GloboEsporte.com

Blogs e Colunas

Blog Torcedor Náutico

Topo do Blog
  1. 18/12/2007

    O alvirrubro Papai Noel

    O bom velhinho sempre teve alguma influencia na educação de algumas crianças. Afinal, quem já não disse aos filhos que, se não se comportasse, não ganharia presente de natal, do Papai Noel?

    Pois meu amigo Álvaro Rubio vai além.

    Nos famigerados anos 90, quando o timbu estava muito mal (chegou a visitar a terceira divisão) e o arqui-rival vencia campeonatos estaduais seguidos, o seu filho, desanimado, ameaçava virar casaca.

    Álvaro não teve dúvida. “Vai ficar sem ganhar presente do Papai Noel”, ameaçava ao infante. “Não está se comportando e vai desapontar o velhinho, se não torcer para o time dele”.

    Sim, Papai Noel é alvirrubro! Afinal não é por acaso que sua roupa é vermelha e branca!!

    O subterfúgio de Álvaro pode até ser reprovável, mas, hoje, seu filho é grato pela estratégia do pai. Não virou casaca e pode se emocionar com vários jogos do Náutico. Com o retorno do timbu a primeira divisão (numa volta por cima espetacular), e com os títulos do centenário, em 2001, do bicampeonato de 2002, do estadual de 2004 e com as vitórias em cima do São Paulo (campeão brasileiro de 2007), do Santos (2º colocado) e do Flamengo (3º colocado).

    E não é que Papai Noel é alvirrubro mesmo? Afinal, só neste século XXI, o timbu foi presenteado com jogadores como Sangaletti, Kuki, Netinho, Felipe, Geraldo, Acosta. Isto para falar apenas de alguns que fizeram a torcida vibrar.

    Todo final de ano é a mesma coisa. Lá vem ele, guiando seu trenó, puxado por renas. E deixa nos Aflitos uma boa quantidade de “presentes”. Alguns não agradam tanto e ficam sem uso – como é normal quando se “ganha” muitos “presentes”. Outros podem até vir com “defeito de fabricação” e não vingam. Mas há os preferidos. Áqueles que caem no gosto da torcida e fazem brilhar os olhos da criançada. O que é melhor, é que eles já vêm acompanhado com muita bola.

    Pois bem, o velhinho de barba branca e roupas vermelhas e brancas já passou pela sede da Conselheiro Rosa e Silva e deixou alguns “presentes”, na árvore:

    Márcio Santos – Zagueiro
    Marquinhos Paraná – Volante
    Berg - Lateral-esquerdo
    Ticão – Volante
    Ricardo Laborde – Meia
    Marcelinho – Meia
    Rafael Carneiro – meia

    Há, ainda, a possibilidade de trazer de volta alguns “presentes” que eram preferidos das crianças alvirrubras, como Netinho. Ou mesmo de novos “presentes de natal” para a torcida timbu. Fala-se em Warley, Iranildo, David, Leandro, entre outros. Fala-se também num mega presente do velhinho: uma arena novinha e cheia de atrações extra-campo, como lojas, cinema e shows (além dos jogos do timbu).

    É...definitivamente, Papai Noel é alvirrubro.

  2. 14/12/2007

    As feras e os cordeiros.

    Estive na sede da Conselheiro Rosa e Silva e não soube de nada. Não soube do destino final de Acosta (se vai continuar no Náutico ou vai para a Espanha) – só sei que ele estava sem jantar, até aquele momento (algo em torno das 19h00), pois vivia a repetir para os interlocutores que não tinha jantado. Também não tive qualquer confirmação sobre uma vinda de Ticão. E não tive um tico de curiosidade para saber se era verdade ou não.

    O que me deixou intrigado, porém, foi um grupo de alvirrubros que lia a Bíblia, em voz alta. Começaram com a passagem de “Daniel na cova dos leões” e terminaram com a traição de Judas. A leitura era repetida, a cada indignação de um dos ouvintes. “O que!!!! Não acredito que ele fez isto? Logo ele?”. Pois é. Judas traiu Jesus, por trinta dinheiros. E a leitura continuava, embaixo da árvore - que não chegava a ser uma oliveira.

    Em verdade, eu vos digo. Não vou blasfemar! Confio na capacidade de dirigentes que, recentemente, trouxeram Acosta, Sidny, Felipe, Elicarlos, Daniel Paulista, Tozo, Julio César, entre outros. E todos estes vieram com parcos valores à disposição. Imaginem o que esses mesmo diretores fariam se tivessem a mesma cota destinada a vizinhos, da mesma região? Teríamos uma equipe capaz de brigar por uma vaga na libertadores – quiçá, brigando por um título nacional.

    Pois bem. Nesta passagem que tive pela sede, pude observar, também, que alguns garotos assistiam entusiasmados a um jogo que passava na TV, do bar do Americano. Era, na verdade uma gravação de uma partida que ocorreu, um dia antes, em Porto Alegre. Só não era um jogo profissional e sim da Sub-20. Coincidentemente entre Náutico e Flamengo – justamente a mesma partida do ano, do time principal.

    Os jovens que ali estavam, nada mais eram que os próprios protagonistas daquela peleja. Eles haviam sido desclassificados, com uma única derrota (para o Internacional), em 4 jogos disputados (contra Palmeiras, Inter, Flamengo e Paulista) e já estavam de volta ao Recife, deliciando-se com as suas atuações. Os olhos vidrados na telinha da TV.

    Eu vi o belo jogo, na véspera. Ao vivo, pero, não in loco. Pela TV fechada. E o que vi me agradou. A confirmação de bons valores como Anderson, Reginaldo, Jonh, o goleiro David e o que me surpreendeu (pois não o tinha visto atuar), o garoto Eduardo. Segundo volante. Daqueles que tem personalidade e sabem sair para o jogo. E ainda cobrou como um experiente profissional, uma penalidade máxima, quando a partida estava 1 x 0 para o rubro negro carioca, empatando o jogo. Sabe até comemorar, o garoto.

    Sem dúvida alguma, eles podem se juntar a Helton, Onildo, Danilo Lins, no elenco de profissional e se tornarem boas opções para o nosso técnico Roberto Fernandes. Contudo, e evidentemente, não se pode depositar neles, todas as fichas para a disputa do estadual – como se fez, no passado com Betinho, Diego, Thiago e Paulinho. Eles têm que ser, apenas, boas (e até em alguns casos, excelentes) opções e adquirindo experiência com os jogos, para que possam vir a ser um Acosta ou um Sidny. Futebol já demonstraram que têm. E a maior virtude deles é que conhecem a realidade do clube e sabem que não poderão, neste momento, fazer dinheiro com o Náutico. Podem sim, jogar bem e aparecer para o mercado.

