Narrando para a história.
Muito boa noite, senhores ouvintes. Estamos iniciando mais uma transmissão esportiva, diretamente do estádio dos Aflitos. O publico é pequeno. A campanha do Náutico, neste campeonato brasileiro de 1989 tem sido irregular. Desde que voltou para a primeira divisão, ao chegar em segundo lugar (atrás da Internacional, de Limeira), no começo do ano, pela segundona de 1988, o time foi campeão pernambucano até o momento só venceu duas vezes, na serie A, nos Aflitos (o Corinthians e o Vitória). O outro jogo foi um empate, em 3 x 3 com o São Paulo. A equipe alvirrubra vem de uma derrota para o Flamengo, no Maracanã (0 x 2) e precisa da vitória, frente ao Atlético-MG.
O técnico timbu, Paulo César Carpeggiani escalou a equipe com Mauri, Levi, Freitas, Romildo e Junior Guimarães, Gena, Erasmo, Leo, Nivaldo, Bizu e Augusto. Do outro lado, o Galo vem com Rômulo, Carlão, Batista, Paulo Sérgio, Paulo Roberto, Eder Lopes, Wallace, Ailton, Mauricinho, Gerson e Eder. E, de acordo com o técnico Jair Pereira, o time vem com tudo para cima do alvirrubro da Conselheiro Rosa e Silva. O árbitro da noite é o experiente Edson Rezende, do Distrito Federal.
Tudo pronto. Vai ser dado o pontapé inicial de mais um jogo do campeonato brasileiro. E apitou o juiz! Bola com Bizu, tocou para o lado. Sobrou para Nivaldo. Chutou e.....é GOLLLLLLLLLLLLLLLLLL! Incrível! Foi muito rápido, minha gente! Não contei qual o tempo, mas, seguramente, é o gol mais rápido que vi na minha vida de narrador esportivo! Nivaldo! Nivaldo! Náutico 1 x 0 Atlético-MG.
- E foram 8 segundos! Nivaldo pegou na bola e chutou de longe. O goleirão Rômulo nada pode fazer. Ééééééé do Náutico!!!!
Obrigado, meu campeoníssimo! E o jogo segue, com o Náutico na frente do placar. Bola com Eder, na esquerda. Cuidado com ele. Corta de qualquer maneira Erasmo!.......
O sinal anuncia....quarrrrenta minutos da etapa inicial: Náutico 1 x 0 Atlético-MG. Olha o Ailton.......Gol do Atlético! Ailton empata, no finalzinho do primeiro tempo. Que bobeira. Que bobeira!
Termina o primeiro tempo com um empate em um gol. As equipes vão para os vestiários da mesma forma que entraram. Corre ai, no gramado, para ver o que o Nivaldo diz. Avisa a ele que foi o gol mais rápido da história dos campeonatos brasileiros.
.....Voltam para etapa complementar. O Levi saiu e em seu lugar entrou o Jorginho, na equipe alvirrubra. Afinal, o lateral estava amarelado... Começa o jogo, na etapa final. E la vem o Galo, com perigo. Gerson! Gerson! Goollll do Atlético! Logo no início da etapa final. 3 minutos. Vira, vira o Atlético, para cima do Náutico!
O tempo avança. Lúcio entrou no lugar de Erasmo, para tentar o Náutico ficar mais ofensivo. Carpeggiani vai com tudo para cima do Atlético, nestes minutos finais. Já Jair Pereira tirou Wallace e colocou o volante Moacir para segurar a pressão dos donos da casa.
A bola sobrou com Bizu e.......É GOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!! Bizu!!!! Bizu!!!! Bizu!!!! Sempre ele! Empata a partida no finalzinho do jogo. Aos 39 do segundo tempo! Bizu!!!
E lá vem o Náutico mais uma vez....é gol! É gol! É Gol!!!!GOLLLLLLLLLLLLLLLLL! Bizu! Bizu! Bizu!!!! Ele de novo!! Vira vira alvirrubro! Depois de sofrer a virada do Atlético, o Náutico virou o jogo! Bizu duas vezes!!!!
