História de poucas páginas.
Náutico e Figueirense só haviam se enfrentado 1 única vez, em disputas oficiais, envolvendo primeira divisão. Foi no Orlando Scarpelli, num 14/09/75. O Náutico entrou em campo com Neneca, Miguel, Djalma Sales, Sidclay, França, Pedro Omar, Vasconcelos, Baiano, Betinho, Jorge Mendonça e Lima. O técnico era o “titio” Fantoni, campeão pernambucano em 1974. O Figueira fez 1 x 0, com Toninho, aos 11 do segundo tempo. O dedo de Fantoni foi fundamental. Dedeu entrou no lugar de Lima e empatou o jogo, aos 36 da etapa complementar, e o Náutico trouxe um pontinho precioso de bela Floripa.
Com apenas 1 jogo na história, entre ambos, em 2007, o alvirrubro e alvinegro começaram a mudar esta tradição, e já se encontraram 03 vezes. Pela Copa do Brasil, foram 02 jogos. No primeiro, nos Aflitos, empate em 2 x 2. O timbu fez 2 x 0 (com Beto e Deleu), mas cedeu o empate, numa noite inspirada de Vitor Simões, que marcou duas vezes.
Parecia que o jogo seria fácil e o time pernambucano iria se dar bem. Os dois gols marcados, logo aos 12 e 16 minutos da etapa inicial, porém, serviram para relaxar a equipe comandada por PC Gusmão, que ia ao ataque sem se preocupar com os contra ataques alvinegros. Gleguer, Sidny, Cris, Alysson, Deleu, Elicarlos, Vagner Rosa, Cristian, Acosta, Beto e Felipe participaram daquela partida que terminou empatada, diante de um público de 14.539 pessoas.
No jogo da volta, em Floripa, era necessária uma vitória para classificar o timbu, para as semifinais da Copa do Brasil. Ou um empate acima de 2 gols. Mais uma vez, Vitor Simões foi o carrasco alvirrubro. E fez um gol de cabeça. O Náutico marcou 4 vezes. O juizão, Heber Roberto Lopes anulou os 4 gols. E 11.770 torcedores do Figueirense puderam comemorar a classificação para a fase seguinte da Copa do Brasil.
O último encontro entre as duas equipes aconteceu neste brasileirão, pelo primeiro turno. Já sob o comando de Roberto Fernandes, o time entrou em campo, nos Aflitos, com Eduardo, Onildo, Vagner, Daniel Paulista, Sidny, Elicarlos, Radamés, Hamilton, Acosta, Felipe e Ferreira, diante de 11.208 pessoas.
O uruguaio marcou logo aos 9 minutos e voltou a balançar as redes adversárias, aos 39 da etapa inicial. Tales (que entrou no lugar de Onildo) marcou um golaço (de falta, claro), aos 44, ainda no primeiro tempo. Com 3 x 0, mais uma vez o timbu relaxou. E o Figueirense começou a reagir. Otacílio Neto marcou logo aos 3 da etapa final. Desta vez, entretanto, não deu para o time catarinense. E Felipe marcou o quarto gol, aos 24 minutos. Peter ainda fez o segundo gol da equipe que ainda era comandada por Mário Sérgio.
Na quarta-feira voltarão a se enfrentar num jogo que para o Náutico vale a briga pela fuga definitiva do rebaixamento. Neste sentido, pode até perder, desde que o Goiás empate ou perca para o Atlético-MG, no mesmo horário, no Mineirão ou se o Corinthians perder para o Vasco, no Pacaembu, também em jogo simultâneo.
Mas o timbu ainda pode brigar por uma vaga na Sulamericana. E neste sentido, o Figueirense passa a ser adversário direto – como diria Roberto Fernandes. A julgar pelos resultados contra os chamados “adversários diretos”, conquistados pós-RF, a torcida timbu pode começar a se animar. Uma coisa é certa: será um grande jogo entre estas duas equipes – como foram as outras partidas em 2007.
Uruguai sentiu a ausência de Acosta
Se pudéssemos ver aquele recurso utilizado no “fantástico” de leitura labial, com certeza, poderíamos ver o técnico Oscar Tabarez comentar com o auxiliar técnico: “Por que non convoquei o Acosta?”.
Agora é tarde, Tabarez. A “Inês é morta” e o Acosta está bem vivo, depois do acidente de carro. Pronto para entrar em campo, pelo Náutico, contra o Figueirense, exatamente na próxima quarta-feira.
Assisti o jogo ao lado de um uruguaio, em sua casa. Salgadinho na mesa, suco de laranja e crianças no quarto – para não atrapalhar. O uruguaio, claro, torcendo pela celeste, envolto a uma bela bandeira listrada em azul e branco e um sol amarelo no canto esquerdo de cima.
O Brasil completo, com Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho – além de Luiz Fabiano, no lugar de Vagner Love parecia que iria detonar os gringos. “Vamos ganhar”. E o uruguaio me dizia: “tiene calma. La mística celeste es potente”.
E não é que o vizinhos do sul estavam bem melhor que a canarinha? Marcando a saída de bola tomaram a bola duas vezes de um apagado Ronaldinho e, na segunda oportunidade abriram o placar com Abreu. Uruguai 1 x 0. Merecidamente.
E poderia ter sido mais. O Brasil perdido em campo. Sem estilo de jogo. Sem saída de bola. O trio de craques Kaká-Robinho-Ronaldinho eram os piores em campo.
Se pudéssemos ver aquele recurso utilizado no “Fantástico”, de leitura labial, com certeza, poderíamos ver o técnico Dunga comentar com Jorginho: “Por que não convoquei o Elicarlos?”.