    O Náutico é uma vitrine. E que vitrine! Se jogam bem e aparecem bem, tem seus nomes valorizados. Que o digam Acosta, Sidny, Elicarlos e Daniel Paulista. Crescem com o clube e se valorizam com ele. Afinal, estamos na primeira divisão, em 2008.

    A torcida, impaciente, clama por um time completo, já neste momento. Mas não há como se contratar bons valores, sem dinheiro, da noite para o dia. Tem-se que agir com discrição e até, esconder o jogo. Fazer o negócio e só divulgar, quando tudo estiver certo, para que não haja atropelos e que se possa errar menos possível (pois o erro na aposta não pode ser descartado).

    O Náutico não pode trazer um Rogério Ceni. Não pode trazer um Leandro Amaral. Tem que apostar em jovens valores, que se destacaram em categorias de base ou em competições menores. Tem que buscar, também, bons jogadores no mercado sul-americano. Foi assim com Acosta. Foi assim com Felipe. E assim será com outros que virão. Basta ter paciência, que teremos um bom time, para a disputa (com chances reais de conquista) do estadual de 2008.

    Deixei, então o palacete dos Aflitos. Não antes, de ouvir uma ultima estrofe dos leitores, que continuavam embaixo da árvore, e que assim diziam: “Ele me disse: “Estas palavras são fieis e verdadeiras, e o Senhor Deus dos espíritos dos profetas enviou o seu anjo para mostrar aos servos o que deve acontecer em breve”. E continuou: “Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme suas obras”. Era o livro do Apocalipse. Mas, sem dúvida alguma, não seria o epílogo dessa estória.

    Certamente, não, meus caros. Se Deus levou 7 dias para criar o universo, mesmo sem todo o poder e benevolência do criador, temos tempo suficiente (até janeiro) para formar um time que honre as cores alvirrubras - como se fosse o décimo primeiro mandamento.

  3. 10/12/2007

    O Campeonato em números

    Olhando os números do Náutico, na competição, constatamos algumas coisas importantes. A primeira delas diz respeito as campanhas do timbu, no primeiro turno e no segundo. Enquanto o turno inicial foi um
    desastre,com aproveitamento de apenas 35,08% dos pontos disputados, o segundo foi muito bom, com 50,87%. E isto, graças ao melhor desempenho do alvirrubro, no seu caldeirão, pois, enquanto tivemos um aproveitamento de apenas 33,33% nos Aflitos, no turno, o returno, este índice alcançou 73,33%!!

    No primeiro turno, o aproveitamento fora de casa, superou o que tivemos no Eládio de Barros Carvalho (36,66% a 33,33%). Enquanto que, no returno, o fator “mando de campo” foi fundamental, com 73,33% a 25,92%, longe do Recife.

    Com Roberto Fernandes, tivemos um aproveitamento de 48,88% (57,77% nos Aflitos e 40% fora), enquanto que, com Paulo César Gusmão, o aproveitamento foi de 20,83% (sendo que, em casa. 41,66% e fora, de 0%).

    Foram 13 vitórias com Roberto e apenas 1 com PC. 9 no segundo turno e 5 no primeiro. 9 em casa e 5 fora. Se no primeiro turno jogamos 10 vezes fora de casa, tivemos 9 derrotas, no turno (não, necessariamente, nos 10 jogos). E no segundo, em 9 partidas longe de casa, foram 8 derrotas (também, não necessariamente nos 9 jogos).

    O segundo melhor ataque da competição não tinha essa de ser em casa ou fora. Fez 35 gols nos Aflitos e 31 diante dele. 28 no primeiro turno e 38 no segundo turno. 56 gols, com Roberto Fernandes e 10 sob o comando de PC.

    Em compensação a defesa sofreu 23 gols nos Aflitos e 40 fora. O grande resultado desta pesquisa, é constatar que, no segundo turno, o Náutico sofreu apenas 6 gols, nos Aflitos.

    Não é verdade que Acosta começou a fazer gols, depois que passou a usar a camisa 25. Tudo bem que o desempenho melhorou, mas o uruguaio estreou a camisa com seu número da sorte, contra o São Paulo. Naquela partida, o Náutico jogava bem. Terminou o primeiro tempo empatado, sem gols. Mas a expulsão do gringo foi determinante e o timbu sofreu a maior goleada na competição (0 x 5), justamente para o campeão.

    Mas o vice-artilheiro do certame fez gol desde o primeiro jogo, contra o Atlético-MG, no Mineirão. O primeiro do Náutico na serie A, de 2007. Depois, marcou contra o São Paulo, Paraná (2 vezes) e ficou em jejum até a partida contra o Santos, na Vila, já sob o comando de Roberto Fernandes. Marcou contra o Figueirense (2 gols) e passou mais alguns jogos sem balançar as redes. Longe da torcida, fez um contra o Paraná e, na frente de seu público, 4 gols, no Botafogo. 2 contra o Goiás, 1 contra o Altético-PR, 2 contra o Cruzeiro, 1 contra o Fluminense (de pênalti), que seria o seu último gol, no brasileirão. Poderia ter marcado contra o América-RN e se tornar o co-artilheiro, com 20 gols. Mas desperdiçou um pênalti, logo no início do jogo.

    No time, tivemos a participação de cariocas (Eduardo, Radamés, Geraldo, Marcelinho e Hamilton), paulistas (Julio César – mais para carioca – Fabiano, Daniel e Tales), baianos (Sidny, Everaldo e Vagner Rosa), mineiros (Vagner, Ferreira e Rafael), além de um gaúcho (Felipe), um catarinense (Marcelo Silva), um sergipano (Elicarlos), um maranhense (Onildo), um alagoano (Deleu), um piauiense (Maurício), matogrossense (Toninho), além do uruguaio, de Montevideo, Acosta. Evidentemente, tivemos, ainda a participação dos meninos da base timbu, como Rodolpho, Breno, Tiago Laranjeiras, Helton, Reginaldo, Almir Sergipe e Danilo Lins.

    Só uma coisa não mudou, desde o começo do campeonato até hoje. A torcida é 100% alvirrubra.


  4. 07/12/2007

    De Xique-Xique para o mundo

    Há 26 anos, no dia 21/07/81, o sol quente conheceu uma estrela. Mais precisamente na pequena cidade de Xique-Xique, situado na margem direita do Rio São Francisco, no Estado da Bahia. Cidade cujo nome é decorrente do cacto existente na região e que, neste século XXI possui pouco mais de 44 mil habitantes.