E Gérson está sendo expulso! Vermelho para o jogador alvinegro. Terrrrrrmina o jogo histórico nos Aflitos! Náutico 3 x 2 Atlético-MG, neste 18 de outubro de 1989. Público de 5.266 para uma renda de Cr$59.671,00. Uma grande vitória alvirrubra, num jogo que entrou para a história do campeonato brasileiro. O jogo onde Nivaldo marcou o gol mais rápido entre todas as competições, com 8 segundos de bola rolando.
De geração para geração
Junior (de 10 anos) chegou em casa chorando. Um amigo do colégio tinha zoado com ele porque o Sport tinha terminado na zona de classificação para a sulamericana e o Náutico ocupava a zona de rebaixamento. O pior é que o amiguinho de Junior tinha acabado de “virar a casaca”, pois era, até o ano passado, torcedor do Santa Cruz. O avô do pequeno infante sentou com Junior, no sofá e, enxugando as lágrimas derramadas pelo garoto, ao longo da “mãe de todas as batalhas”, travada no colégio, passou a argumentar:
- Meu neto, não leve em conta o que os outros te falam. O que importa é o que você sente. Lembre-se que um filho não se abandona uma família apenas porque a família não atingiu um status social mais elevado. Muito menos se há toda uma vida pela frente. Da mesma forma é com um clube de coração. A partir do momento que você adota aquelas cores. Àquela camisa. Àquele escudo e àquela bandeira, a devoção é eterna. Por pior que possa estar, enquanto se viver, as juras de amor serão cumpridas – mesmo diante de decepções. É assim que se constrói um caráter.
- Veja bem, meu neto. Vivi um tempo em que o Náutico foi soberano em Pernambuco. Ganhou seis títulos estaduais seguidos. Vi o Santa Cruz ser penta e o Náutico voltar a ser campeão, tirando o hexa do tricolor. Eram grandes tempos do timbu. O alvirrubro foi até vice-campeão brasileiro, na Taça Brasil (protótipo do que viria a ser o campeonato brasileiro). Venceu o Santos, com Pelé, Coutinho e Pepe, em plena Vila Belmiro e o Palmeiras, de Ademir da Guia, no Pacaembu. Disputou até uma Taça Libertadores da América e só foi eliminado porque fez uma substituição a mais (só podia fazer uma, naquela época).
- Depois, passei 10 anos sem ver o time comemorar mais nada. E mais 10, até comemorar 02 seguidos. E só fui ser campeão novamente, em 89, passando mais outros longos 12 anos sem gritar. O que é pior: vi o Náutico cair para a segunda divisão em 1994 e para a terceira, em 1998. Nem por isto, abandonei este amor antigo. Torci na terceirona, assim como torci na libertadores. E torceria até se estivesse numa disputa de par ou impar. Afinal, paixão clubística é algo que não se abandona – mesmo nas piores fases.
- E não é o caso atual, garoto. Muito pelo contrário. O Náutico voltou para primeira divisão este ano, depois de 11 anos longe da serie A. Venceu o São Paulo (única derrota, fora do Morumbi, do atual líder disparado da competição). Venceu o Santos de Luxemburgo, com Fábio Costa, Marcos Aurélio, Rodrigo Tabata, Pedrinho, Kleber Pereira, Kleber, Domingos e cia, em plena Vila Belmiro. Venceu o Corinthians, no Morumbi. Aplicou a maior goleada sofrida pelo lanterna América, na competição.
- E mais. Depois que Roberto Fernandes assumiu o time, o aproveitamento subiu de 20,83% para 45,45%. E, mais significante: de 0% de aproveitamento fora de casa, para 61.11%. Apenas nos Aflitos é que PC Gusmão ainda leva vantagem sobre o atual técnico timbu. Em 4 jogos, venceu 1, empatou 2 e perdeu 1, com aproveitamento de 41,66%, caindo para 26,66%. Mas, levando em conta que, a última partida, nos Aflitos foi ganha com um ótimo futebol, por 4 x 2 e o time “sobrando” em campo, a tendência é que o aproveitamento de Roberto Fernandes cresça, em casa.
