GloboEsporte.com

Blogs e Colunas

Blog Torcedor Náutico

Topo do Blog
  1. 15/07/2007

    2007 x 2006

    A polêmica está no ar. Alguns afirmam categoricamente, que o time de 2006 era melhor que o de 2007. Mas, vejam só:

    1) Goleiro: 2006 = Eduardo; 2007 = Gleguer, Fabiano, Rodolpho e Eduardo. Para mim, são bons goleiros e se equivalem. (1 x 1)

    2) Lateral direita: 2006 = Sidny; 2007 = Sidny (2 x 2)

    3) Zagueiro: 2006 = Leandro; 2007 = Allyson. Leandro sabia sair com a bola. (3 x 2 pro 2006)

    4) Zagueiro: 2006 = Breno; 2007 = Breno. (4 x 3)

    6) Lateral esquerdo: 2006 = Jamur; 2007 = Hamilton ou Julio Cesar. Qualquer um é melhor que Jamur (4 x 4)

    5) Primeiro volante: 2006 = Luciano Totó; 2007 = Elicarlos; (5 x 5)

    7) Segundo Volante: 2006 = Vagner Rosa; 2007 = Daniel ou Vagner Rosa (6 x 6)

    8) Meia: 2006 = Netinho; 2007 = Acosta (7 x 7)

    10) Meia: 2006 = Nildo; 2007 = Não tem (8 x 7)

    9) Atacante: 2006 = Felipe; 2007 = Felipe (9 x 7)

    11) Atacante: 206 = Kuki; 2007 = Kuki (10 x 7)

    Apesar de manter mais da metade dos jogadores (com o retorno de alguns) e até melhorar, em outras posições (como a lateral esquerda), o time de 2006 estava melhor que o de 2007, pois muitos dos que ficaram não estão repetindo as execelentes atuações do ano passado....

  2. 12/07/2007

    Futebol abaixo de zero

    A serra gaúcha, com uma temperatura de 4º C, sensação térmica negativa e chuva torrencial, no Alfredo Jaconi, não ajudava em nada o futebol dos nordestinos, do Náutico. Os jogadores batiam queixo e, em alguns momentos, batiam cabeça (o lance do choque entre Onildo e Sidny foi de fazer chorar e espelhou o momento do time).

    A qualidade do passe estava congelada! Não se conseguia dar seqüência e sair da defesa para o ataque. A bola sempre voltava para a defesa. E, só não levou sufoco, porque o Juventude não mostrou ser superior. Dava até para trazer os 03 pontos – desde que se trabalhasse a bola, com um mínimo de qualidade.

    Com um homem a mais, desde o começo do primeiro tempo, o Náutico não aproveitou o espaço, justamente, por faltar qualidade no passe. E não conseguiu chutar com perigo ao gol defendido por Michel Alves. Não criou lances que pudessem ser lamentados, ao final do jogo. A não ser um momento que Saci ganhou a jogada e ficou cara a cara com o goleiro gaúcho. Era a bola do jogo. E faltou pernas para o Saci.

    Assim como faltou experiência aos jogadores alvirrubros. Desde a expulsão do jogador da equipe anfitriã, se sabia que, seria uma questão de tempo, para que o Náutico tivesse um jogador a menos.

    O pênalti para o Juventude foi marcado porque Julio César preferiu esperar a bola sair a correr atrás dela. O jogador alviverde tomou a frente, na corrida e, o camisa 9 alvirrubro teve que tentar tirá-la. O juizão, então, marcou pênalti.

    O empate, com um chute de longe de Sidny deu até um novo animo, a ponto de Roberto Fernandes colocar Saci e Marcelinho, ao lado de Kuki. Mas, com a expulsão de Allyson, teve que recompor a defesa, colocando Deleu na ala esquerda, tirando Julio César, para atuar como volante, recuando Daniel, para a zaga. E tirou justamente Acosta, esquecendo que, sem alguém para criar no meio, a bola não chega na frente. Talvez para não ter que tirar Marcelinho ou Saci – que tinham entrado nos lugares de Breno e Hamilton.