    Ela surgiu próxima ao velho Chico, com o nome de Sidny Feitosa dos Santos, mas era chamado por Sidiney. O garoto cresceu e se apaixonou por um brinquedo: a bola. E a estrela começou a brilhar.

    Foi para Salgueiro. Disputou o campeonato Pernambucano pelo clube do sertão pernambucano e se destacou, despertando interesse dos clubes grandes. Dentre os quais, o Náutico.

    De imediato, foi contratado, ainda com vínculo ligado à equipe sertaneja. Cresceu e foi importantissimo na campanha alvirrubra, na conquista da vaga à primeira divisão, em 2006. Fez bonito em 2007 e foi um dos destaques da equipe que conseguiu a permanência entre a elite do futebol brasileiro.

    Com seus chutes fortes, fez 05 gols, de fora da área, pelo brasileiro deste ano. Fez outro, contra o Corinthians, pela Copa do Brasil e driblou muitos zagueiros ou laterais esquerdos, no limite do campo direito do ataque alvirrubro.

    E se uma das frases mais ouvidas nos Aflitos foi "Dai não, Sidny", o reconhecimento de que o garoto de Xique-Xique foi importante para o Náutico (e para o Salgueiro) existe pela torcida, que o trata com respeito e carinho.

    Pois bem. Sidny vai para Itália. Vai para o Livorno. Uma província de mesmo nome, no oeste da "Bota", com o mediterrâneo a banhar sua costa, na região toscana.

    A Associazione Sportiva Livorno Calcio vai disputar a serie A italiana e manda seus jogos no Armando Picchi (com capacidade para 19 mil torcedores). As cores do time são camisas vermelhas e calções pretos (embora o uniforme número dois seja camisa branca e calção vermelho). Terá entre os companheiros o goleador Cristiano Lucarelli e o goleiro Marco Amélia (campeão do mundo, com a seleção italiana). Também terá a companhia do brasileiro Paulinho, atacante que jogou no Juventude.

    Lá se vai Sidny (ou Sidney para os amigos). Com seu boné, com a aba para trás, camisa sem mangas, correntes penduradas no pescoço e carteira de couro, embaixo do braço. Vai para Europa. Para Itália.

    A estrela brilha. E que brilhe mais ainda, em gramados europeus, pois a torcida alvirrubra estará torcendo que seus chutes acertem o gol adversário (como no último que fez, com o manto alvirrubro, contra o Flamengo) e que o garoto possa mostrar muito futebol.

    "Dai não Sidny!!" Dai sim, pois o chute de Sidny foi tão forte que saiu de Xique-Xique e foi bater na Itália.

    Boa sorte. Que Deus continue a te iluminar.

  5. 05/12/2007

    Lembrando a trajetória



    Agora acabou mesmo. A bola não rola mais, no resto do ano, no estádio Eládio de Barros Carvalho. Daqui para janeiro, não veremos uma única camisa vermelha e branca fazendo a alegria nas arquibancadas dos Aflitos. Fazer o que? Faz parte da vida e temos que deixar de ver futebol no estádio por longos 30 dias.

    Então, vamos parar, também, para fazer uma análise do que aconteceu ao longo dos 08 meses de competição.


    São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional e Cruzeiro eram apontados como favoritos ao título, desde janeiro. O título do tricolor paulista, então, não foi nenhuma aberração. Aliás, o bicampeonato da equipe de Muricy Ramalho foi mais que merecido. Como se diz por aqui, foi ganho com os “pés nas costas”.

    Surpresa mesmo foi o Flamengo, que, empurrado pela torcida – que lotou o Maracanã (nos jogos “atrasados” e nos decisivos) lembrou Ayrton Senna, ao sair do Box e chegar nas primeiras colocações.

    No outro lado da tabela, América-RN, Paraná, Juventude, Náutico, Figueirense, Sport e Goiás eram os nomes mais apontados pela imprensa para povoar a segunda divisão. Não por acaso, estiveram entre as 13as e 20as colocações e sem vaga em competições do continente.

    A surpresa foi o rebaixamento do Corinthians. Não pelo futebol, mas pela tradição do clube paulista. Com um time bem abaixo de sua história de títulos, o clube não teve qualidade, ao longo da competição, para se livrar da serie B.

    A história do timbu na competição foi de baixos e altos (nesta ordem).

    Todavia, logo no começo, Acosta se destacou. Marcou o primeiro gol alvirrubro, numa cobrança de falta, do meio da rua, contra o Galo, no Mineirão. Quando todos ficaram esperando algo, a bola foi caindo dentro do gol. Era o primeiro dos 19 gols do uruguaio. Mas o que ficou marcado naquela partida foram os 7 minutos de acréscimos, dado pelo árbitro. Tempo suficiente para que o time mineiro virasse o jogo e estreasse com vitória, em casa. Ruim para o alvirrubro, que deixou escapar os primeiros pontos.

    Acosta, mais uma vez, voltou a marcar e foi o destaque do jogo, contra o São Paulo, na estréia do caldeirão dos Aflitos, na serie A. Contra o São Paulo, o uruguaio esticou a perna e venceu o goleiro Rogério Ceni. A vitória sobre o campeão e futuro bi-campeão dava a falsa impressão que o campeonato não seria complicado para o timbu. E que o Aflitos teria um aproveitamento similar ao que teve na segundona. Ledo engano.

    Empates em casa, contra Vasco, Paraná e Fluminense e derrotas para Goiás, Cruzeiro, Palmeiras no primeiro turno transformaram o Aflitos numa verdadeira aflição para sua torcida.

    Mas o jogo contra o Paraná espelhou o que seria o Náutico na competição. Começou muito mal. Ficou bem atrás, mas recuperou-se. Com destaque para Acosta – artilheiro. Este foi o alvirrubro no jogo contra os paranistas e ao longo de todo o campeonato.

    Contudo, foram as derrotas seguidas, fora de casa (e principalmente a última, contra o Sport) que derrubaram o técnico Paulo César Gusmão. Num jogo onde deu tudo errado, o timbu perdia por 2 x 0, quando Acosta foi expulso. Logo depois, Baiano também foi para o chuveiro mais cedo. E aquele jogo foi o começo da reação, pois na partida seguinte, assumia o time o técnico Roberto Fernandes.

    Ainda sem padrão, o novo treinador timbu passou a jogar fechado, com 03 zagueiros, longe dos Aflitos. E com atacantes velozes, chegava com perigo nos contra ataques. Resultado: empatou contra o Atlético-PR e Juventude e ganhou do Corinthians (3 x 0) e do Santos (2 x 1) e América-RN (5 x 1), nos 5 jogos fora de casa, sob seu comando.