- Não se deve comparar um com o outro. Temos que nos preocupar com nosso time. E torcer por ele. E sempre por ele. Não interessa que o Sport tenha jogado mais na ilha e contra equipes que terminaram na parte de baixo da tabela (América-RN, Juventude, Flamengo, Náutico, Atlético-PR e Corinthians – todos na ilha do retiro). Não importa que eles tenham tido a sorte de jogar contra um Santos ou Grêmio com times reservas (que priorizavam a libertadores). Não importa se pegaram o Fluminense cansado, depois da comemoração da conquista de uma Copa do Brasil. Nem se Caio Junior errou feio ao deixar Edmundo de fora até do banco de reservas.
- O que importa, meu neto, é o amor que você tem pelo Náutico. Que é maior que tudo isto. Que todas as provocações – até descabidas. Um dia você estará com as glórias dos vencedores e no outro, com as mazelas dos vencidos, pois, no esporte, nada é eterno. E o que importa é saber vencer e, mais ainda, saber perder e continuar torcendo, acima de tudo. Sempre haverá dores e gozações nas perdas. Mas, lembre-se, também haverá momentos de extremo prazer, nas vitórias.
- Você precisa, apenas, saber conviver com os bons e maus momentos, sempre fiel ao seu time de coração. Fazendo isto, você sempre será um vencedor.
Metade do caminho
Até que o Náutico jogou bem o primeiro tempo, no Maracanã. Teve algumas boas chances de gols, abriu o placar com Felipe, e poderia ter feito mais um ou dois gols. É claro que o Flamengo também teve chances reais, fazendo brilhar a estrela do goleiro Eduardo, especialmente, num lance incrível, onde o camisa 1 fez uma defesa fantástica e, na seqüência, o atacante rubro negro colocou no travessão e, em seguida, a bola foi cabeceada por outro jogador do time carioca e passou a centímetros do gol. Um belo jogo, no primeiro tempo.
Mas, futebol tem dois tempos. E a etapa complementar praticamente não existiu para o timbu. O time voltou a campo com uma alteração, que mexeu no meio de campo. Everaldo (zagueiro) no lugar de Marcelo Silva (meia atacante) e recuou demais, aceitando a pressão da equipe de Joel Santana.
O Flamengo martelou a defesa alvirrubra o tempo todo. E nem a estréia de Geraldo (que entrou no lugar de Radamés) fez o Náutico sair para o ataque. Sem Sidny o timbu ficou sem muita opção para puxar o contra ataque. Acosta era o homem de ligação e estava muito marcado. Felipe estava sozinho na frente (RF optou por deixar Ferreira no banco).
E a equipe de Roberto Fernandes tinha que parar as jogadas com faltas (por sinal, o primeiro gol do Flamengo saiu, no primeiro tempo, de uma bola parada, onde quem ficou parado foi a defesa alvirrubra e o jogador carioca cabeceou sozinho). Numa destas faltas, Deleu recebeu o segundo cartão amarelo, no jogo e foi expulso. O que estava difícil ficou pior.
Entretanto, já decorridos mais de 40 minutos da etapa complementar, o timbu mostrou que não aprendeu a lição do jogo contra o Palmeiras, nos Aflitos e se lançou no ataque sem proteger o setor de defesa. O Flamengo, então, no contra ataque chegou ao gol da vitória, no apagar das luzes.
Era tudo que não poderia acontecer. Um contra ataque, pegando a defesa de surpresa, com menos de 5 minutos para acabar o jogo. E na casa do adversário! Paciência. Agora, mais uma vez, o torcedor timbu torce contra o Corinthians, para que não seja ultrapassado na tabela e termine o turno fora da zona de rebaixamento.
De qualquer maneira, mesmo que terminemos em 17º lugar, ficou claro que o time tem todas as condições de sair desta situação e subir posições no 2º turno (embora tenha, logo de cara, no returno jogos praticamente impossíveis de se arrancar pontos – contra São Paulo e Vasco, no Morumbi e São Januário).
Isto porque, ao se traçar um parâmetro dos resultados pós RF e com PC, temos os seguintes números:
Com PC, foram 8 jogos. 1 vitória (em casa contra o São Paulo), 2 empates (em casa, contra Vasco e Paraná) e 5 derrotas. Um aproveitamento de 20% (e 0% fora de casa). 10 gols feitos e 19 sofridos, ficando com um déficit de 9 gols.
