alvirrubra.

    Simplesmente se esqueceram de Eduardo. E tiveram que aplaudir a defesa arrojada do camisa 1 timbu, quando o jogo estava 0 x 0, ao sair na hora certa (numa bola que foi rebatida para trás, deixando o atacante do Centro cara a cara com o goleiro alvirrubro), defendendo aquilo que seria um gol certo do adversário.

    E o que dizer de Radamés? Como segundo volante (sua real posição) o cara vem jogando tudo e mais um pouco. Tem chamado a responsabilidade e cobrado faltas, escanteios (só não consegue correr para cabecear a cobrança), destruído e armado jogadas. Tem até chutado em gol. Se estivesse desfilando na Marques de Sapucaí, teria uma nota 10, sem duvida alguma.

    Esqueceram de Ticão, que fez o feijão com arroz do primeiro volante e não deixou o “bacalhau” do Buiu respirar na partida. Assim como a defesa. Tão criticada, só sofreu 3 gols a mais que a melhor defesa do campeonato (salvo engano, a do Porto com 5 gols).

    Pior. Se esqueceram de Felipe e Warley – que são atacantes técnicos – e que fizeram o que devem fazer todo atacante: gol. Um para cada um. Num campo irregular, duro e sem a menor condição de domínio de bola. Já temos o melhor ataque do certame.

    Ainda se esqueceram de Kuki. Que estava quietinho no banco, com a camisa 18. Entrou sorridente. Parecia um garoto. E logo na primeira bola, deixou o companheiro em condições de marcar. No segundo lance, deu outro passe sensacional. Correu marcando a saída de bola da defesa do time local. E só não fez mais porque só esteve em campo por pouco mais de 5 minutos. Tempo suficiente, entretanto, para ver o placar mudar de 3 x 0 para 4 x 0.

    Mas, esqueceram, principalmente, do artilheiro. Do aniversariante. Do craque do campeonato: Geraldo. Se o camisa 10 já joga um bolão normalmente, imagine no dia em que completa 33 anos?

    Geraldo simplesmente matou o jogo. Fez o que quis. Participou dos gols alvirrubros. No de Felipe, ele chutou e a bola ia entrando, mas o zagueiro tirou na linha, sobrando para o gaúcho encostar para dentro. No terceiro (o seu primeiro), virou o corpo e chutou uma bola que passou por debaixo do corpo de Gilberto. E, por fim, no ultimo gol, recebeu no meio de campo, deu um drible no marcador e saiu levando até ser cargueado dentro da área. Pênalti. 4 x 0 e sétimo gol do aniversariante do dia. Do artilheiro isolado da competição (média de mais de 1 gol por jogo – pois não participou do primeiro jogo do Náutico no estadual).

    Parabéns Geraldo. Que todos os jogos do campeonato possam ser comemorados como os desta quarta-feira, em Limoeiro. Com goleada, futebol aplicado e evolução visível da equipe. E claro, muita comemoração. Pois, se não é todo dia que se comemora 33 anos, está virando rotina comemorar gol de Geraldo.

  9. 01/02/2008

    A coroação do timbu, ao sons dos clarins
    Ei pessoal, ei moçada, carnaval começa no galo da madrugada. Mas o nosso bloco é que é mesmo enfezado. E, desde cedinho já está acordado. É o timbu, é o timbu coroado.

    Olinda, quero cantar, pra ti, esta canção! Entre no passo, que esse passo é de amargar, pois a turma é mesmo boa e no frevo quer entrar. Não queira bancar o tatu. Eu conheço o seu jeito. Você é TIMBU!

    Chora! Não vou chorar. Chegou a hora. Vai devagar. Esse negócio de casar, casar, casar é negócio para maluco. Ninguém quer se amarrar. Timbu sabe isto de cor. Casar pode ser bom. Não casar é melhor.

    Taran ran, tan tan ran ran. Taran ran, tan tan ran ran. Taran ran, tan tan ran ran. Taran ran, tan tan ran ran.

    Voltei, Recife! Foi a saudade que me trouxe pelo braço! Pois o nosso bloco é mesmo enfezado. E, desde cedinho já está acordado. É o timbu, é o timbu coroado.

    N-A-U-T-I-C-O
    N-A-U-T-I-C-O

    .....Todo mundo sabe isto de cor.

  10. 01/02/2008

    Adversários conhecidos.

    Na segunda fase, do primeiro turno, enfrentaremos o Centro Limoeirense (de novo), logo de cara em Limoeiro (quarta-feira de cinzas), Petrolina e Sete de Setembro.

    O Centro perdeu nos Aflitos por 3 x 2 e venceu em seus domínios (contando com uma tremenda sorte). Será um adversário difícil, mas que poderemos, neste momento da competição, vencer duas vezes.

    O Sete de Setembro fez uma péssima campanha na primeira fase e só conseguiu 2 pontos. Mas um deles foi conquistado, exatamente em cima do Sport. Entretanto, não deverá mandar seus jogos para o Gigante do Agreste – o que poderá se benéfico para o timbu.

    Já o Petrolina arrancou ponto do Santa Cruz no Arruda, muito embora tenha perdido para o tricolor, no sertão. Não há prognóstico.

    De qualquer maneira, o timbu não terá que enfrentar Salgueiro e Serrano, no sertão sob sol escaldante (eles ficaram no mesmo grupo dos rubros negros). Por outro lado, também não terá a dupla caruaruense (sempre complicada e tradicional), que enfrentarão o Santa.

    Uma coisa é certa: teremos que vencer e ainda torcer por 02 tropeços do Sport (02 empates ou 1 derrota e um empate). Só assim ainda dá para pensar no 1º turno. Lembrando que, nesta primeira fase, o time da ilha teve exatamente 02 tropeços, contra Salgueiro e Sete.

Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).

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