    Faltava devolver ao Aflitos a cara de caldeirão. Foi quando o Figueirense visitou o Eládio de Barros Carvalho, para que a torcida pudesse ver a força que tinha. 4 x 2. Nem mesmo a derrota para o Atlético-MG tirou a confiança na recuperação timbu. Muito menos as duas goleadas seguidas, para o São Paulo (quando Acosta foi expulso) e Vasco (quando só perdemos porque acreditamos no nosso futebol – que era melhor que o time vascaíno, naquela partida).

    Chegavam jogadores importantes para o time, como Geraldo. A qualidade do meio de campo mudava, da noite para o dia. Tínhamos um Sidny, com seus dribles e chutes pela direita. Julio César, alçado a condição de ídolo, com 02 gols marcados contra o Sport. Elicarlos e Daniel Paulista, numa dupla de volantes de primeira. E um ataque que marcava gol, em profusão: 63 no total. O segundo melhor dentre as 20 equipes.


    O jogo contra o Internacional serviu de divisor de águas. Arrisco mais. O pênalti perdido por Cristian deu outra cara ao Náutico, que empatou uma partida perdida e partiu para 05 vitórias seguidas, contra o Paraná (4 x 2), Botafogo (4 x 1), Goiás (3 x 0), Sport (2 x 0), Atlético-PR (5 x 0) e uma alternada, contra o Juventude (4 x 1).

    O Aflitos voltava a ser caldeirão. E o Náutico, de Roberto Fernandes deixava de ser favorito a vaga da serie B. E Acosta continuava a brilhar. Depois de o Cruzeiro marcar 2 x 0, o uruguaio empatou o jogo, sendo o segundo gol, uma pintura, onde levou a bola do jeito que quis até dentro da meta. Era o “nome do Náutico” na competição.

    E Acosta ficou de fora, contra o Corinthians, num jogo decisivo, em Recife. Num jogo tenso, o Náutico dominou as ações, mas esbarrava no excelente goleiro Felipe. Até que, numa bobeira, ao apagar das luzes, o zagueiro alvinegro cometeu pênalti em Vagner. Geraldo cobrou com perfeição, dando a vitória para o Náutico.

    As derrotas seguidas, para Grêmio, Santos e Fluminense chegaram a preocupar. Mas o jogo contra o América-RN (vitória por 4 x 0) praticamente selou a sorte timbu na primeira divisão, garantindo vaga em 2008 – meta traçada desde o começo.

    A vitória final, contra o Flamengo, em nada modificou a classificação, mas serviu para fechar a participação alvirrubra com “chave de ouro”. Não, “chave de ouro” não é bem a palavra, mas com orgulho. Com dignidade e de cabeça em pé, pois, apesar de todas as dificuldades, o Náutico fez bonito na competição, ao vencer o campeão São Paulo (1 x 0), o vice-campeão Santos (2 x 1) e o terceiro colocado Flamengo (1 x 0) e não perder para nenhum dos clubes rebaixados (Corinthians 3 x 0 e 1 x 0; Juventude 1 x 1 e 4 x 1; Paraná 4 x 4 e 4 x 2; e América-RN 5 x 1 e 4 x 0), além de ter o segundo melhor ataque, com 63 gols e colocar Acosta (vice artilheiro da competição, com 19 gols) na seleção da competição.

    Por sinal, aproveito para “convocar” a “minha seleção” (critério pessoal), com 22 jogadores:

    Goleiros: Rogério Ceni (São Paulo) e Felipe (Corinthians)
    Laterais direito: Leo Moura (Flamengo) e Sidny (Náutico)
    Zagueiros: Breno (São Paulo) e Thiago Silva (Fluminense)
    Zagueiros: Miranda (São Paulo) e Alex Silva (São Paulo)
    Laterais esquerdos: Kleber (Santos) e Julio César (Náutico)
    Volantes de contenção: Hernanes (São Paulo) e Elicarlos (Náutico)
    Segundo Volante: Richarlyson (São Paulo) e Daniel Paulista (Náutico)
    Meia direita: Ibson (Flamengo) e Diego Souza (Grêmio)
    Meia esquerda: Thiago Neves (Fluminense) e Valdívia (Palmeiras)
    Atacantes: Acosta (Náutico) e Kleber Pereira (Santos)
    Atacantes: Leandro Amaral (Vasco) e Josiel (Paraná)

    Técnico: Muricy Ramalho (São Paulo)
    Auxiliar técnico: Joel Santana (Flamengo)
    Técnico Revelação: Roberto Fernandes (Náutico)

    Revelação: Felipe (Corinthians)
    Craque: Rogério Ceni (São Paulo)
    Artilheiro: Josiel (Paraná)

  6. 04/12/2007

    O vigésimo gol de Acosta.


    Numa bela festa, no Rio de Janeiro, a CBF entregou aos melhores do brasileirão, os respectivos prêmios. Praticamente, sem nenhuma surpresa. Rogério Ceni, Leo Moura, Breno, Miranda, Kleber, Hernanes, Richarlyson, Ibson, Valdivia, Acosta e Josiel formaram a seleção do campeonato. Rogério levou mais dois troféus. O de melhor jogador, eleito pelo júri especializado e, igual título, eleito pela torcida. Breno foi a revelação (talvez na única surpresa da noite – ao derrotar o goleiro Felipe) e Josiel também ficou com o de artilheiro. A torcida do Flamengo acabou ganhando um, de melhor torcida. O árbitro Leonardo Gaciba foi eleito o melhor juiz. E Romário e Nilton Santos receberam premiações especiais. E Muricy Ramalho foi escolhido, pela terceira vez seguida, o melhor técnico. Prêmios também, para os campeões São Paulo, Coritiba e Bragantino.

    Acompanhei a festa pela TV. “Olha o Maurício Cardoso, sentado na cadeira do corredor, pai!!! Olha, olha! E o Valois!!!!! Ele ta junto! Eita! O Roberto Fernandes também!! Olha, olha!”. “Eu sei, filho. Estou vendo”. Era impossível não notar Maurício Cardoso (o futuro presidente alvirrubro, sem a barba - arrancada “a seco” no jantar de adesão, contra o Figueirense, após a garantia da permanência do timbu, na primeira divisão, em 2008) ao lado de Ricardo Valois e Roberto Fernandes – que foram prestigiar o evento e, claro, a indicação de Acosta a dois prêmios: melhor atacante e craque do campeonato. Dizem os boatos que eles aproveitaram para sondar alguns reforços, para o alvirrubro.

    A torcida carioca também se fez presente. Torceu pelo Flamengo. Vasco. Fluminense e Botafogo. Mas só o torcedor rubro negro é que pode vibrar nos prêmios para Leo Moura, Ibson e para a própria torcida flamenguista.