Com RF o time fez 11 partidas. 4 vitórias (1 em casa e 3 fora), 3 empates(1 em casa e 2 fora) e 4 derrotas (3 em casa e 1 fora). Fez 18 gols e sofreu 15. Tem saldo positivo de 3 gols. Um aproveitamento de 45%.
O que chama a atenção é que, enquanto o time tinha 0% de aproveitamento fora de casa, passou a ter 61%, com 3 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. 13 gols marcados e 6 sofridos, com saldo positivo de 7 gols.
Terminou o primeiro turno para o Náutico. Restam 19 jogos para o final da competição. Para chegarmos a 45 pontos (projeção de segurança para não cair) faltam 25 pontos. 8 vitórias e 1 empate. Serão 10 jogos nos Aflitos e 9 fora. É fazer o caldeirão ferver para que o objetivo seja alcançado ou, pelo menos, manter a performance de Roberto Fernandes, fora de casa.
Evidente que precisamos melhorar. Especialmente nos Aflitos. Mas a última vitória, contra o Figueirense, demonstrou que isto já está acontecendo. É por estes motivos que dá para projetar uma situação bem melhor no segundo turno e, ao final, a permanência do Náutico na primeira divisão, para 2008.
Sulamericana no primeiro turno!
Para que o Náutico termine o turno em 12º lugar e, consequentemente, na zona da sulamericana, alguns resultados (possíveis) tem que ocorrer:
Vencendo o Flamengo e:
- O São Paulo vencendo o Atlético-PR (no morumbi) – é o resultado mais provável;
- O Botafogo vencendo o Figueirense (no Orlando Scarpelli) – nada impossível para um time que liderava a competição;
- O Santos vencendo o Fluminense (no Engenhão) – o peixe vem crescendo e pode surpreender o tricolor;
- O Vasco vencendo, por 2 gols de diferença, o Paraná (na Vila Capanema) – é o resultado mais complicado, pois o Vasco joga fora de São Januário.
Acontecendo tudo isto, ficaremos em décimo segundo lugar, com 23 pontos e com Atlético-PR, Figueirense, Fluminense, Paraná, Corinthians, Juventude, Flamengo e América-RN atrás da gente.
Dá até para torcer por uma vitória do Juventude, na ilha do retiro, pois o Sport ficaria com 24 pontos (apenas 1 na frente) e o Juventude permaneceria 04 pontos atrás.
Mas, lembro que, para tudo isto acontecer, TEMOS QUE VENCER O FLAMENGO primeiro e, depois é só torcer contra os outros.
Ou seja, é jogar com seriedade, respeitando o Flamengo (e sua enorme torcida - que irá apoiar o time, no Maracanã) e fazer como fizemos contra Corinthians, Santos e América (jogos que foram vencidos na casa dos adversários). Jogar no erro do Fla, sem afobação. Fechado e aproveitando os contra ataques. Não podemos esquecer que o time carioca tem muita camisa e independe o período de crise que vive. Seriedade e aplicação para fazer bonito, no turno.
Náutico: Still loving you
“Time. It’s need time.
To win back your love again.
I will be there.
I will be there.”
Tempo. Era o que se precisava para que o Náutico reconquistasse o amor da sua torcida. Com o tempo, o time se arrumou e vem de uma seqüência de jogos, com resultados satisfatórios: há 04 jogos invictos e 10 pontos conquistados, em 12 disputados. Nestes mesmos, últimos 4 jogos, o timbu marcou 11 gols e sofreu 4, recuperando 7 gols, de saldo.
E podia ter recuperado ainda mais. Isto porque o time sobrou em campo, contra o Figueirense. Marcou 3 x 0 no primeiro tempo e, quando a equipe de Mário Sérgio foi para cima (chegando até a diminuir o placar), deu o espaço necessário, para o alvirrubro pernambucano marcar mais gols, nos contra ataques rápidos, com Felipe, Acosta e Hamilton.
Poderia ter feito uma goleada histórica. Mas perdeu um sem número de gols feitos. Acosta meteu uma bola na trave (e fez dois gols). Felipe perdeu outros dois gols (e fez um gol), ao tentar driblar o goleiro em um lance e tocar de cabeça por cima para uma defesa fantástica do goleiro alvinegro. E Hamilton só não deixou o seu por conta do goleiro Wilson.