    Com o resultado final, o Náutico se mantém na lanterna – pelo menos até a próxima rodada. E se o América-RN vencer o Internacional, o timbu só poderá passar a lanterna para o Flamengo, na 12ª rodada – lembrando que o rubro negro carioca terá 03 jogos a menos.

    Enquanto isto, a temperatura continuava a baixar, na serra. E, logo atingiu números abaixo do zero grau. Assim como o futebol apresentado em Caxias.


  3. 12/07/2007

    On the rock's

    Na gélida Caxias do Sul (temperatura que deverá estar entre um grau negativo e 4 positivos), na bela serra gaúcha, o timbu vai tentar sua primeira vitória, fora de casa, para deixar a lanterna para trás. Com Rodolpho, Sidny, Breno, Onildo, Alysson e Julio Cesar, Elicarlos, Daniel, Acosta, Marcelinho e Kuki, o time, comandado por Roberto Fernandes, deve entrar em campo, com mangas cumpridas, luvas e muito sangue, para esquentar o jogo.

    O Juventude, em casa, busca sair da incômoda zona de rebaixamento e quer se valer do jogo contra o último colocado, para somar 03 pontos. O grande problema é que, em jogos assim, é que o inesperado acontece....

  4. 11/07/2007

    Acosta quente.

    O uruguaio estava chateado. Vendo seus companheiros seguindo para o aeroporto dos Guararapes, enquanto, ele se dirigia aos Aflitos, para treinar com Felipe (que vai ficar um tempo para adquirir força e melhorar a técnica), Daniel Sobralense, além de Fabiano e Vagner Rosa (ainda se recuperando das cirurgias nas cabeças) – desfalcando o timbu em 04 posições.

    “Estoy chateado, pero tranqüilo, Milton” “Jo queria si, a jogar”. E dava de ombros, com a situação.

    Afinal, o julgamento, pelo STJD, na terça-feira, antes do jogo, contra o Juventude, em Caxias, provavelmente, segundo 100% das pessoas que opinaram, tiraria o uruguaio do jogo, com uma possível punição. Por isto, nem se pensou na ida do gringo, com a delegação.

    Todavia, como se fosse Lugano cobrando pênalti, com a defesa de Doni, o resultado do julgamento foi comemorado. O advogado timbu, carregado nos braços e esperado por um carro de bombeiros, no Recife, para desfile, em carro aberto.

    Acosta estava liberado para jogar. E já seguiu para a serra gaúcha, para se unir aos companheiros. “Estoy feliz, Milton”. Si, si, mi amigo. Estamos todos. A esta altura, não me admiraria se o Náutico vencesse e o gol da vitória fosse de Acosta....

  5. 11/07/2007

    Uma base arretada!

    E lá foi o Náutico para Caxias. Na bagagem, 10 garotos, dentre os 19 relacionados. Só da base timbu: Rodolpho, Alan, Onildo, Breno, Tiago Laranjeira e Almir Sergipe. Isto sem falar no pessoal daqui do estado, como Sidny, Deleu, Ricardinho Rocha e Elicarlos.

    Seguem, pela primeira vez, no avião, Ricardinho, Alan e Tiago.

    Boa sorte para os garotos! E boa viagem.


  6. 11/07/2007

    O torcedor que virou professor

    Quando os irmãos alvirrubros, Roberto e Augusto iam para os Aflitos, torcer pelo Náutico, não imaginavam que, alguns anos depois, um deles, estaria no comando técnico da equipe alvirrubra. Quero dizer. Até passava pela cabeça do primogênito. Era, na verdade, um dos seus sonhos. Quase uma fixação.

    Torcedor assumido do timbu, Roberto nunca negou sua paixão pelo alvirrubro – mesmo quando começou a trabalhar no Unibol (seu primeiro clube profissional). Estudioso e inteligente, fez uma boa campanha com o clube-empresa pernambucano e logo foi para o Primavera, em São Paulo.