Sim porque Elicarlos está jogando muito mais que Gilberto Silva. E com Josué faria uma grande dupla. Como seria fenomenal ver estes dois atletas oriundos do futebol pernambucano, formando a dupla de volantes da seleção! Ambos com origem no Porto, de Caruaru.
O uruguaio jogava um amendoim na minha cabeça e chamava a atenção para seus jogadores. “Mira, Milton! Mira! El Soarez. El Gonzalez! Que maravija!”. E, de fato, os uruguaios dominavam as ações. Julio César fazia a torcida esquecer dos protestos pró Rogério Ceni (que acho uma injustiça não fazer parte do grupo), com uma atuação impecável. Era o nome do jogo!
Era. Até brilhar a estrela de Luiz.....Fabiano! O cara não tava nem convocado. Foi chamado por causa da contusão de.....de quem mesmo? E entrou como titular, no jogo certo. No estádio que mais se ouvia o refrão “Luiz....Fabiano!”. Empatou a partida, ao apagar das luzes, no primeiro tempo. Tudo bem que o goleirinho platino contribuiu. Mas brilhou a estrela do atacante brasileiro.
E continuou brilhando, com mais um gol, num erro grosseiro do lateral Gilberto – que chutou a gol, e errou, por muito o alvo. A bola sobrou exatamente onde estava o artilheiro, que, no melhor estilo “Acosta” virou o jogo. Brasil 2 x 1.
O Uruguai voltou a pressionar e merecia até um placar melhor. Mas faltou um definidor. Um jogador como Betito, para empurrar para o gol brasileiro as mil e uma bolas alçadas na área (e todas ganhas pelos atacantes celestes). Melhor para Julio César que dividiu com Luiz Fabiano a glória de ser um dos nomes do jogo.
Fim da partida. O Brasil de Dunga segue invicto e 1 ponto atrás da Argentina. Todavia, ficou claro, nestes 4 jogos das eliminatórias que Kaká, Robinho e Ronaldinho Gaúcho só brilharam na partida contra o Equador (e mesmo assim no segundo tempo). Muito pouco para tanta estrela.
Enquanto isto, me despedi do meu amigo uruguaio. Um poquito decepcionado e fazendo suas as palavras do bom zagueiro Lugano. “O Uruguai jogo bien. Merecia um mejor placar”. Concordo. Mas, quem mandou Oscar Tabarez não levar Acosta????????
O sonho de uma criança
Noite de quinta-feira. Ah, sempre esperei por ela. Mais que as de sábado ou sexta-feira. Afinal, era naquelas noites que eu podia me tornar, por alguns minutos, um “jogador de futebol”. Podia correr. Podia chutar. E podia, até (raras vezes – no meu caso) fazer gol.
Como era boa a sensação de estar muito próximo de um sonho inatingível – ser um jogador de futebol. O sonho de 8 em cada 10 garotos brasileiros. Só o fato de colocar uma caneleira. Colocar um meião e uma chuteira, dava este gostinho ao marmanjo que viu a juventude passar e o sonho ser sepultado, pelo caminho.
Ah, noite de quinta-feira!
Quando menino, na praia do Janga, nas temporadas de férias, toda noite era de pelada. Na areia. Na casa de “Tio Horácio” e, depois, principalmente, na casa de “Zé Moacir”. Bastavam os refletores serem acessos, que a gurizada pulava o muro para embates onde não havia como saber quem era de que time. Mas todos que estavam jogando sabiam. Ah, como sabiam. Não havia como errar.
No campo de barro de “Zé Moa” eu e meu primo Eduardo éramos os melhores. E o entrosamento fazia com que as jogadas fossem próximas da perfeição. Os garotos locais não eram páreos. A ponto de, muitas vezes, termos que jogar em times diferentes, para “equilibrar”.
A dupla era repetida, todos os dias, ao longo do ano letivo, no extinto colégio Pedro Augusto, na Rua do Espinheiro. Com Herculano, Bira e Ciro (no gol) – além de Manoel Lira. Um time encardido. Que tinha em Herculano e Bira uma dupla melhor que eu e Eduardo. Era uma quadra precária, onde junto com a linha lateral, acabava, também, a própria quadra de cimento, com um desnível que causava contusões a cada jornada esportiva – invariavelmente.
Foi no Pedro Augusto que vesti, pela primeira vez um uniforme. Herculano levou um padrão do São Paulo e disputamos com os professores uma partida memorável. Tito Lívio, Eduardo Paladino, Celso. Acho que perdemos, pois não me lembro o resultado do jogo.
Cheguei a tentar a sorte no meu Náutico. Participei de uma peneira com o técnico da base, de nome Jonas. Fui reprovado, na primeira tentativa. No ano seguinte, voltei e, mudei de posição. Deu certo e Jonas mandou eu voltar para os próximos treinos. O colete cinza com o numero 6, e as iniciais “CNC”, estavam na minha mão. Parecia um troféu. Eu confesso que demorei para devolver ao roupeiro (acho até que era o velho Araponga).
Alguns dias depois, quando meu pai descobriu a minha façanha, me fez desistir do sonho. Eu nunca iria ganhar dinheiro com aquilo, ele costumava repetir (embora eu nunca tenha ficado rico, como advogado). E fui estudar direito, deixando para trás todo sonho de um garoto em, um dia, ver-se correndo pelos gramados dos Aflitos, com a torcida vibrando ao fundo. Parte deste sonho eu tinha tornado real. Afinal, participei de vários treinos no Eládio de Barros Carvalho. Conheço bem o gramado e seus atalhos. E conheço até algo que não existe mais – a pista de areia que rodeava o campo. Nela passávamos boa parte do treino. Correndo. Sob o sol escaldante (pois naquela época não existia CT e o treino era antes do treino dos profissionais).