Assim, o torcedor que, há alguns jogos atrás vaiava a equipe, nos Aflitos – tornando o caldeirão alvirrubro numa panela de pressão, passou a acreditar na reação do time de Roberto Fernandes.
E não era para menos. As 3 vitórias fora de casa (contra o Corinthians, Santos e América-RN) davam mostra que o Náutico havia encontrado uma identidade. Mas, faltava a vitória nos Aflitos. Desde o jogo contra o São Paulo (única derrota do tricolor paulista – líder absoluto do campeonato – fora de casa), o timbu não vencia no Eládio de Barros Carvalho.
A vitória poderia ter vindo, contra o Palmeiras. Mas, a sorte não sorriu e o destino foi cruel, com uma derrota, no último minuto. Não tinha como vir contra o Cruzeiro (que foi superior). Não chegou, diante do Grêmio (que aproveitou as poucas chances que teve – ao contrário do Náutico). E passou perto, diante do Fluminense.
Contra o Figueirense, não havia como deixar escapar a chance. Era uma questão de honra.
O Náutico entrou em campo sob o som de “rock you like a hurricane”, num estridente solo de guitarra, com Matias Jabs, Klaus Meine e Rudolf Schenker, que pareciam estar nas cadeiras do estádio. Depois, deu um blackout e o Figueirense voltou melhor, na etapa complementar. Mas, com Acosta e Felipe numa noite fantástica, o time catarinense parecia ter dado feriado ao setor defensivo – que ficou louco atrás dos atacantes alvirrubros.
E é assim que o Náutico tem reagido. Com um bom futebol praticado por todos os atletas. Muita determinação no setor defensivo (que é ajudado pelo meio de campo), onde Eduardo já é o segundo colocado num importante prêmio de uma revista nacional. Sidiny e Onildo podem desfalcar o time, por lesões musculares, nos próximos jogos. Mas Geraldo, Everaldo, Juliano, Maurício e Jajá ainda irão se juntar a este grupo de guerreiros, podendo dar mais qualidade – que já existe.
Um anjo foi enviado aos Aflitos. E a paz voltou a reinar entre o Náutico e sua torcida. O alvirrubro, quando praticava um futebol apático, deu uma ferroada na torcida – que respondeu como se fosse um escorpião. O tempo que era necessário, passou e o amor entre o Náutico e sua torcida já está de volta. Still loving you.
O talismã Radamés
Existe um jogador no Náutico que só fez vencer, quando entrou em campo: Radamés. Tudo bem que foram só dois jogos (Santos e América-RN). Mas, o garoto já é apontado como talismã alvirrubro. Quando entra em campo, já é meio caminho andado para uma vitória do timbu.
E o que é melhor: com boas atuações. Tanto de Radamés, quanto do Náutico. Na baixada santista, em sua estréia, o time alvirrubro esteve muito bem. Não deixou a equipe de Luxemburgo respirar. Não deu espaço para criação (exceto quando Ferreira foi expulso – quando o Santos ficou sem a marcação imposta por Roberto Fernandes). E foi de Radamés o cruzamento para o segundo gol alvirrubro (de Acosta).
Contra o América, em Natal, outra atuação soberba e melhor ainda, do Náutico. Afinal, não se pode questionar uma goleada de 5 x 1. E, desta vez, com um gol de Radamés, cobrando falta.
Outro que tem tido um excelente retrospecto é o goleiro Eduardo. Participou das vitórias sobre o Corinthians, Santos e América. Do empate contra o Fluminense. E só foi derrotado, contra o Grêmio. Não chega a ser 100% como Radamés, mas, sem dúvida, tem tido bons resultados, quando está com a camisa 1, amarela. E, indiscutivelmente, tem tido atuações que o credenciam a melhor goleiro do campeonato.
Quarta-feira, contra o Figueirense, Radamés estará em campo (pela primeira vez, diante da torcida do Náutico). E ao seu lado, o goleiro Eduardo. Parece, que, enfim, a vitória em casa voltará a acontecer. Pelo menos, de talismã e competência em campo, estamos bem representados.
Transformers!