    Depois de passar pelo Independente-SP, Londrina, Guaratinguetá-SP, Anapolina, São Bento-SP, União São João-SP, Ceará, Vila Nova, Santo André-SP, Vila Nova, Ituano, chegou no Brasiliense.

    Campeão candango, fazendo uma bela campanha, na serie B, com o time que tem Dimba, Warley, Alan Delon, entre outros nomes, era mais que natural, que o nome de Roberto Fernandes fosse muito cotado, para treinar o Náutico, com a saída de Paulo César Gusmão.

    E aqui está o torcedor. À frente do seu time de coração. Seu trabalho e competência, aliados ao conhecimento que sempre teve, como torcedor, acompanhando o Náutico, onde quer que estivesse, pode facilitar no encaixe de peças, assim como tem a exata noção do que precisa, para melhorar a equipe.

    Foi esta a impressão que ficou, ao ver uma grande evolução do timbu, nos jogos sob seu comando: Atlético-PR e Palmeiras. Todo alvirrubro sabe, que precisamos de reforços. Todo torcedor alvirrubro sabe que o elenco carece de qualidade. E sabe quais as posições. O melhor de tudo é que, todos têm a certeza que Roberto Fernandes também sabe disto.

  7. 08/07/2007

    Ping Uim nos Aflitos


    O descendente de chineses, Ping Uim, estava afastado dos jogos do Náutico. Tido como um pé frio, dos maiores, Ping sempre foi “barrado”, nos Aflitos, quando tentou entrar nos 04 jogos anteriores (São Paulo, Vasco, Paraná e Goiás).

    Contudo, desta vez, ele estava disposto a burlar a barreira e ver seu clube de coração. Bolou um plano fantástico. Iria disfarçado de japonês. Não usaria a camisa alvirrubra (com o patrocinador que não existe mais) – aquela utilizada pelo time, nos anos 90 (década em que nada deu certo para o timbu – não ganhou nenhum título e foi rebaixado para a segunda e terceira divisões, do brasileiro).

    Pegou uma camisa branca, escrito JAPÃO, em vermelho. Logo depois, subiu na sua bicicleta e pedalou para o estádio.

    Assim que pisou na rua, o céu caiu. Uma chuva torrencial desabou no Recife. Quase um dilúvio. Ping não conseguia ver um palmo à sua frente. A roupa estava encharcada. As ruas já estavam alagadas. Cheias de água.

    Por isto, Ping não viu o buraco, onde o pneu dianteiro de sua bike ficou preso, levantando a parte traseira e derrubando o nissei na lama, que já se formava, na rua de barro.

    Ping estava com a camisa molhada e cheia de lama. A roda do seu transporte havia se quebrado. Os aros estavam totalmente torcidos. Não havia meios de prosseguir em cima da bicicleta.

    Foi quando Ping viu dois garotos, logo na esquina. E pediu ajuda. Contudo, em vez de ajudá-los, os pivetes levaram a bicicleta, celular e dinheiro de Ping. Só lhe restou a carteira de sócio (que lhe dava direito ao ingresso do jogo).

    Ping, então, não desistiu da obsessão em ver o timbu, em ação. Afinal, era a estréia de Roberto Fernandes (a quem ele já tinha visto, algumas vezes, nas arquibancadas do timbu), nos Aflitos. O time tinha jogado bem, contra o Atlético-PR. O Palmeiras vinha desfalcado do chileno e do animal. Acosta voltava ao time. Ele não queria perder a chance.

    Pegou o rádio de pilha (daqueles pequenos, de bolso) e tentou sintonizar uma estação. O problema era que o radinho só pegava FM e o dial ficava mudando sozinho. Não parava numa estação. Era um tal de “A bola vai sendo conduzida, pelo meio.....bzzzz......quando eu estou aqui, eu vivo este momento lindo”. “Domina Felipe, passou para Kuki. Ele vai chutar.......bzzzz.......i ned a girl friend. Uh uh uh”.