Uma vez acordado de um sonho tão próximo, restaram às noites de quinta-feira.
Evidentemente, não poderiam ser longe dos Aflitos. Elas passaram a ser na quadra alvirrubra. Após os treinos de basquete, quando a quadra era liberada, por volta das 22h. Advogados e juizes disputavam a bola pequena em grandes peladas. Mas a bola teimava em cair nos buracos existentes nas velhas arquibancadas da quadra coberta, paralisando a peleja por longos minutos.
Da quadra alvirrubra para um campo de grama, num quartel, pela necessidade de se começar a disputa mais cedo – e pela certeza de termos um local para jogar (nem sempre tínhamos disponíveis uma das duas quadras, no Náutico). Os mesmos personagens. Berillo e seu irmão Sérgio. Ivan, Marcílio, Edmilson, Jaime, Jaiminho, Múcio. Todos ligados ao direito e ao futebol.
Com ânimos acirrados em algumas partidas, fomos obrigados a mudar de local, para não acabarmos as noites de quinta-feira detidos pelo exercito brasileiro. E fomos parar numa quadra de futebol society, em Boa Viagem. A pelada ganhava coletes e se tornava organizada.
Foi quando fui morar em Curitiba. Coincidentemente, lá passei a jogar, nas quintas-feiras. A convite do meu professor de Marketing Esportivo, da pós graduação. Mudei de posição e passei a ser líbero. E até me destaquei nos jogos, neste setor. O frio fazia sair do nariz uma fumaça. Mas nem dava para sentir, com o calor das partidas. Cheguei a disputar dois campeonatos pelo time do jurídico da empresa, no excelente campo do clube patronal. Num dos torneios, sofri uma contusão que fui parar no hospital, tendo que drenar o sangue coagulado no maior “mamão” que eu já tinha visto numa perna. Até hoje tenho a marca daquele dia.
Quando voltei para Recife, cheguei a jogar algumas peladas, nas manhãs de sábado, com o pessoal do escritório. E participei da primeira Copa Timbu (sendo eliminado pelo campeão, na primeira fase, pelo saldo de gols).
Desde então, não joguei mais. Apenas vejo os jogos do grandioso alvirrubro. A balança denuncia que as chuteiras foram penduradas há algum tempo. Mas basta um convite, que já separo minhas chuteiras. Afinal, o sonho de menino é aceso a cada chute. A cada bola disputada.
Jogar futebol é um prazer para mim. Algo que não tem preço. Acredito que deva ser assim também para os mesmos 8 de cada 10 garotos que conheci – ou mesmo os que eu nunca vi na vida. Afinal, deve ser sensacional entrar em campo e ser saudado por 10, 15, 20 mil torcedores no Eládio de Barros Carvalho. Deve ser de arrepiar vestir aquela camisa vermelha e branca e subir as escadas do túnel que vai dos vestiários ao gramado e ver, cada vez mais próximo, degrau a degrau, aquele mar de crianças que Sr. Maurício leva das sociais a porta de acesso ao gramado. Crianças que gostariam de ser como eles – um jogador de futebol. Um jogador do Clube Náutico Capibaribe.
Públicos em vermelho e branco
O Náutico tem condições de levar perto de 20 mil pessoas, em jogos nos Aflitos. Ou mesmo 44.424, como num Náutico 3 x 0 Palmeiras, disputado no Estádio do Arruda, em 17/04/83, pela primeira divisão.
A média de público do Náutico, nos últimos anos é a seguinte:
2005 – Série B = 16.293 por jogo
2006 – Série B = 9.893 por jogo
2007 – Série A = 13.360 por jogo
Pode parecer pouco, diante dos públicos registrados nos jogos do Flamengo, no Maracanã, mas é um grande número, em se verificando que Vasco x Atlético-PR e Vasco x Santos, em São Januário foram presenciados por apenas 2.182 e 2.379 pessoas, respectivamente, nesta serie A, em 2007.
Esta média atual do timbu, em casa, é maior que a de clubes como Botafogo (7.970), Santos (9.056), Fluminense (10.299), Goiás (10.305), Juventude (4.635), Figueirense (10.692), Paraná (10.919), Atlético-PR (11.567), Palmeiras (13.064) e dos rebaixados Santa Cruz (10.599), Fortaleza (11.786), Ponte Preta (5.706) e São Caetano (1.905), pelo brasileiro de 2006.
Também se mantém a frente de Atlético-PR (13.223), Paraná (12.558), Botafogo (11.980), Flamengo (11.799), Santos (9.877), São Paulo (9.788), Figueirense (9.302), Juventude (6.336), Ponte (6.045) e São Caetano (3.142), em 2005.
O maior público nos Aflitos, pela primeira divisão, em 2007 foi Náutico 1 x 0 Corinthians (19.880), seguido por Náutico 2 x 0 Sport (19.153) e Náutico 1 x 0 São Paulo (18.512). Casa cheia, parece ser sinônimo de vitória para o alvirrubro da Cons. Rosa e Silva. Jogos realizados à tarde.
O pior público foi registrado no empate contra o Internacional (1 x 1), no início da reação timbu (8.895), tendo um público um pouco melhor no jogo contra o Cruzeiro (1 x 4), pelo primeiro turno (9.525). Em jogos noturnos.