    Os tricolores campeões brasileiros vibraram muito com 6 premiações (10 se contarmos as 03 de Rogério, 2 de Breno e a de campeão). Se fosse um prêmio de Oscar, o São Paulo seria o “Titanic” ou “O Senhor dos Anéis”, levando prêmios em todas as categorias.

    Já o torcedor do Náutico – único representante da região nordeste, presente a festa, aguardava com ansiedade a premiação dos melhores atacantes. Afinal, Acosta já tinha ganho uma “bola de prata”, pela manhã e podia sair vencedor na noite carioca.

    A festa corria solta. Toni Ramos e Marco Palmeiras apresentando, um a um, os ganhadores. Começando pelo vencedor da estatueta de bronze, passando pela de prata e chegando no tão esperado ouro.

    Muito samba, no meio do caminho e até algumas encenações, com um ator carioca, que surpreendeu, entrando no teatro, como se fosse um flanelinha bêbado. Meu filho não entendeu muito aquela cena e perguntava: “Cadê a polícia???”. O mesmo ator voltou ao palco, encenando uma mãe de atleta e fazendo minha esposa cair do sofá, de tanto ri, ao dizer que o seu “cabelo chupava a água” de tão ruim.

    Finalmente, o anuncio tão esperado (pelo menos pelos alvirrubros). Como os indicados a craque da competição tinham vencido o premio de suas posições (Rogério e Valdívia), crescia a chance do uruguaio.

    Quando os apresentadores chamaram os indicados para atacante, minha esposa, incorporada do espírito de Glorinha Kalil foi logo criticando o estilo “tranqilo” de Acosta. Que nada! Acosta é assim mesmo. Com o indefectível chapéu de turista americano, com um camisão branco e calça jeans, o gringo não conseguiu disfarçar (mais uma vez) que era Acosta.

    E o tranqüilo Acosta, ladeado de Dagoberto e Leandro Amaral, aguardava o anuncio, com o número 25, às costas de seu cabelo. O atacante do São Paulo foi agraciado com o bronze. Mais do que esperado. E, quando o vascaíno foi anunciado com a prata, confesso que pulei do sofá, como se tivesse sido um gol do Náutico. Gol de Acosta. O vigésimo gol do uruguaio na competição. Aquele “unzinho” que ficou faltando (não fosse o pênalti perdido, contra o América-RN).

    “Acosta! Acosta! Acosta!” “N-A-U-T-I-C-O”. Não resistimos, lá em casa. Toda família vibrava com a conquista do gringo. E nem a perda de outros troféus, pelo gringo, como o de artilheiro e de craque, foram sentidas. O camisa 25 do Náutico tinha levado o nome do clube pernambucano ao lugar mais alto, na premiação dos melhores do campeonato. Repetiu Bizu, que em 1989 levou o nome do Náutico a evidência – também, como um dos melhores da posição de ataque. Alias, o Náutico já começa a despontar como um clube que privilegia os atacantes. Naquele ano, também foi um dos melhores ataques e teve uma das defesas mais vazadas.

    Na noite de gala do futebol brasileiro, não faltou o nome do Náutico, na festa. Mais que merecido. Não faltou o vigésimo gol do nosso artilheiro Acosta.

  7. 03/12/2007

    Ano difícil, com final feliz


    O champanhe pipocava nos vestiários alvirrubros. A festa de final de campeonato, com a meta alcançada era merecida. A vitória final sobre o Flamengo, com um gol de Sidny coroava uma trajetória complicada, de superação. Na base da garra, da vontade. E como disse o presidente Valois: “de homens”.

    Afinal, vencemos o campeão (São Paulo), o vice (Santos) e o terceiro colocado (Flamengo). Não perdemos para nenhum dos clubes que foram rebaixados (Corinthians, Juventude, Paraná e América-RN). Tivemos o segundo melhor ataque da competição, com 66 gols (o Cruzeiro foi o melhor, com 73). Tivemos o vice-artilheiro do campeonato (Acosta, com 19 gols). E vencemos 14 vezes. Tanto quanto o Sport, Figueirense, Atlético-PR e Botafogo (14 vitórias).

    Utilizamos 04 goleiros na competição. Começamos com Gleguer. Não falhou contra os 04 times que jogou (6 gols nas 4 partidas), mas escorregou ao não aceitar o banco, para Fabiano, na partida contra o Paraná e foi dispensado, em seguida. Fabiano mostrou ser um bom goleiro, apesar de sofrer, de cara, 4 gols, contra o rebaixado Paraná. Sofreu 28 gols, em 16 jogos. Machucou-se contra o Atlético-PR, em Curitiba e retomou a posição, exatamente contra o Furacão, nos Aflitos (numa goleada por 5 x 0). Fez defesas fantásticas na derrota para o Figueirense, mas foi decisivo mesmo, contra o Corinthians, no jogo dos Aflitos (vitória por 1 x 0). Eduardo já era ídolo desde o ano passado, quando levou o time, para a primeira divisão. E ao estrear contra o Corinthians, no Pacaembu (3 x 0), mostrou a qualidade de sempre. Passou segurança a defesa e a torcida. Participou de 15 partidas (sofrendo 22 gols) e só saiu machucado. Só não voltou graças as boas atuações de Fabiano. E, por fim, Rodolpho. Titular absoluto na campanha de 2005, Rodolpho mereceu ser titular do time na primeira divisão. Quase um prêmio a este jovem atleta alvirrubro, que fez 04 partidas (7 gols sofridos). Mas Rodolpho se destacou no ano, ao tentar fazer um gol de falta e outro de cabeça, na final da Copa Pernambuco, mostrando muita vontade em ajudar o Náutico. A preparação destes goleiros foi importante. E Batista fez um grande trabalho.

    Sidny foi o responsável pela frase mais repetida nas arquibancadas: “DAÍ NÃO SIDNY”. Mas mostrou que os torcedores estavam errados. Tem mais é que tentar. E marcou 5 vezes, nas 31 participações. Foi quem fez o último gol alvirrubro em 2007. Um gol ao estilo Sidny – meio chique chique. Um matuto cabra macho, que mostrou o seu valor. Rafael Mineiro (com 4 participações), Deleu (13 jogos pela direita ou pela esquerda) e Baiano (que foi expulso contra o Sport, sua 4ª e última partida) também ocuparam a ala direita timbu.

    O imperador Julio César quase marca contra o Flamengo. A bola, caprichosamente tocou no travessão de Bruno. Tem problema não, Imperador. Se do outro lado, Sidny fez 05 gols, você equilibrou metendo outros 05 nos gols adversários (em 26 participações) , pelo lado esquerdo. Só que, 02 deles são inesquecíveis para a torcida. E até Hamilton marcou gols (02 em 17 jogos). Um contra o Corinthians e outro contra o Sport.