    Por isto, depois de percorrer os 20 km, de Paulista para Recife, não tinha a menor noção, de como estava o jogo. Pensou até, que a partida tinha sido adiada, pois, quando chegou nos Aflitos, os portões estavam abertos e muita gente estava saindo. Mal sabia que a partida estava nos seus acréscimos.

    Ping, então, conseguiu por os pés nos Aflitos. Subiu a escadaria, que dava nas arquibancadas, da rua da Angustura. A bola estava com Marcelinho, no meio de campo. Ele prendeu a pelota. Perdeu para o meia palmeirense, que saiu num contra ataque, pelo lado direito, em cima de Deleu. Levou para área. E Elicarlos parecia estar machucado (pois não conseguia tirar a bola do atacante alviverde). O chute saiu direto para o gol. Gol do Palmeiras.

    O Náutico bateu o centro e o juiz encerrou o jogo. 1 x 0 para o verdão. Ping e seu famoso pé frio nem foi reconhecido pela torcida. Nem mesmo quando o time teve todas as estatísticas do jogo favoráveis e perdeu o jogo......

  8. 08/07/2007

    Um quarto e um meio

    Um quarto do campeonato já se passou. Dez dos trinta e oito jogos. Desses, o timbu só venceu o São Paulo (a defesa mais difícil de ser batida, dentre os 20 clubes). No seu caldeirão (bem mais apagado, pelas frustrantes resultados obtidos, nos Aflitos) foram 1 vitória (esta contra o tricolor paulista), 2 empates (Vasco e Paraná) e 2 derrotas (os verdes Goiás e Palmeiras). Fez 7 e sofreu 9 gols, na frente de sua torcida.

    Neste um quarto disputado, quando jogou fora de casa, viu a situação um pouco pior. Não venceu um único jogo. Empatou uma única vez (contra o Atlético-PR) e perdeu nas outras 4 ocasiões (Atlético-MG, Internacional, Botafogo e Sport). Só balançou as redes 4 vezes e tomou 12 gols.

    Acosta continua sendo seu principal artilheiro, com 4 gols, seguido de Marcel (com 2), Cris, Felipe, Hamilton e 02 gols contra, de Alex (Botafogo) e Michel (Atlético-PR). Fabiano tomou 13 gols, em 04 jogos. Gleguer, outros 6, em 04 jogos e Rodolpho, 2, em 2 jogos, o que nos coloca com a pior defesa da competição, com 21 gols sofridos, em 10 partidas. Mais de 2 gols por jogo. Só um time não fez gol no Náutico (dentre os dez que enfrentamos: o São Paulo).

    Agora, a torcida começa a rezar um terço, para que nos próximos três quartos do certame, a equipe se encontre e saia da zona de rebaixamento (e pela primeira vez – com a lanterna).

    Mas é inegável, também, a uruca do time. O ataque vive uma fase terrível. É indiscutível que Felipe e Kuki são bons jogadores (simplesmente as duas maiores revelações alvirrubras, nos últimos anos) e, juntos, marcaram metade dos gols alvirrubros, em 2006. O entrosamento entre os dois artilheiros é muito bom. Todavia, em 10 partidas, já disputadas, o ataque alvirrubro só marcou 1 gol (de Felipe). Kuki não balançou as redes adversárias. E quando o fez, o juizão anulou (contra o Atlético-PR). Ah, fase ruim!

    Precisamos, pois, arrumar um meio, para, a partir do próximo quarto, da competição, Roberto Fernandes encontre a melhor maneira, para que este time jogue. É fato que, não tivemos Fabiano, Sidny, Hamilton e Vagner Rosa (que entraram como titulares, no jogo anterior). É fato que Acosta não tem um companheiro de criação, no meio. É fato que Kuki e Felipe atravessam uma fase medonha (daquelas que os artilheiros atravessam, sem gols). É fato que a chuva torrencial, que caiu no sábado, em Recife, atrapalhou um pouco os planos do técnico. E, por fim, é fato que a sorte não acompanha o timbu.

    Mas, para sair desta situação, só dando qualidade a esta equipe. Todos vêm que é preciso alguém para ajudar Acosta, na criação. Alguém, na frente, para fazer os gols que faltam. Alguém experiente, na defesa.