Depois da vitória do timbu, na estréia, nos Aflitos, sobre o campeão brasileiro São Paulo, esperava-se um público maior ainda, contra o Vasco. Mas caiu de 18.512 para 15.503. Da mesma forma, depois de vencer o Corinthians, tivemos uma queda de 19.880 para 15.252 (contra o Santos) e depois para 14.698 (contra o América-RN).
Fora de casa, o Náutico chegou a ser uma atração a parte. No jogo contra o Grêmio (36.101) e contra o São Paulo (40.029). Os gaúchos queriam ver o Gre-Nau, pela primeira vez, desde 2005, em Porto Alegre. E os paulistas, o time que bateu o poderoso tricolor, no primeiro turno, numa espécie de revanche. O Flamengo levou 34.457 ao Maracanã. O Cruzeiro 26.727 e o Botafogo 25.967.
Entretanto, apenas 2.086 enfrentaram o gelo, em Caxias do Sul, para ver Juventude 1 x 1 Náutico. E 2.742 viram o Goiás perder por 3 x 0 para o timbu. Quem não foi incentivar seus times contra o Náutico, se deu mal. O Paraná (3.531) perdeu (2 x 4). Assim como o América-RN (4.398), que foi goleado (1 x 5). O Atlético-PR (4.998) terminou empatando (1 x 1). E até os Santistas que não foram incentivar o Peixe devem ter se arrependido, pois o Náutico aproveitou-se desta ausência (8.321) e sapecou uma derrota para o time de Luxemburgo, por 2 x 1.
Por isto, o jogo contra o Flamengo, independentemente do jogo contra o Figueirense, deve aumentar a média de público alvirrubra, em casa. É o que se espera. E, como já vimos acima, quanto mais público tiver nos Aflitos, melhor para o Náutico.
Tranqílo
A última vez que vi Betito, ele estava saindo das cadeiras, do Eládio de Barros Carvalho, onde assistiu o primeiro tempo do jogo entre Náutico x Sport (final da Copa Pernambuco), ao lado de Felipe e Fabiano, para se encontrar com Geraldo e Batata, nas sociais.
Usando o já famoso boné de turista “americano” que esconde a cabeça, mas deixa o palmo de nariz para fora – que o denuncia ao torcedor menos atento, com aquela figura alta e magra, circulando pelos Aflitos.
Depois do jogo (onde os companheiros Rodolpho, Deleu, Onildo, Ricardinho Rocha, Hamilton, Totó, Vagner Rosa, Marcelo Silva, Dejair, Maurício e Reinaldo, além de Helton, Danilo Lins e outros estavam em campo), segundo soube, Acosta foi jantar fora, em um restaurante, nas imediações.
Ao acordar, no dia seguinte, fui surpreendido com a notícia que o uruguaio tinha sido vítima do caótico trânsito do Recife. O mesmo trânsito que já vitimou todo tipo de gente (famosa e anônima), na cidade, deixou o novo ídolo alvirrubro desacordado, por causa de uma pancada na nuca – que resultou num corte (e pontos).
Com os semáforos desligados (para evitar assaltos, à noite), foi inevitável o impacto entre o carro de Acosta e outro – que passaram em sentidos cruzados, sem a devida atenção. Com a batida, o veículo do gringo foi jogado para a direção de um muro e um poste.
Tirado, competentemente pelo Corpo de Bombeiros – que tiveram um excelente desempenho nas suas funções, o atacante alvirrubro foi encaminhado ao hospital Português. Lá recebeu todos os cuidados e realizou todos os exames que constataram não haver nada mais sério.
Acosta, entretanto, teve que ficar sob observação, por conta da pancada na cabeça. Mas, segundo os médicos, está tudo bem e sequer deverá desfalcar o Náutico, nos jogos contra o Figueirense (em Floripa) e Flamengo (no caldeirão), graças aos quase 15 dias até o próximo jogo.
Quem não está tranqüilo é Josiel – que sabe que Acosta não dará trégua, nesta reta final, pela artilharia da competição. Tranqüilo mesmo só a torcida do Náutico, após o susto. Tranqílo, Tranqílo.
O aniversário de Horácio
Horácio foi ver o jogo, no sábado. Era seu aniversário. 71 anos de vida. E, como sempre, foi para as sociais. Chegou 1 hora antes, vestindo sua camisa vermelha e branca, tradicional, em listras verticais. Ele que viu o Hexa. Que viu Salomão, Nado, Bita, Lula, Lala, Ramos, Gena. Viu Jorge Mendonça, Baiano, Bizu e Kuki.
No caminho das sociais, encontrou vários conhecidos. Falou com uns e até parou para conversar com outros. Continuou a andar, até chegar no seu “lugar cativo”, próximo a bandinha, que toca frevo, nos jogos do timbu.
Sem a companhia de suas filhas (que costumam ir ao jogo nos Aflitos), Horácio sentou-se, na arquibancada e tirou os óculos, para ver melhor o movimento ao redor. As sociais dos Aflitos estavam lotadas. Um local privilegiado, atrás dos bancos de reservas, dá para “conversar” com os técnicos. Principalmente com o “professor” do time adversário – que fica mais incomodado com a presença dos torcedores no alambrado situado atrás de seu banco.
Lá naquela parte do estádio praticamente todos se conhecem – ou pelo menos têm uma vaga lembrança que já se viram num jogo do Náutico. Eu mesmo, apesar de não conhecer alguns, tenho a certeza de ter visto pelo menos algumas dezenas deles, em outros jogos. O careca (que sempre aparece na TV). O gordinho de bigode – que sempre está nos jogos do Náutico (inclusive em outros Estados da Federação). O garotinho brabo. A mãe que sempre mostra o filhinho para as câmeras de televisão e uma infinidade de pais que se espremem no portão a espera dos filhos uniformizados, que entraram no gramado, com o time.