    Se a defesa foi uma das mais vazadas (63 gols), não pareceu ser por culpa de zagueiros como Everaldo, Vagner, Onildo ou Toninho, que se revezaram nos jogos alvirrubros. Começamos com Allyson (que até hoje torce pelo timbu, no Denizqualquercoisa, da Turquia). Em 10 participações, só saiu do timbu por conta da proposta irrecusável do time turco. Tivemos Cris em 6 jogos e o garoto-revelação Onildo, em 21 partidas (um gol inesquecível contra o Grêmio, no Olímpico). Mas foram Toninho (que começou mal contra o Botafogo, no Maracanã, mas firmou-se como um grande zagueiro, ao longo da competição), com 25 jogos, Everaldo (com 18 partidas) e Vagner (12 jogos) quem mais participaram no revezamento, Muitas vezes forçados – como a injusta suspensão de Vagner.Ainda participaram na zaga, o jovem Breno (4 jogos), Valença (2 partidas – uma delas fantástica, contra o São Paulo) e Marquinhos (2 jogos).

    Elicarlos vai deixar saudades. Aliás, já deixou. Com seu jeito menino, vira uma fera, na frente de atacantes adversários e toma a bola, quando estes menos esperam. Um grande campeonato de uma grande volante. 34 participações e 1 gol (contra o Santos). Daniel Paulista, nosso capitão merecia erguer um troféu. Técnico, foi decisivo em muitas partidas. Especialmente contra o Corinthians. 29 participações, pois estreou apenas contra o Botafogo. Ainda jogaram Vagner Rosa (12 jogos e apenas 2 derrotas – quase um talismã), Tales (8 participações e 02 golaços de falta) e Daniel Sobralense (9 jogos). Mas Radamés foi o coringão. Jogando em 19 jogos, foi volante, ala e meio de campo.

    Geraldo foi contratado com um contrato de risco. E quem não arrisca, não petisca. A torcida timbu petiscou muito. Geraldo foi o maestro no meio de campo timbu. Fez um golaço contra o Goiás e serviu Acosta e demais companheiros em outros tantos. Em 19 partidas, fez 5 gols e foi o diferencial no meio de campo. Marcelo Silva era o substituto eventual, com 15 participações (1 gol contra o Paraná) e Helton o futuro (com 3 boas apresentações). Ainda jogaram Marcel (7 jogos), Thiago Laranjeiras (1 partida) e Dejair (5 jogos e 1 gol).

    O ataque começa com a letra A. De Acosta. Número 25. Nunca na história recente do Náutico ouvi ou vi algo assim. Um uruguaio fazendo a festa. Entrando com um número diferente. E sendo ídolo no time. Acosta participou de 31 jogos e só não fez mais que os 19 gols, porque foi expulso 4 vezes na competição (em pelo menos 1, injustamente). Senão, seria o artilheiro do Brasil.

    Felipe foi o vice-artilheiro do time com 10 gols, mesmo tendo participado, sem muita condição física, em 25 ocasiões. E Ferreira foi o pivô – o homem de área, que fez um golaço de letra, contra o Juventude e outros (4 ao todo) na competição, em 12 jogos. Marcelinho não repetiu as atuações que o levaram a titular, mas foi um dos que mais jogou (30 jogos), marcando 2 vezes. Kuki também esteve neste time. Foi em 10 partidas. Não se houve bem, numa época que o Náutico não estava bem e foi para o Santa Cruz. Ainda participaram Beto (4 jogos), Saci (7 jogos), Maurício (3 partidas), Almir Sergipe (1 jogo) e Serginho Baiano (4 partidas), todos sem balançar as redes.

    Por fim, Roberto Fernandes foi o cabeça. O homem que mudou a história deste time, na competição. Mudou a mentalidade de jogar. Fez a diferença e a cara do Náutico passou de um time rebaixado a um vencedor e respeitado. Com 30 partidas, teve um aproveitamento de 47% deixou o Náutico na primeira divisão, auxiliado por Luiz Muller, Guilherme Ferreira, Zé do Carmo, Guilherme, Cleber Queiroga, Ricardo, Araponga, Alexandre, Evandro, Dr. Paulo Regueira, Fábio, e tantos outros componentes da comissão técnica.

    Este foi o Náutico na primeira divisão, em 2007. Que venha 2008.

  8. 01/12/2007

    Resumindo...

    A derrota naquela noite de junho, era o fim de uma campanha que envergonhava toda a família vermelha e branca. Apenas 1 vitória contra o São Paulo, em 8 partidas disputadas, deixava o Náutico numa briga ponto a ponto com o América-RN, contra o rebaixamento. Afinal. O aproveitamento de 20% (5 pontos conquistados, entre 24 disputados) era ridículo.

    E todos apontavam o Náutico como rebaixado, ao lado de América-RN e outros 02 (que variavam entre outras 05 equipes). Era impossível não “credenciar” o alvirrubro como um dos “favoritos” a serie B, naquele momento.

    No jogo seguinte, em Curitiba, já estávamos sob o comando técnico, do pernambucano Roberto Fernandes, cuja maior virtude, na época (pelo menos para os que não o conheciam) era ser alvirrubro, de coração! Torcedor do Náutico!

    Com Beto, algo começou a mudar. Deixamos de perder fora de casa. Empates contra Atlético-PR e Juventude e vitórias contra o Corinthians e Santos davam outra visão e perspectiva para uma equipe que tinha perdido todos os jogos, longe dos Aflitos, até então.

    Mas a vitória, nos Aflitos, mesmo com RF, teimava em não aparecer. Foram derrotas seguidas no Eládio de Barros Carvalho. Só contra o Figueirense conseguimos os primeiros 03 pontos, em casa após 7 tentativas frustradas (foram empates contra o Vasco, Paraná e Fluminense e derrotas para o Goiás, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio).

    O jogo contra o Flamengo, no Maracanã, fora de casa, encerrava uma serie de 05 jogos invictos fora de casa (empates contra o Atlético-PR e Juventude e vitórias sobre Corinthians, Santos e América-RN). E encerrava, também, um primeiro turno, bem abaixo das expectativas. 35% de aproveitamento. Uma pequena melhora sob o comando de Roberto Fernandes. Mas apenas 02 vitórias nos Aflitos, em 9 jogos, era temerário.

    O aproveitamento seguiu piorando, no inicio do segundo turno, com uma derrota, logo de cara, para o Atlético-MG. 30% de aproveitamento em casa. 2 vitórias, 3 empates e 5 derrotas em 10 partidas no caldeirão – que esta altura havia queimado os próprios temperos e seu “cozinheiro”.