    Uma característica do timbu é acreditar sempre - e sempre se reerguer. Mas é preciso reagir logo, pois, a partir de agora, se não houver reação, nem toda matemática do mundo irá favorecer....

  9. 05/07/2007

    O padre alvirrubro


    O padre Alvino Rúbio, de 72 anos, cabelos brancos e rosto vermelho (com grandes olhos azuis) é um torcedor incontido do Náutico. Quase foi excomungado por causa de suas manias de interpretar a bíblia, adaptando-a aos fatos do dia-a-dia vermelho e branco. Todas as suas celebrações têm um conteúdo referente ao seu clube de coração. E, evidentemente, ocorrem na capela de Nossa Senhora dos Aflitos.

    Assim, o Padre Alvino pregou, na primeira missa posterior ao jogo de estréia, de Roberto Fernandes, foi logo interpretando o texto bíblico, do Livro Gênesis:

    “Meus irmãos. Quando se diz que “No princípio, Deus criou os céus e a terra”, queremos dizer que “No começo do campeonato, havia jogadores de boa qualidade e outros nem tanto”.

    Continuando: “A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”, quer dizer “A defesa estava sem proteção e vazia; Atrás era um verdadeiro buraco e apenas alguns, tinham espírito de luta”.

    O povo, incrédulo, ouvia: “Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi feita”, ou simplesmente: “Tragam Roberto Fernandes. E ele veio”.

    O Pe. Alvino entusiasmado, já se fazia crer, pelos fieis. “Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas”, ora, nada mais que “O esquema era bom. Era só separar os jogadores que querem jogar dos que não querem.”

    “Deus chamou a luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã”, só pode ser interpretado pelo Pe. Alvino como “A tarde e pela manhã, o céu fica vermelho e a luz é o BRANCO e as trevas PRETO. Só podemos jogar de branco e nunca de preto”.

    Mas, quando o Pe. Alvino interpretou a última estrofe do parágrafo, os fieis se benzeram. “foi o primeiro dia.”, evidentemente, só pode significar: “o jogo contra o Atlético-PR foi o primeiro, desse novo Náutico, na serie A”. Deus te ouça, Pe. Alvino.....amém.


    PS: Este é um texto fictício. Qualquer semelhança é mera coincidência.

  10. 04/07/2007

    Duelo sulamericano



    Como não fui para Curitiba, tive que me contentar em ver o jogo que mais queria ver na vida, em frente da TV, num barzinho, próximo a sede do Náutico, nos Aflitos. A torcida foi chegando e, depois de algumas fatias de picanha e maminha, maturadas, já enchia o recinto de vermelho e branco.

    Ao meu lado, um uruguaio e um colombiano – legítimos representantes das torcidas atleticana e alvirrubra. O gringo da Prata queria, porque queria, ver o jogo de costas, em homenagem ao seu conterrâneo, que desfalcaria o timbu, neste jogo. Enquanto isto, o colombiano ainda chorava pela derrota, contra os argentinos, na Copa América, na noite anterior.

    Juín Del Bola, mesmo de costas, conseguia acompanhar o jogo, pela animação dos torcedores presentes. Já Jávier Tarde esbanjava confiança numa goleada rubro negra, no caldeirão: “És el furacon, Milito! Vamos a gañar”. E parecia que Javier tinha razão. Afinal, o timbu era o penúltimo colocado. Vinha de uma goleada, frente ao rival Sport, que abalou a estrutura, nos Aflitos – afastando o técnico PC Gusmão e 05 jogadores (Marcel, Cris, Baiano, Gleguer e Beto) do elenco timbu. Entrava em campo com 03 zagueiros e 03 volantes e com Daniel Sobralense (que é segundo volante), como homem de ligação, para o único atacante alvirrubro (Kuki).