O Náutico entrou todo de vermelho. O América de branco. As cores eram uníssonas nas dependências do Eládio de Barros Carvalho. As especulações em cima da escalação de Eduardo, no lugar de Fabiano, se dissiparam com a entrada do camisa 1 do alvirrubro pernambucano, em campo. Ele que, no ano passado, quando Náutico e América se enfrentaram, no mesmo estádio, vestia a camisa 1 alvirrubra – mas do outro lado.
Horácio estava confiante. O time estava praticamente completo. Fabiano, Sidny, Toninho, Everaldo, Julio César, Elicarlos, Daniel Paulista, Geraldo, Acosta, Felipe e Ferreira. Sem Marcelinho, suspenso com o terceiro cartão amarelo, e sem poder contar com Radamés (também suspenso pelos 3 cartões), tinha, ainda, como opções, jogadores como Eduardo, Deleu, Onildo, Dejair, Danilo Lins, Helton e Serginho.
O América já rebaixado não parecia ser um adversário capaz de tirar pontos do timbu, no caldeirão alvirrubro. E, quando, logo no segundo minuto, o juiz marcou um pênalti para o Náutico, Horácio esfregou as mãos.
Mas, peraí! Que confusão era aquela? Os jogadores potiguares faziam o árbitro sumir, em meio às camisas brancas. E, peitavam e empurravam o senhor de amarelo (e preto). A lembrança era inevitável. Afinal, a barra era a mesma (aquela da Rua da Angustura). E a comparação com o jogo contra o Grêmio, em 2005, chegou a ser feita por alguns torcedores. Mas, quem estava com a bola era o artilheiro Acosta e não Ademar. Epa! A e A? Mais uma coincidência. E não deu outra. Até Acosta perde pênalti....
Horácio, então, começou a ficar preocupado. E se angustiou ainda mais quando Everaldo perdeu uma bola infantilmente, na defesa e deu a chance para o atacante do Dragão abrisse o placar. Fabiano saiu da área providencialmente e evitou o pior.
Outro susto com um chute que balançou as redes, pelo lado de fora do arqueiro timbu fez com que Horácio (profundo conhecedor de vinhos) desejasse uma taça da bebida preferido de Baco, para poder manter-se calmo.
A bola de Felipe no travessão parecia dizer que não seriamos felizes, naquele 10 de novembro. Mas, a seqüência, com a recuperação da bola por Ferreira (incansável), que tocou para trás, onde Sidny chegava. Este ganhou terreno e chutou ao gol. A bola foi desviada pelo imperador Julio César e morreu nos fundos do gol de Sérvulo. 1 x 0.
Horácio não resistiu e as lágrimas correram a sua face. Aniversariante do dia, era como se estivesse recebendo um presente. Afinal, o gol tranqüilizava o time para o restante da partida. E o velho coração do septagenário poderia voltar ao ritmo normal.
Na etapa complementar, Geraldo deu uma de Acosta e foi levando pela linha de fundo, no lado esquerdo do ataque. Cruzou e Ferreira (um dos destaques do jogo) meteu o pé para ampliar a vantagem timbu. 2 x 0.
Sidny cobrou uma falta no travessão. Driblou várias vezes a zaga americana. E perdeu um gol ao chegar atrasado, num lançamento em profundidade. Fez uma de suas melhores partidas no ano. Só faltou fazer chover, no jogo contra o América. E fez. Quando Acosta fez um lançamento no melhor estilo Zico, o camisa 2 vermelho, mais uma vez ficou cara a cara com o goleiro potiguar. E desta vez, tocou na saída do bom arqueiro adversário. 3 x 0.
Daniel Paulista (fantástico, ao lado de Elicarlos) quase faz o seu, ao chutar de fora da área. Sérvulo foi segurar e soltou. A bola foi devagar em direção a trave. Acosta quase faz um, chutando certo, mas com capricho, esta passou perto. Muito perto.
Por fim, o camisa 25 cruzou na medida para Ferreira dar numero finais a goleada. De cabeça. O placar, enfim, espelhava o que foi o jogo. Nem excelentes jogadores americanos, como Souza e Geovane (ou mesmo Sérvulo) foram capazes de mudar a história. Nem uma pretensa mala preta foi suficiente (apesar da correria do time adversário).
Deu até para re-estrear Danilo Lins (parado desde o começo do campeonato). O garoto Helton, entrando em cada partida, já mostra para Horácio como será o futuro timbu. E Horácio sorri com o que viu.
O Náutico foi a única equipe que goleou o América 2 vezes. 5 x 1 em Natal e 4 x 0 em Recife. E goleada mesmo, o time potiguar só levou do Santos (além do Náutico). Teve time que sequer conseguiu vencer o lanterninha da competição.
Por isto, Horácio estava feliz. A presença de quase 15 mil “convidados”. A festa bonita com balões em vermelho e branco. Apitos. Cornetas. Uma bela tarde de sol. Bem que o foguetório, no final da partida, que comemorava a vitória alvirrubra, bem poderia estar dando parabéns a Horácio. Afinal, o presente havia sido dado pelos jogadores, em forma de 03 pontos. Faltou o bolo, mas não o chocolate. Parabéns Horácio!
A dois passos do paraíso (ou a um tropeço dos adversários)-
Pai, ô pai!
- Diga, meu filho.
- O Náutico corre risco de cair para a segundona, ainda, pai?
- Risco, ainda corre. Mas tem que perder os 02 jogos restantes e seus adversários vencerem os seus 02 confrontos.
- Como assim, pai?