O Náutico se transformou na competição. Passou de uma simples "lata velha", de segunda categoria a um "megatrom". Vive um excelente momento. A goleada em Natal tem um significado enorme. Porque não quer dizer, apenas, que o Náutico venceu um adversário direto, na luta contra o rebaixamento. Diz mais. Muito mais.
A derrota do Dragão em casa foi a oitava, em nove jogos, no Machadão. Mas o placar de 5 x 1 foi a maior goleada sofrida pelo simpático América-RN (do meu amigo DJ Magrão) na serie A, de 2007. O poderoso São Paulo esteve na capital potiguar, no meio de semana e venceu, por 3 x 1. A goleada mostra a distância do futebol, no momento atual, entre as duas equipes nordestinas. Enquanto o América segue mal na competição (infelizmente, para o futebol do nordeste), o Náutico vai crescendo – especialmente fora de casa. Como se fosse um deceptcom, que cresce a cada transformação.
A vitória do timbu sobre o Dragão, no chamado “jogo dos seis pontos”, deixou uma distância de 7 pontos entre as duas equipes (e o Flamengo e Juventude entre ambos), e uma excelente perspectiva de nova vitória pernambucana, no jogo da volta, em Recife - apesar de jogadores com Souza, Paulo Isidor e Adãozinho num criativo meio de campo potiguar.
Vencer o América, fora de casa, também significou que está mais do que consolidado o excelente desempenho do Náutico, fora de casa – especialmente, na “era Roberto Fernandes”. Levando-se em conta, apenas os resultados obtidos pelo invicto treinador, foram 5 jogos, com 3 vitórias e 2 empates, com 12 gols feitos e 4 sofridos. Um aproveitamento de 73% fora de casa, com Roberto Fernandes no comando.
O jogo de Natal fez com que o Náutico fique muito próximo da última posição antes da zona de rebaixamento. Com 17 pontos, o timbu só não saiu da zona de rebaixamento nesta 16ª rodada porque o Corinthians venceu o Goiás. Contudo, a derrota do Atlético-PR para o Sport aproximou o time de Curitiba da temida zona, pois manteve os 19 pontos (apenas 2 pontos à frente do Náutico). O Juventude terá que vencer o Atlético-MG para terminar na frente do alvirrubro, ao final da rodada. E, o próprio Corinthians está apenas a 1 vitória na frente e pode ser ultrapassado, se o Náutico vencer o Figueirense, nos Aflitos e o timão perder para o Vasco, em São Januário, na próxima rodada.
Por fim, e mais importante significado desta vitória timbu é que a equipe segue na crescente. Desde a vitória contra o Corinthians, no Morumbi, foram 5 jogos, com 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota apenas (e injusta – diga-se de passagem). 10 gols marcados e 4 sofridos.
Com Eduardo fechando o gol e sendo um líder em campo. Com um Sidny fazendo gol, a defesa atuando com muita segurança, com Onildo e Toninho protegida por Daniel e Elicarlos. Com Radamés fazendo a diferença. Com Felipe voltando a ser o velho e conhecido Van Dame e com a chegada de 02 meias criativos, como Juliano e Geraldo, a vinda de um Maurício, sem dúvida alguma, ficou claro que a saída da zona de rebaixamento é uma questão de tempo.
A perspectiva é que terminemos o turno já fora da mesma. Vencer o Figueirense, nos Aflitos é uma questão de honra. Para dar moral ao time e tranqüilidade para ter confiança, no returno, para jogar no Eládio de Barros Carvalho. Jogando com muita vontade e determinação e com qualidade no meio de campo, o Náutico tem tudo para fazer bonito na primeira divisão. Há algum tempo já vem fazendo, na verdade. Mas, quando sair da zona do rebaixamento, a vitória sobre o Dragão terá significado, também, que o timbu poderá ser um vingador, fora de casa, e recuperar os pontos perdidos nos Aflitos – assumindo, enfim, uma posição mais condizente com a força do Clube Náutico Capibaribe - um verdadeiro transformer!
Glórias alvirrubras: Campeão 2004
O garoto andava pelo estádio Eládio de Barros Carvalho, ainda vazio. Há poucos dias, o timbu tinha conquistado o segundo turno, do campeonato pernambucano, depois de golear o Recife, por 4 x 1 (gols de Gil Baiano, Kuki, Marquinhos e Kuki). Turno que parecia ter fugido pelas mãos, ao perder para o Central, nos Aflitos, numa mentirosa noite de 1º de abril.