    As goleadas sofridas, para São Paulo e Vasco, em seguida, maculavam ainda mais as esperanças alvirrubras. Deixamos de vencer fora de casa. Eram 03 derrotas seguidas, agora. Nem Roberto Fernandes daria jeito.

    Era o que parecia. O empate contra o Internacional, nos Aflitos, então, diminuíam para 27% o aproveitamento em casa. 2 vitórias em 11 jogos !! Mas o que parecia ser uma continuidade, se revelou o início da grande reação alvirrubra.

    Era o segundo momento decisivo para fugir do rebaixamento. Se, por um lado, era mais um jogo sem vitória, em nossos domínios, também era um jogo sem derrota. O primeiro numa seqüência decisiva de 06 partidas sem perder para ninguém. Vitórias convincentes. Fora e dentro de casa. 4 x 2 no Paraná (na Vila Capanema), 4 x 1 no Botafogo (nos Aflitos), 3 x 0 no Goiás (no Serra Dourada), 2 x 0 no Sport (nos Aflitos) e 5 x 0 no Atlético-PR (nos Aflitos).

    E mesmo conquistando 16 pontos, nos 06 jogos, ainda estávamos envoltos com a zona de rebaixamento. Mas, todos já nos viam com outros olhos. Não éramos mais favoritos a serie B. Vencemos o Juventude, em casa e empatamos com o Cruzeiro, no Mineirão. A estrela de Acosta começou a brilhar. E, mesmo desfalcado do uruguaio contra o Corinthians, vencemos por 1 x 0, no apagar das luzes, com um gol, nos descontos. De pênalti (no mesmo gol que Ademar perdeu em sua famosa cobrança).

    Até a derrota para o Grêmio, no Olímpico foi recebida com orgulho pelos alvirrubros, pois o time jogou bem. Lamentamos a derrota seguinte, para o Santos, em casa (a 6ª ), mas reconhecemos que o time jogou bem. Bem diferente da partida contra o Fluminense e Figueirense, fora de casa – duas das piores apresentações na competição. Mas a vitória sobre o América-RN, entre as piores apresentações da equipe, já tinha garantido os 46 pontos e a permanência na primeira divisão.

    Por sinal, os pontos conquistados contra os “adversários diretos” foram fundamentais – demonstrando o dedo do técnico Roberto Fernandes, que sempre tocou nesta tecla. Vencemos (02 vezes) o Dragão potiguar. Vencemos e empatamos com o Juventude e o Paraná. Vencemos (02 vezes) o Corinthians. E vencemos e perdemos para o Goiás (único que conseguiu nos vencer dentre estes “adversários diretos”). Ou seja, permanecemos a frente de todas estas equipes com os resultados conquistados contra elas – o que garantiu que ficássemos a sua frente.

    A permanência na primeira divisão foi o que foi prometido pela diretoria. E esta cumpriu sua parte. Com 1 rodada de antecedência. O torcedor alvirrubro chega a última rodada, sem estar aflito. Tranqüilo e sereno. Aliviado, talvez seja a palavra mais apropriada, depois de um campeonato onde sempre estivemos com a corda no pescoço e, mesmo assim, nunca faltou chão.

    A permanência na primeira divisão se dá, graças a Diretoria, que soube agir no momento certo. Que apostou em Acosta (quando todos queriam sua cabeça, após a expulsão contra o Sport). Que apostou em Geraldo (quando o time rubro negro o dispensou). Que apostou em garotos como Onildo, Sidny, Elicarlos. Que acreditou em Julio César, Radamés, Daniel Paulista, Fabiano, Marcelinho, Ferreira, Everaldo, Toninho. Que trouxe de volta Felipe.E, principalmente que acertou, em cheio na contratação de Roberto Fernandes.

    A permanência na primeira divisão se dá, graças aos atletas. Que acreditaram em seu potencial. Que, mesmo quando todos criticavam, não baixaram a cabeça e foram atrás dos resultados. Se só faziam perder fora de casa, passaram a ficar invictos durante 05 jogos, longe dos Aflitos. Se não ganhávamos no Eládio de Barros Carvalho, passamos a vencer os jogos aos olhos da nossa torcida.

    A permanência na primeira divisão se deu graças à torcida. Que incentivou o time, e tornou o estádio dos Aflitos num caldeirão. E mesmo fora de casa, esteve presente. Em todos os jogos do timbu, mesmo bem longe do Recife, sempre havia torcida vestida em vermelho e branco.

    A permanência na primeira divisão se deu graças à comissão técnica. De profissionais como Guilherme, Batista, Evandro, Araponga, Pirata, Alexandre, Ricardo, Muller, Zé do Carmo, Coronel Vulpian, Rafaela Queiroz, Dr. Paulo Regueira, Dr. Fábio e tantos outros. Competência para trabalhar com cada um dos responsáveis pela reação alvirrubra.

    A permanência na primeira divisão se deu graças à Roberto Fernandes, que implantou seu estilo de jogar, nesta equipe. Que ganhou quando e onde tinha que vencer. E perdeu, mesmo jogando bem, em determinados momentos – deixando a sensação de dever cumprido.

    A permanência na primeira divisão, enfim, se deu, pela força deste clube e de todos que o fazem. De seu torcedor, diretor, presidente, vice, funcionários e atletas. Pois assim é o Náutico. Um grupo unido, em prol das cores vermelha e branca. Sempre.

  9. 30/11/2007

    Hexa x Penta

    Mesmo que a vitória não nos leve para a sulamericana. Mesmo que a derrota não nos leve para a segunda divisão. Mesmo que ninguém nos passe ou não passemos ninguém na tabela. Mesmo que o 15º lugar esteja carimbado – assim como a vaga na primeira divisão, em 2008. É jogo para lotar os Aflitos.

    Afinal, é o último jogo do timbu, em 2007. Último jogo nos Aflitos, no ano. Depois, só em janeiro, pelo estadual. Muito tempo sem ver o alvirrubro. E quem gosta de ver o Náutico jogar tem uma última oportunidade em ver a equipe em campo.

    Afinal, é um jogo onde Acosta tem que jogar tudo que sabe, para garantir a artilharia da competição. Precisa de 1 gol para igualar-se a Josiel (desde que o paranista não marque gol contra o Vasco, em São Januário) e consagrar-se artilheiro do campeonato brasileiro, em 2007.