- Veja só:
Se o Náutico não fizer mais pontos (perder para o Figueirense, em Floripa e para o Flamengo nos Aflitos), continuará com 46 pontos, 13 vitórias e um saldo de 2 gols no máximo.
O América-RN já está rebaixado, com 17 pontos.
O Juventude tem que vencer os 03 jogos para chegar a 47 pontos. Ou seja, tem que vencer Atlético-MG e Fluminense, fora de casa e, na última rodada, o Sport, em Caxias. Com 2 vitórias e 1 empate só chega a 45 pontos. Se empatar ou perder 1 dos 03 próximos jogos, o time gaúcho não ultrapassa o Náutico (mesmo com 46 pontos).
O Paraná, da mesma forma, tem que vencer as 02 partidas restantes (Santos, em casa e Vasco, em São Januário). Se empatar ou perder 1 dos jogos, não ultrapassa o Náutico.
Goiás e Corinthians empataram.
No caso do Goiás, com 42 pontos e só chega a 48 se vencer Atlético-MG, fora e Internacional, em casa. Se perder ou empatar 1 única vez, não ultrapassa o Náutico, pois só faria 46 pontos e tem um saldo negativo de 11 gols.
O Corinthians soma 43 pontos e pode chegar aos 49. Teria que vencer o Vasco, em casa e o Grêmio, fora, para chegar nesta pontuação. Se vencer apenas uma, consegue atingir 46, mas só faria 11 vitórias, enquanto o Náutico já tem 13.
- É isto, meu filho, o Náutico, depois de vencer o América por 9 x 1 (5 x 1 em Natal e 4 x 0 em Recife), está muito próximo da primeira divisão, em 2008. E talvez nem precise de pontos para isto. Basta um tropeço de um dos adversários diretos.
Cartas náuticas para conquistar a América
Tudo bem, Cristóvão Colombo já tinha descoberto a América, desde 1492, mas nunca se falou tanto este nome, pelas bandas da Av. Conselheiro Rosa e Silva. Ou não. Eu mesmo já ouvi esta palavra proparoxítona em pelo menos outras oportunidades, na vida futebolística alvirrubra, como veremos alguns nós náuticos abaixo.
A primeira delas chegou a ser cruel. Foi na segunda divisão, em 1996. O Náutico disputava a segunda divisão e estava com um time que poderia subir para a primeira divisão (com destaques para Robgol e Miltinho). O grupo final tinha União São João, Londrina e América-RN. O timbu era favorito. Tinha mais tradição que qualquer um dos adversários. O adversário a ser batido era o Londrina. Até porque, já tínhamos vencido a equipe potiguar na primeira fase, por 2 x 0, nos Aflitos. Eram 02 vagas para a serie A. Parecia fácil. Mas havia um dragão nos mares navegados.
E, um tropeço, logo na estréia da fase final, em casa, contra o fraco União São João (1 x 2), deixou bem claro que teríamos que ter os pés no chão, para conquistar uma das 02 vagas. Fomos até o Paraná e empatamos com o Londrina (1 x 1). Então, o jogo de Natal seria fundamental – e foi. Perdemos por 1 gol. Com apenas 1 ponto, começamos o returno na rabeira. E contra o América, nos Aflitos. Desta vez, goleamos, por 4 x 1. Vencemos o Londrina, no jogo seguinte, também no Eládio de Barros Carvalho, por 3 x 0 e, parecia que íamos comemorar o retorno para primeira divisão, em Araras, no último jogo. Empatamos, em 1 gol. E perdemos a vaga para o União São João e para o .......América-RN.
10 anos depois, enfrentamos o mesmo América, na mesma segunda divisão. 02 jogos. O primeiro, nos Aflitos, vitória alvirrubra (pernambucana) por 1 x 0 (gol de Netinho). Naquela equipe, tínhamos Eduardo no gol. Sidny na lateral direita. Felipe no ataque. Além de Breno e Luciano Totó (que ainda estão no grupo atual). Jogamos com 03 zagueiros (Marcelo Ramos, Breno e Carlos Eduardo – que este ano vestiu a camisa do Dragão).
O jogo da volta, em Natal, num jogo onde as duas equipes entraram com as camisas parecidas, com a predominância da cor vermelha, houve um atraso de meia hora para decidir como fazer. O Náutico trocou o calção e o jogo começou. E perdemos por 1 x 3 – mesmo jogando com uma grande quantidade de torcedores alvirrubros no Machadão.
Este ano, vencemos o time de Alexandre Duarte (filho do Didi) por 5 x 1, no mesmo estádio. Mas quando o jogo estava 0 x 0, eles assustaram e podiam ter aberto o placar. Assim são as partidas entre os alvirrubros. Na história, o timbu enfrentou o dragão, pela serie A, em 5 oportunidades. Venceu 3 vezes e perdeu 2. Foram 4 jogos no Rio Grande do Norte e apenas 1 jogo em Recife.
O Náutico venceu os dois últimos confrontos: 5 x 1 (este ano) e 1 x 0, em 1978 (gol de Didi Duarte – coisas da vida). O América venceu por 1 x 0 (em 1976) – todos longe dos Aflitos. E no único jogo em Recife, a vitória timbu por 1 x 0 (1975), no Arruda. A primeira vez que eles se enfrentaram foi em Natal, com derrota do alvirrubro pernambucano, por 0 x 2 (1973).
O América-RN de Souza (potiguar de Itajá) que foi campeão brasileiro em 2001, pelo Atlético-PR (justamente quando eu morava em Curitiba). Foi para lá que foram jogadores recentes do timbu, como Gleguer, Carlos Eduardo e Cris. Foi de lá que chegou o goleiro Fabiano (destaque da equipe de Natal, em 2006).