Vestido com uma camisa alvirrubra bem vermelha, o menino sentou ao lado do pai, imaginando a comemoração de uma vitória, sobre o Santa Cruz (que tinha vencido o primeiro turno e feito a melhor campanha do campeonato). O público de 13.108 pagantes já estava acomodado na segunda casa de todos os alvirrubros.
Mas, logo nos minutos iniciais, o maestro Gil Baiano (que viria a formar o “quarteto fantástico, daquele ano, com Marco Antônio, Jorge Henrique e Kuki) foi expulso ao brigar com Djalma, logo aos 13 minutos do primeiro tempo, desarticulando o timbu.
E, assim, sem o articulador alvirrubro em campo, Iranildo aproveitou para marcar o único gol da partida, aos 25 minutos, da etapa inicial. O Santa Cruz arrancou a vitória e levou para o segundo jogo, no arruda, uma vantagem enorme, de poder perder por até 1 gol de diferença. Ou seja, o Náutico só seria campeão se vencesse por 2 gols de diferença.....e no José do Rego Maciel.
O garoto continuou sentado. Quase atrás do Country. O pai passando a mão sobre a cabeça do filho alertou: “o campeonato só acaba no próximo jogo. Nada está perdido”.
E lá foram os dois, para alguns quarteirões de distância, dos Aflitos, poucos dias depois. No arruda, em 18.04.2004, o Náutico entrou com Nilson, Carlos Alberto, Lima, Batata, Marquinhos, Chicão, Luciano, Marco Antônio, Almir Sergipe, Jorge Henrique e Kuki.
Zé Teodoro tinha optado por 03 atacantes, pois precisava de, no mínimo 02 gols, para ser campeão. E, assim, o pai e o filho viram um Náutico todo de vermelho entrar em campo, onde 32.738 pessoas saudavam o Santa Cruz como virtual campeão daquele ano – face a enorme vantagem tricolor. Apenas 4 a 5 mil alvirrubros se espremiam nas arquibancadas da Rua das Moças.
E quem não foi ao estádio, se arrependeu.
Logo no primeiro minuto de jogo, o zagueiro Batata marcou o primeiro gol do Náutico. E, aos 3, Jorge Henrique já comemorava o segundo. O impossível havia demorado 3 minutos para acontecer. Não deu tempo nem para que os comentaristas de plantão analisassem como seria o jogo e quais as chances do Náutico, em se tornar o campeão daquele ano. Antes mesmo que pudessem concluir qualquer raciocínio, toda uma tendência já havia mudado de lado.
O Santa Cruz ficou atordoado e Péricles Chamusca (então comandante tricolor) não sabia se tirava Valença ou Roberto. Ou se Iranildo poderia reverter a situação. Mudou muita coisa, mas nada mudou. Tudo continuou a favor da nau alvirrubra.
E, mesmo com a mudança de lado, após o intervalo, os rápidos atacantes vestidos de vermelho, infernizavam o goleiro João Carlos. Kuki, aos 2 minutos, da etapa complementar marcou o terceiro e último gol do campeonato. A expulsão de Carlos Alberto em nada interferiu. Nilson era quem mais vibrava com o título.
O Náutico sagrava-se, ali, no Arruda, campeão pernambucano, de 2004, mostrando a sabedoria daquele pai, seria uma herança para o filho, dali para frente. “O campeonato só acaba, no último jogo. Nada está perdido”. E, de fato, apesar de tudo ser desfavorável para a conquista, o Náutico lutou até o fim e provou isto.
O garoto, hoje com 18 anos aprendeu bem a lição e incentiva o timbu, na primeira divisão, em 2007, independentemente da posição que se encontre, sempre podemos ouvir seus gritos de “Sou alvirrubro, de coração! Eu sou do time que é hexacampeão!” e “N-A-U-T-I-C-O! N-A-U-T-I-C-O! N-A-U-T-I-C-O! NAUTICO! NAUTICO! NAUTICO!”