    Todavia, bastou o pontapé inicial, para que a confiança mudasse de lado. Juín deu uma volta de 180 graus e passou a ver o jogo, entusiasmado. Pode ver que, com 03 zagueiros, Sidny tinha a liberdade de subir, sempre com perigo, nas costas de Michel. Viu que Daniel Sobralense executava com perfeição sua nova função (criando as jogadas) e que a defesa (a mais vazada do campeonato) não estava para brincadeiras.

    Entretanto, um lance que parecia cera (para ganhar tempo) de Fabiano, fez com que o uruguaio voltasse a posição inicial – de costas. “Rodolpho, non! Ele és baixito”. Eu confesso que nem me importei, porque conheço as qualidades do jovem valor timbu – que finalmente faria seu primeiro jogo da vida, na primeira divisão.

    O Atlético não conseguia encurralar o Náutico. O estreante torcedor timbu, digo, treinador timbu, Roberto Fernandes, mudou a cara do time. A atitude era complemente diferente. Quem viu o jogo contra o Sport, não entende como mudou da água (envenenada) para o vinho. E quem não viu, não entende como este Náutico foi presa fácil, na ilha.

    Num lançamento para Kuki, o marcador recuou a bola para o goleiro Guilherme, que, desatento, pegou com as mãos. Falta, dentro da área rubro negra. Juín se levantou e foi para junto do televisor. Javiér fechou os olhos. A bola cobrada para Kuki chutar, no meio do tumulto. Bola para cá, pra lá. E o zagueirão deu de bico, nas costas de Michel (que estava na barreira). Gol do Náutico. Contra.

    A torcida do barzinho, com os copos nas mãos arremessava cerveja para cima. A pequena torcida timbu, devidamente agasalhada, na Arena Kyocera, pulava, enlouquecida. Kuki corria para abraçar Roberto Fernandes, no banco. O Náutico surpreendia a todos – inclusive seus torcedores.

    Jogando consciente. Bem e disciplinado taticamente. Sem ter craques no time. Sem ter a qualidade que se busca (errando alguns lances mais fáceis), mas com muita vontade e determinação, o timbu merecia a vitória parcial, que alcançara, no intervalo. Chegou a marcar o segundo gol (com Kuki), que foi, corretamente anulado, por impedimento.

    Juín era só alegria. Tentava ligar para conterrâneos de Montevideo, por celular, mas não tinha sucesso. Afinal, todos seus amigos também estavam ligando um para o outro, comentando o primeiro tempo fantástico, do timbu.

    Antônio Lopes modificou o Atlético, para a etapa complementar. Colocou Pedro Oldoni, no lugar de Cristian. E, foi justamente este jogador que estava no rebote de Rodolpho, logo no começo do segundo tempo, para empatar o jogo. 1 x 1.

    Entretanto, o Náutico não se intimidou e continuou com a mesma determinação. E se os alvirrubros já estavam surpresos, com a boa exibição do timbu, ficaram mais animados, com a atuação de Júlio César (que entrou no lugar de Vagner Rosa). Sem Alex Mineiro (expulso), o timbu cresceu. E Sidny acertou o travessão de Guilherme.

    Daí em diante, o Atlético reservava com o Náutico, em bons ataques e excelentes defesas dos respectivos goleiros. Felipe, que entrou no lugar de Sobralense, também criou uma chance espetacular, numa jogada bem trabalhada do ataque.

    O empate – apesar da colocação na tabela – não foi ruim. Mostrou a evolução tática da equipe e, mais ainda: a mudança de atitude. Mas, principalmente, mostrou que o Náutico pode se superar na competição e conquistar seu objetivo inicial – que é de permanecer na primeira divisão, em 2008.

    Juín e Javier, ao final, brindaram ao bom jogo que assistiram.

Milton Neto, pernambucano, 44 anos, casado. Advogado há 20 anos, trabalhou nos jurídicos dos Bancos Banorte (em Recife) e HSBC (em Curitiba), além de alguns escritórios, como Macedo, Braz, Renzetti & Worm, no Paraná. Pós graduado em Gestão em Direito Empresarial (com marketing esportivo).

2000-2007 Globo.com. Todos os direitos reservados.