Infelizmente, o irmão em cores e do nordeste terá que retornar para a serie B, em 2008, após fazer uma campanha desastrosa, no seu retorno à primeira divisão. Com 17 pontos conquistados em 35 partidas, tem um aproveitamento de apenas 16,19%. Venceu apenas 4 dos 35 confrontos (Atlético-PR e Paraná em Natal e o mesmo Paraná e o Santos, longe de casa). Empatou com o Goiás e Sport fora de casa, e com o mesmo Sport, Palmeiras e Botafogo, em Natal. Perdeu as outras 26 partidas (sendo 17 fora de casa). Fez apenas 24 gols (menos de 1 gol por jogo) e sofreu 70 (média exata de 2 gols por jogo). Nem por isto, contudo, perdeu seus jogos por goleadas. Aliás, só foi goleado (mais de 03 gols na mesma partida) em 3 ocasiões (Atlético-MG no Mineirão, por 1 x 4, Santos 1 x 4 e Náutico 1 x 5, em Natal).
Com Paulo Moroni, o goleiro Servulo, Nei Santos, Rogelio, Robson, Berg, Marquinhos Mossoró, Toni, Reinaldo, Souza, Geovani e Wesley Brasília o América nem parece o mesmo time que fez feio ao longo do campeonato. Melhorou bastante. Mas, talvez, não o suficiente – é o que espera a torcida do Náutico.
Este é o América, devidamente descoberto, nestas linhas acima. Agora chegou a hora do Náutico conquistar a América. Ainda dá para se classificar, por exemplo, para uma sulamericana. Mas, o primeiro passo é vencer o América, em casa. Sem esta carta cartográfica fundamental não se chega a lugar nenhum.
Portanto, vamos com tudo, sábado aos Aflitos. Jogadores com pés no chão e com foco na vitória (só ela interessa). Com atitude e raça. Torcida com todo apoio ao time. Desde os treinos, ao longo da semana até o apito final do árbitro na partida. Incentivando o tempo todo. O mar com suas ondas que nos levam para baixo, nestas últimas léguas. O América é uma etapa importante. Pode ser nosso salva-vidas ou um redemoinho no mar revolto. A escolha é nossa. Cabe ao Náutico escolher o que será este desafio (respeitando a instituição América-RN). Pois há sim, terra à vista!
Com quantos pontos se escapa da serie B?
Um amigo me perguntou quantos pontos o Náutico terá que fazer para fugir do rebaixamento. Isto depende, pois, talvez o timbu possa escapar, até com uma vitória contra o América, chegando a 46 pontos.
Porém, para que isto ocorra, alguns resultados terão que acontecer, simultaneamente. O Goiás e o Paraná só poderão ganhar 1 dos 3 jogos que terão pela frente, pois só chegariam a 46 pontos (se vencerem 1 e empatarem 2 jogos).
Se o Náutico vencer o América, ficará com 46 pontos:
- Se o Paraná empatar com o Botafogo (no Rio), vencer o Santos (em Curitiba) e empatar com o Vasco (no Rio), somará 46 pontos. Terá 12 vitórias e perde neste critério para o Náutico, que teria 13.
- Se o Goiás empatar com o Corinthians (em Goiania), empatar com o Atlético-MG (no Mineirão) e vencer o Internacional (no Serra Dourada), somará 46 pontos. No critério de vitórias, teria as mesmas 13 vitórias do timbu, mas tem, atualmente, 11 gols negativos de saldo, contra zero do Náutico.
Ou
Se o Náutico vencer o América, ficando com 46 pontos:
- O Corinthians perdendo para o Goiás (no Serra Dourada), vencendo o Vasco (no Pacaembu) e empatando com o Grêmio (no Olímpico), somará 46 pontos, mas perde para o Náutico, no critério de vitórias (13 x 11).
Como visto, o Paraná terá o Vasco e o Botafogo, no Rio. Jogos difíceis para os paranistas – mesmo tendo melhorado seu futebol nos últimos jogos, contra Goiás e Atlético-MG, não deve vencer nenhum dos dois jogos, fora de casa. E, assim, mesmo que vença o Santos, na Vila Capanema (que também é uma tarefa árdua), teria que vencer, pelo menos 1 vez, longe de seus domínios, para ultrapassar o Náutico.
Já o Goiás tem um desafio de vida ou morte, contra o Corinthians, já na próxima rodada. E, apesar do jogo ser no Serra Dourada, não será nenhuma vantagem que leva contra uma equipe como o Corinthians. Qualquer resultado que não seja a vitória, no entanto, obrigará a equipe goiana vencer fora de casa, o Atlético-MG e, depois, em casa, o Internacional. Tarefas nada fácil para o time de Paulo Bayer.
Por fim, o Corinthians tem o jogo da vida contra o Goiás, fora de casa. Vencendo, chega a 45 pontos e tem que matar o Vasco, no Pacaembu, para ultrapassar o Náutico, pois seu último jogo é contra o Grêmio, no Olímpico.
Lembro, ainda, que todas estas contas, levam em consideração, apenas a vitória sobre o América-RN – que precisa ser construída em campo, com os pés no chão, muita garra e vontade. Respeitando o América, mas com paciência, conquistando os 03 pontos - fundamentais. A vitória é o resultado mais provável, para o timbu – embora o América tenha conquistado um bom resultado, em Natal, contra o Botafogo. A vitória tem que ser conquistada a qualquer custo – temos que dar sangue em campo. Conquistar os 46 pontos já na próxima rodada. E, depois, pensar em somar 47, 48, 49, 50, ou 52 pontos (não faremos 51 pontos em hipótese alguma), pois ainda teremos o Figueirense, em Santa Catarina e o Flamengo, nos Aflitos.