Evolução
É óbvio que a torcida esperava a vitória, em casa. Afinal, aflita está por ela, há 7 jogos (desde que vencemos o São Paulo, na segunda rodada). O Aflitos deixou de ser o temido caldeirão e até passou a pressão para o próprio Náutico – pelo menos até o jogo contra o Grêmio. Entretanto, algumas coisas que foram observadas, no jogo contra o Fluminense, atestam que houve evolução no time.
A rigor, desde a chegada de Roberto Fernandes, a única partida que o Náutico mereceu perder, pela superioridade do adversário em campo, foi contra o Cruzeiro. Em sua estréia, fora de casa, RF conseguiu um empate, na arena Kyocera, contra o Atlético-PR. Um jogo que merecia ter vencido.
Depois, o Palmeiras, em casa. Martelou, martelou e, quando não era mais para martelar, insistiu e, levou um gol no contra ataque, ao apagar das luzes. Derrota injusta. Já o empate, na gelada Caxias do Sul, contra o Juventude foi o resultado mais próximo do que foi o jogo. Com uma expulsão de cada lado e um gol, para cada um.
A derrota para o Cruzeiro, como já disse foi justíssima. O time começou com um gol de vantagem, mas não segurou a virada. E saiu para cima, contra um dos melhores ataques da competição. Levou 4. Com vaias e “pedras” da própria torcida que, apagava o caldeirão dos Aflitos.
Assim, ao jogar contra o Corinthians, no Morumbi, uma bela vitória, construída nos erros do próprio adversário. 3 x 0, com o retorno triunfal de Felipe. Mas, ainda se creditava a vitória a fragilidade da atual equipe mosqueteira. E, desta forma, natural a derrota para o Grêmio, no Eládio de Barros Carvalho. Contudo, esta derrota se deu pelo detalhe. O Náutico não aproveitou as chances que teve e o tricolor gaúcho fez 02 das 03.
Em Santos, mostramos que a vitória de São Paulo não fora pela fragilidade do adversário e sim pela forma com que estávamos jogando. E a vitória veio. 2 x 1 deu novos ares para o timbu. E fez a torcida entender que deve jogar com a sua equipe. Ter paciência e incentivar o time, os 90 minutos.
E foi assim contra o Fluminense, no jogo desta quarta-feira. Com um horário estranho (19h30) e muita chuva no Recife, 11 mil pessoas foram aos Aflitos e empurraram o time para cima do tricolor carioca. O Náutico correspondeu. Foi para cima. Criou chances de gol. Mas, mais uma vez, tivemos problemas de finalização. Menos mal que o setor defensivo está cada vez mais seguro. Passamos o bastão de mais vazados para equipes como América-RN (32 gols), Cruzeiro e Sport (ambos com 30). Nos 04 últimos jogos, sofremos 03 gols. Média menor que 1 gol por partida. O ataque até que não fez feio. Foram 5 gols, nos mesmos últimos 4 jogos. Média de mais de 1 gol, por partida.
Por outro lado, o Fluminense, atual campeão da Copa do Brasil, veio bem fechado, tentando aproveitar os lançamentos para Somália. E saiu satisfeito com o sétimo empate, das 15 partidas que disputou (empatou quase 50% das disputas). Lembrando que o Flu venceu o São Paulo, no Morumbi.
A evolução do time, pós Roberto Fernandes, é nítida. Assim como fica claro que precisamos de meias criativos e pelo menos mais um atacante (que seja goleador nato). São posições carentes no futebol. E quem as têm quer o preço da cara. Até a torcida evoluiu e soube utilizar sua força, contra o Flu.
Lamento, apenas, a atuação do trio de arbitragem, que, invariavelmente não dava faltas claras, em favor do alvirrubro. Ao mesmo tempo, marcou todas as faltas que eram favoráveis ao tricolor.
Mas segue o Náutico, com ares melhores, depois que evoluiu. Até mesmo o empate, em casa, pode ser considerado uma evolução – levando em conta que perdemos os 03 últimos jogos, nos Aflitos.
Não nos afastamos tanto do Corinthians e, na próxima rodada, uma vitória, em Natal e, uma derrota do timão, para o Goiás, poderá nos tirar, pela primeira vez, da zona do rebaixamento (pois teríamos o mesmo número de pontos do Corinthians, mas com uma vitória a mais). Isto sim, seria uma grande evolução!
Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).