    O uruguaio ainda briga por alguns prêmios, como melhor atacante e melhor jogador da competição. Seus principais concorrentes vêm jogando bem, nos últimos jogos, obrigando o gringo jogar mais do que jogou nas partidas pelo timbu. Leandro Amaral, do Vasco, foi um dos destaques do clube carioca, contra o Corinthians. Kleber Pereira, do Santos, fez 03 gols contra o Paraná. Enquanto isto, Acosta foi apagado contra o Figueirense. Por isto, é a grande oportunidade de Betito em manter as mãos nos prêmios.

    Afinal, é um jogo contra o Flamengo. O primeiro pentacampeão brasileiro!!

    Em 24/01/82, no estádio José do Rego Maciel, houve um encontro entre essas duas equipes. Logo depois da conquista do mundo, pelo clube carioca. O Flamengo, em campo, com Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Junior, Andrade, Adílio, Vitor, Zico, Lico e Nunes, comandado por Paulo César Carpeggiani. Ou seja, o melhor Flamengo da história.

    O Náutico com Jairo (que foi do Corinthians e Coritiba), Carlos Alberto Rocha (o baixinho), Dimas e Douglas (a dupla D-D), Carlinhos, Lourival (este estava em campo em todos os grandes jogos do timbu), Luciano, Brás, Porto, Heider e Lupercínio, sob o comando de Pepe (aquele do Santos de Pelé).

    Um público de 31.661 torcedores viu um grande espetáculo. Ninguém acreditava que o Náutico poderia tirar pontos do campeão do mundo. E a incredibilidade aumentou quando Leandro abriu o placar, aos 9 minutos, para o Fla. Todavia, o zagueiro Douglas empatou aos 19 minutos da etapa inicial, que terminou com o placar igual, em 1 gol.

    Ao retornarem, do intervalo, as equipes entraram em campo para protagonizar um espetáculo inesquecível. Logo aos 3 minutos, Heider desempatou para o timbu. E 03 minutos depois, ampliou a vantagem alvirrubra, para delírio dos torcedores, no Arruda.

    Mas, do outro lado estava o Flamengo, de Zico. E com o próprio Galinho em campo. Lico diminuiu aos 12 minutos. E Zico passou a desequilibrar. Fez o gol de empate aos 24 e o da virada, aos 29. 4 x 3, num jogo fantástico, onde nenhum torcedor alvirrubro saiu insatisfeito de campo. A derrota tinha sido para o recém campeão mundial, com o time completo. Com Zico, Junior, Leandro e todas as estrelas. E o Náutico tinha dado muito trabalho. Tinha sido um adversário a altura. Sem dúvida, um jogo sensacional.

    O encontro entre essas duas equipes, remonta vários jogos. Mas apenas 02 vitórias alvirrubras. A primeira em 75 (1 x 0) e a segunda, em 84 (2 x 1). Ambas disputadas no Arruda. Nos Aflitos, foram apenas 2 jogos (90 e 92). Dois 0 x 0.

    O pentacampeão brasileiro vem à Recife já garantido na Libertadores. Já o Náutico, está garantido na primeira divisão. Podem, portanto, fazer um jogo aberto. Buscando o gol. Como foi aquele encontro de 82. Um grande jogo, onde ninguém vai querer deixar de comparecer aos Aflitos. Afinal é o hexacampeão pernambucano contra o pentacampeão brasileiro.

  10. 29/11/2007

    O poder do Jair!

    Pela primeira vez no ano, não tive como acompanhar um jogo do Náutico. Por necessidade profissional, estava a bordo do vôo 1712, da Gol, oriundo do Rio de Janeiro, sobrevoando as terras brasilis, exatamente na hora em que o timbu pisava no gramado do Orlando Scarpelli.

    Por coincidência, o único jogo que não vi, no ano (mas acompanhei pelo rádio), também foi no sul do País. Também foi contra uma equipe comandada por Alexandre Gallo (o Inter, na época). E, também, foi uma derrota – também, por 2 x 0.

    Quando fui designado para uma audiência, em Campinas-SP, observei que a conexão, no Rio de Janeiro, não iria me permitir ter o prazer de ver as camisas alvirrubras, na televisão. Fiquei com uma ponta de esperança, quando observei, que o vôo atrasaria, indefinidamente e que as televisões da praça de alimentação do aeroporto iriam passar um Corinthians x Vasco. Assim, poderia ver, pelo menos os gols da partida de Floripa. Mas a chamada – quase incompreensível – do alto falante do Galeão, me tirou todas as aspirações.

    Menos mal que a derrota para o Figueira não tirou a vaga do timbu para a primeira divisão, em 2008. E graças ao trabalho de Jair. O cara tem um poder mental extraordinário! Garçon do restaurante “Empório do Nono”, no campus universitário, da Unicamp, ele leva as comidas para os clientes, antes mesmo que os pedidos sejam feitos.

    “Jair! Eu quero um....” e o bacalhau (borbulhando no prato, ao lado de uma batata deliciosa) já está na mesa, antes que ele termine a frase.

    Eu não tinha noção deste poder, do Jair. E não sei como é que ele consegue. Talvez o boné, no estilo italiano, quadriculado e cheio de botons seja o segredo. Não sei ao certo. Mas, assim que fui apresentado ao simpático profissional do gourmet, ele foi logo dizendo: “Você é torcedor do Náutico?”.

    Fiquei boquiaberto. Ele nunca me viu na vida. Quais as chances de uma pergunta dessa ser feita, em Campinas, para mim? Mesmo assim, não prestei muita atenção, para o fato, naquela ocasião.

    Sentado à mesa com meu primo Wilson (médico em Campinas), minha tia Dulce (em visita ao filho) e a dupla Sucrilho (também de Recife e, evidentemente, torcedor do Náutico) e o carioca Brahma (torcedor do primeiro pentacampeão brasileiro). E, claro, o bacalhau do Nono.

    Por sinal, agora que me toquei. Quando entramos no Nono, Jair foi logo dizendo: “Hoje é dia de bacalhau”. Haja poder mental!! Sem dúvida, o bacalhau fez a festa no Pacaembu. E vi que também havia um galo ou galinha, na mesa de junto, servida pelo Jair, numa clara alusão a vitória do Galo em cima do Goiás. Do jogo do Náutico, Jair não falou nada. Talvez porque ele soubesse que não seria o único que não poderia ver o Náutico jogar. Todos os torcedores que acompanharam o jogo, não viram o Náutico entrar em campo, pelo que soube. E o resultado foi uma merecida derrota para Galo.
    Menos mal que o outro galo também ganhou e que o poder de Jair fez com que não só dia fosse de bacalhau, mas também a noite. E o Náutico se garantiu, mesmo com a derrota, na primeira divisão em 2008, com o também garantido 15o lugar.

Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).

2000-2007 Globo.com. Todos os direitos reservados.