O jogo dos Sete erros
Independentemente do pênalti não marcado, em cima de Acosta, no começo do segundo turno, esta partida contra o Fluminense foi a pior apresentação da equipe, no comando de Roberto Fernandes. Quais seriam, então, os motivos que levaram o timbu (que vinha bem no segundo turno e jogou bem contra o Grêmio e Santos) a disputar uma partida tão abaixo da média apresentada por este mesmo time, nos últimos jogos? Por que perdemos 03 partidas seguidas, justamente nesta hora decisiva?
Vamos tentar analisar, ponto a ponto (levando-se em conta o time que vinha atuando como titular, na grande reação timbu, tinha Eduardo, Sidny, Vagner, Everaldo, Julio César, Elicarlos, Daniel Paulista, Geraldo, Acosta, Felipe e Marcelinho):
1) Desfalques: O Náutico não pode contar com Elicarlos (suspenso pelo terceiro cartão amarelo), Daniel e Felipe (contundidos). Isto sem falar que é o quarto jogo sem ter o zagueiro Vagner à disposição (suspenso pelo STJD por 04 jogos, de forma inexplicável). Também se pode dizer que Eduardo possa estar fazendo falta pela liderança que exercia em campo (não porque Fabiano tenha falhado – pois fez duas grandes defesas, contra o Fluminense, outra contra o Santos, Grêmio e principalmente contra o Corinthians) – são 03 desfalques certos, pelo menos. E em posições importantes, levando-se em consideração que tivemos que improvisar nas substituições;
2) Cansaço: O Náutico jogou no domingo, contra o Grêmio, em Porto Alegre. Viajou para Recife, na madrugada. Treinou na segunda, para jogar na quarta, contra o Santos – num jogo movimentadíssimo. E pegou o avião para o Rio na quinta-feira, para jogar no sábado. Uma partida a cada 72 horas. Só o Náutico jogou tanto nestes últimos dias – nem mesmo o Flamengo (com jogos atrasados) teve uma seqüência desta;
3) Defesa do Fluminense: Depois do São Paulo, a equipe do tricolor carioca é a melhor defesa da competição, com 0,97 1 gol por partida (todas as outras equipes têm média superior a 1 gol por jogo);
4) Defesa do Náutico: Apenas o América-RN sofreu mais gols que o clube alvirrubro. 61 gols em 35 partidas, numa média de 1,74 gol por jogo. Dos 35 jogos que o timbu participou, só não foi buscar a bola nos fundos da rede, em 7 ocasiões. Ou seja, sofreu gols em 28 jogos. Apenas o Corinthians, dentre os 19 adversários, não fez gol no Náutico. A bola alçada na nossa área sempre leva perigo. Algo inexplicável. Ou não, já que foi o setor onde mais tivemos jogadores se revezando, por suspensões, contusões ou opções táticas;
5) Marcação em cima de Acosta: Bastou o uruguaio chegar no topo da artilharia, para atrair a marcação sobre si. Já tinha a atenção dos árbitros, pelo seu temperamento (que rendeu 04 expulsões na competição e alguns amarelos). Agora, fica entre a cruz e a espada – pois teve que modificar seu estilo, para não ser advertido e ficou preso entre a zaga adversária. Mesmo assim, chega a artilharia do campeonato, ao final da rodada, com 19 gols, ao lado de Josiel;
6) Apenas Geraldo como opção de criatividade: Com a improvisação de Marcelo Silva como volante e Radamés como primeiro volante, o meio de campo não teve a mesma pegada que tem com Elicarlos e Daniel Paulista e, ao mesmo tempo, perdeu em qualidade da saída de bola, com a ligação para Geraldo no meio – que ficou sobrecarregado na função de armar as jogadas de ataque;
7) Baixo rendimento de algumas peças fundamentais: Marcelinho chegou a ser exigido pela torcida como titular da equipe e terminou conquistando seu lugar, pelo futebol arisco e velocidade nos contra ataques. No entanto, justamente nas últimas partidas (que foram vencidas pelos adversários), o carioca não tem conseguido dar seqüência as suas jogadas, prejudicando o ataque e, em algumas oportunidades, dando contra ataque ao time contrário. Sidny e Julio César também não estão rendendo o mesmo futebol de alguns jogos atrás;
Todavia, tudo isto pode ser resolvido no próximo jogo timbu, contra o América-RN nos Aflitos. Com 07 dias pela frente, deveremos ter o retorno de Felipe e Daniel Paulista. Elicarlos e Vagner já terão cumprido as suspensões. Uma semana (e sem viagens) é um bom tempo para recuperação física e mental. Pela frente, ao contrário do Fluminense, teremos a pior defesa da competição (o América tem a média de 2,02 gols por jogo). E se temos uma das piores defesas, temos um dos melhores ataques (1,74 gol por partida). Com a entrada de Felipe, Acosta tem mais espaço para trabalhar a bola e Geraldo ganha opção no meio de campo. E se Marcelinho estará suspenso (com o terceiro amarelo), pode ser a chance para Ferreira, Serginho ou mesmo Jajá (que tem estilo parecido). Quanto a Sidny e Julio César, sempre jogaram bola e podem reencontrá-la diante do América.
Portanto, como este jogo apresentou 7 erros, o próximo poderá (e tem tudo para ser) o dos 11 acertos, pois é com 11 que Roberto Fernandes começa a partida.
Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).